A bateria Powerwall da Tesla transfere para o consumidor o controle dos seus gastos

Independência em relação à rede elétrica, energia limpa, economia de custos e fonte de energia flexível — todas essas coisas podem ter ganho um impulso a mais na semana passada. A responsável por tudo isso foi a Tesla Motors, empresa de San Carlos, na Califórnia, que lançou uma linha de baterias para armazenamento de energia que será vendida diretamente ao consumidor. Elon Musk,  CEO da Tesla, mais conhecido pelo trabalho pioneiro com os carros elétricos da empresa, surpreendeu agora os observadores da indústria com os preços das baterias de armazenamento de energia. Elas deverão se tornar mais baratas com o aumento da produção — uma das principais dificuldades para tornar viável a tecnologia de armazenamento em baterias —, embora seja cedo demais para dizer em que momento o mercado absorverá essa escala.

As baterias Powerwall da Tesla com capacidade de 7 Kwh (quilowatt hora) custam US$ 3.000 e as de 10 Kwh, US$ 3.500, excluindo os custos do transformador e de instalação. A bateria foi projetada para ser usada como reserva na falta de luz da rede elétrica na casa do consumidor, mas pode ser igualmente útil para fins comerciais como alternativa às usinas de energia.

Mudança de paradigma

“A mudança de paradigma a que estamos assistindo consiste no fato de que o consumidor está deixando de ser um agente passivo que recebe por um preço fixo a eletricidade que consome e, em seguida, consome o quanto desejar”, disse Ruben Lobel, professor de gestão de operações e de informações da Wharton. “Contudo, essa bateria de armazenamento, juntamente com outras inovações, como a rede inteligente, estão posicionando o consumidor na linha de frente desse processo tornando-o um agente inteligente do sistema.”

A indústria de bateria de armazenamento tem agora o potencial de dar um salto em relação às suas receitas anuais de US$ 200 milhões tornando-se uma indústria multibilionária, conforme explica Madhur Behl, candidato ao doutorado na Escola de Engenharia e de Ciências Aplicadas da Universidade da Pensilvânia.

Lobel e Behl discutiram as implicações das inovações da bateria de armazenamento para usuários residenciais e comerciais, bem como concessionárias, durante o programa da Knowledge@Wharton na Wharton Business Radio, canal 111 da SiriusXM.

Lobel explicou que as inovações trazidas pelas baterias de armazenamento podem ajudar a tornar mais inteligente o consumidor, permitindo-lhe reagir durante a falta de energia da rede ou ajudando-o a tomar decisões de consumo durantes as horas normais e de pico. “A rede não pode simplesmente impor ao consumidor o que deseja. As concessionárias têm medo de perder esse poder”, observou.

O preço está certo?

O conceito de uso de baterias em prédios residenciais e comerciais e até mesmo em concessionárias já existe faz algum tempo, disse Behl. “Resta saber se o preço fixado está correto e se o pacote disponibilizado é realmente viável e escalável.” Behl acrescentou que o custo total pode duplicar o preço da bateria, incluindo aí os custos do transformador e da instalação.

A adoção de baterias de armazenamento pode crescer se os preços forem módicos, o que poderia ser facilitado pelo aumento da produção. Lobel disse que Musk havia comprometido 1/3 da capacidade da Tesla Gigafactory, em Nevada, com baterias de armazenamento (ficando o restante reservado para baterias de carros). A fábrica, de US$ 5 bilhões, está em construção e deve entrar em funcionamento em 2017.

Lobel disse ainda que a procura do consumidor por baterias de armazenamento variará de acordo com o mercado e com as regulações locais. Por exemplo, as baterias poderiam ser uma alternativa útil nos mercados em que os usuários de painéis solares possam vender o excesso de eletricidade para a rede local a preços de varejo. Em alguns mercados, disse ele, os usuários de painéis solares encontram resistência das concessionárias que reagem com sobretaxas adicionais. “As baterias nos permitem depender menos da rede”, disse.

As baterias serão mais bem-sucedidas nos mercados onde o preço da energia é mais elevado, assinalou Lobel. “Na Califórnia, isso provavelmente seria viável porque os preços da eletricidade são muito altos. Contudo, no Texas, em que o preço do Kwh da energia é de quatro cents, é provável que as baterias ainda não valham a pena.”

A expectativa de Behl é que as baterias sejam adotadas em larga escala pelos grandes prédios comerciais, embora é possível que algumas residências também se antecipem e passem a usá-las. Ele explicou que os grandes prédios comerciais, de modo geral, têm de pagar uma “taxa de demanda” às companhias geradoras de energia ou um imposto proporcional ao seu consumo durante as horas de pico.

Vencendo a incerteza

“Há um ditado que circula nos círculos de geração de eletricidade — ‘Os quilowatts não são criados iguais'”, disse Behl. “À medida que a carga aumenta no decorrer do dia, o gerador precisa recorrer a fontes de eletricidade mais antigas e ineficientes, por isso é mais cara.”

O usuário poderia carregar suas baterias de armazenamento à noite, um horário de uso menos intenso, e depois usar a energia armazenada nas horas de pico, explicou Behl. Ele poderia participar também de programas de resposta à demanda que muitas concessionárias oferecem e por meio dos quais pagam incentivos aos usuários para que reduzam o consumo de energia em horário de pico.

A Universidade da Pensilvânia participa desse sistema de resposta à demanda, disse Lobel. Sempre que os preços da eletricidade sobem, a instituição recebe um telefonema do seu operador de transmissão regional e responde reduzindo o uso de aparelhos que consomem muita energia, como resfriadores etc. “Os termostatos do campus todo são ajustados para responder e reduzir a carga do sistema.” De igual modo, as empresas podem responder aos aumentos de demanda. Nesse caso, as baterias ajudariam proporcionando uma alternativa, acrescentou.

Lobel e Behl também concordam com a observação de Musk de que a tecnologia empregada na bateria pode deflagrar mudanças fundamentais no modo como as pessoas pensam a respeito do uso de energia. “A longo prazo, o armazenamento em bateria será benéfico para a rede”, disse Behl. “As fontes de energia solar ou renovável são erráticas. Não há garantia, embora, conforme disse Musk, o sol se levante todos os dias na hora prevista. O que não sabemos, é se haverá nuvens ou não.” De igual modo, as instalações de energia eólica também não têm garantia de que sempre ventará, disse.

“A instalação de uma bateria no local onde se encontra o usuário final dissipará essa incerteza”, disse Behl. Toda eletricidade gerada por esses usuários, e que não for usada, poderá ser guardada e usada à noite, acrescentou. Ele acrescentou que o advento das baterias de armazenagem pode também ser benéfico para as concessionárias. “Talvez elas não gostem do fato de que o consumidor não esteja comprando eletricidade delas o tempo todo, mas isso torna a demanda menos volátil”, disse.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"A bateria Powerwall da Tesla transfere para o consumidor o controle dos seus gastos." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [15 May, 2015]. Web. [24 March, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/a-bateria-powerwall-da-tesla-transfere-para-o-consumidor-o-controle-dos-seus-gastos/>

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"A bateria Powerwall da Tesla transfere para o consumidor o controle dos seus gastos" Universia Knowledge@Wharton, [May 15, 2015].
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