A pequena fábrica de tratores que pode ser pioneira em Cuba

Finalmente, com a melhora das relações políticas entre EUA e Cuba, parece estar se aproximando também uma nova era para as relações comerciais entre os dois países. Por enquanto, nenhuma empresa americana obteve permissão para o início de suas operações em Cuba. Contudo, a Cleber, uma pequena empresa do Alabama que comercializa produtos agrícolas, gostaria de ser a primeira. 

Os proprietários, Saul Berenthal e Horace Clemmons, estiveram recentemente no programa da Knowledge@Wharton na Wharton Business Radio, canal 111 da SiriusXM, para conversar sobre sua longa história conjunta, suas ligações com Cuba e seus planos de construir tratores na ilha para atender à indústria local de pequenas propriedades agrícolas. Berenthal e Clemmons estiveram também na recente Cúpula de Finanças, Infraestrutura e Investimento em Cuba em Nova York. O evento foi organizado pela Knowledge@Wharton, pelo Instituto Lauder [The Lauder Institute] e pelo Momentum Event Group. 

Segue abaixo a versão editada da entrevista.

Knowledge@Wharton: Vocês dois têm uma parceria fantástica. Trabalharam juntos em uma companhia ou outra durante 43 ou 44 anos. Tudo começou na IBM, certo?

Saul Berenthal: Vou lhe contar uma pequena história sobre conheci o Horace. Eu morava em Nova York, mas trabalhava em um projeto da IBM na Carolina do Norte.

Estávamos desenvolvendo um novo produto para meu cliente na época, a J. C. Penney. Tratava-se de um terminal de ponto de venda ― uma coisa que ainda não havia sido lançada pela IBM, portanto era supersecreto. Eu estava em um laboratório da Carolina do Norte e tinha um número para onde deveria ligar se tivesse alguma dificuldade técnica.

Foi o que aconteceu: quando estávamos fazendo os testes, tive problemas técnicos. Peguei o telefone e liguei para uma pessoa que me disse: “Estou indo para aí.” Poucos minutos depois, avisto um sujeito de macacão. Eu lhe disse: “Olhe, estou com problemas.” Foi assim que conheci o Horace.

Knowledge@Wharton: Horace, qual a sua versão da história?

Horace Clemmons: Bem, essa foi a primeira vez que vi o Saul. Era um sábado. Eu estava em casa e recebi uma ligação: “Surgiu um trabalho para você.” Decidi não trocar de roupa. Fui de macacão mesmo. Não creio que tenha sido uma primeira boa impressão.

Knowledge@Wharton: Saul, vamos falar do seu relacionamento prévio com Cuba. Você e sua esposa participaram ativamente da tentativa de ajudar a reconstruir a comunidade judaica da ilha.

Berenthal: Correto. Nasci e fui criado em Cuba. Minha esposa também. Na verdade, ela morava a cerca de um quarteirão e meio da minha casa quando éramos crianças. Como éramos uma pequena comunidade de judeus ― na época, em torno de 15.000 ― costumávamos passar algum tempo juntos, por assim dizer. Portanto, nós nos conhecíamos desde pequenos. Saímos de Cuba mais ou menos na mesma época, depois da revolução, no final de 1960. Fomos, é claro, para Miami, mas não ficamos muito tempo ali. Eu achava que se fosse para ser americano, seria melhor sair de Miami.

Então, mudamos ― a família dela se mudou e eu me mudei para terminar a faculdade em Nova York. Depois que me formei, nos casamos. Em seguida, é claro, conheci Horace na IBM. Contudo, depois de trabalhar para a IBM durante 18 anos, decidimos montar uma empresa própria. Foi o que fizemos, e deu certo. Nós a vendemos e nos aposentamos. Depois, por volta de 2008, passamos a ir com frequência a Cuba, principalmente para ver as transformações ocorridas na ilha depois que saímos de lá e, é claro, para restabelecer de certa forma uns poucos relacionamentos antigos com parte da comunidade judaica local.

Vimos que havia muita necessidade. Encontramos várias pessoas totalmente distanciadas do mundo judaico. Decidimos, então, que seria ótimo organizar grupos nos EUA para visitarem Cuba ― numa espécie de intercâmbio cultural e religioso, por assim dizer.

Knowledge@Wharton: Muita gente talvez não saiba que na primeira metade do século 20, Cuba era um destino comum para os judeus que fugiam da opressão na Europa.

Berenthal: Correto. Meus pais vieram da Europa fugindo do Holocausto.

Eles se fixaram em Cuba e aguardavam a oportunidade de ir para os EUA. Contudo, depois de um tempo, já estabelecidos, haviam começado um negócio, por isso decidiram ficar. Foi ali, portanto, que nasci e fui criado.

Knowledge@Wharton: Parece-me que várias das viagens que vocês fizeram nos últimos anos tiveram como propósito levar suprimentos para as pessoas daquela comunidade, suprimentos que, em muitos casos, eles não teriam condições de comprar.

Berenthal: Isso mesmo. Remédios e roupas e praticamente tudo o mais que você possa imaginar. A comunidade é muito pequena atualmente. Há cerca de 800 judeus em Cuba e três sinagogas.

Atualmente, judeus dos EUA, do Canadá e do Panamá vão a Cuba dar assistência aos judeus da ilha em algumas das suas necessidades. Falta, porém, um rabino. Não existe um rabino cubano.

Também não há comida kosher em Cuba. Por isso, um dos meus objetivos é levar esse tipo de comida para lá. Isso, é claro, vai exigir a presença de um rabino que realize os ritos e tudo o mais que é necessário para o alimento seja servido adequadamente. Isso é uma coisa em que ainda estamos trabalhando. Contudo, nas minhas viagens fiz contatos muito bons e soube de muita coisa que aconteceu na ilha nos últimos anos.

Tive a oportunidade de conhecer muitos professores do departamento de economia na Universidade de Havana, porque também organizo intercâmbios acadêmicos entre Cuba e a Universidade da Carolina do Norte com professores e alunos de ambos os países. Graças a esses relacionamentos que construí, comecei a compreender algumas das mudanças econômicas que estavam ocorrendo no país. Sempre disse a Horace: “Um dia desses, teremos a oportunidade de aproveitar esse conhecimento.”

Knowledge@Wharton: Isso é uma coisa que vocês dois estão tentando fazer neste momento. Horace, você teve a oportunidade de ir a Cuba algumas vezes também. Qual foi sua reação diante do que viu por lá?

Clemmons: Bom, creio que todos sabemos o que o embargo significou para Cuba, pelo menos pelas coisas que já lemos. Contudo, é diferente ir até lá e ver os efeitos do embargo, em vez de ficar apenas na leitura. Digo a todo o mundo que o tempo em que servi no Vietnã afetou minha opinião sobre política externa. Discordo de muita coisa que os EUA fazem em sua política externa. Vejo, por exemplo, o tipo de comércio que temos com o Vietnã e como negociamos com os vietnamitas. No entanto, evitamos fazer negócios com Cuba.

Nada disso faz sentido para mim. Portanto, quando o Saul disse: “Vamos fazer alguma coisa em Cuba”, nunca tive dúvidas ou receio sobre fazer negócio com a ilha. Acho que temos a obrigação moral de tentar ajudar a melhorar a vida em Cuba por causa do modo como tratamos seu povo.

Knowledge@Wharton: Sob alguns aspectos, há quem creia que os EUA tenham a obrigação moral de tentar ajudar qualquer um seja onde for. Negar isso a Cuba é abandonar uma nação que certamente precisa de ajuda, certo?

Clemmons: É exatamente o que eu penso. Creio que podemos fazer muita coisa e que é nossa obrigação fazê-lo. Acho que se boa parte dos americanos fosse até lá e visse o que fizemos ao país por causa do embargo ― a dor e o sofrimento que causamos ― creio que mais gente seria a favor da suspensão do embargo.

Berenthal: Por outro lado, gostaria de contar uma pequena história de um amigo meu de Cuba que conheci em Miami. Ele é um homem de negócios ― um cuentapropista, isto é, uma pessoa do setor privado.

Conversamos muito exatamente sobre o que Horace estava dizendo a respeito do relacionamento dos dois países. Ele me disse uma coisa, da perspectiva cubana, que achei bastante significativa: “Os cubanos estão apaixonados por seu inimigo.”

Em outras palavras, durante 50 anos eles nos viram como inimigos. E, contudo, ainda nos amam pelo que somos, por quem somos e pelo que podemos fazer por eles.

Knowledge@Wharton: Cuba, obviamente, é muito conhecida por ser um país agrícola. Mas, como foi que vocês tiveram a ideia de abrir um negócio para fabricar tratores na ilha?

Clemmons: Acho que isso se deveu, em parte, à experiência que temos no setor de tecnologia. Vimos o que a IBM e as grandes empresas estavam tentando fazer com seus clientes ― estavam tentando vender-lhes o que tinham, e não ouviam o que eles tinham a dizer. Nosso plano se baseou, em boa parte, naquilo que ouvimos os cubanos dizerem que queriam e no que o governo cubano queria. No acordo assinado por Raúl Castro e pelo presidente Obama, acho que ficou bem claro que a agricultura é um dos itens mais importantes do documento.

Esse foi o nosso ponto de partida. E, tendo nascido no interior do Alabama e caminhado atrás de mulas com meu avô, sabia que o ponto de partida para melhorar a agricultura cubana seria muito semelhante ao ponto de partida da expansão agrícola nos EUA. Vimos o que aconteceu aos EUA quando o país passou da agricultura familiar para o agronegócio. Acho que Cuba começará do mesmo ponto, mas ficaria muito desapontado se terminasse do mesmo jeito.

Knowledge@Wharton: Portanto, é muito simples. Basta dar aos agricultores cubanos a oportunidade de trabalhar com um trator, em vez de deixar que continuem a andar atrás de um arado de tração animal, certo?

Clemmons: Sim.

Knowledge@Wharton: Como funciona esse processo? Vocês têm a aprovação de Cuba para começar o negócio, portanto estão apenas esperando a aprovação dos EUA, certo Saul?

Berenthal: Certo. O processo que seguimos nos EUA exige uma licença do OFAC ― Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros ―, que é o braço executivo do Departamento do Tesouro encarregado do embargo. São eles que regulam esse tipo de atividade.

No dia 17 de dezembro, Obama decidiu abrir duas indústrias extremamente importantes para o comércio com Cuba ― uma delas é a agricultura; a outra, a construção. As escolhas não foram mera coincidência. É muito importante compreender que essas duas indústrias estão bastante relacionadas e servem de garantia à indústria do turismo em Cuba, que é a fonte mais importante de moeda forte no país. Portanto, a possibilidade de melhorar a produção agrícola permite a Cuba produzir alimentos para os turistas que visitam o país. A construção permite que haja lugares para sua hospedagem. Portanto, essas indústrias aparecem em primeiro lugar no acordo comercial celebrado pelo governo dos EUA com o objetivo de ajudar Cuba a desenvolver sua indústria de turismo.

Knowledge@Wharton: O que você gostaria de fazer em Cuba seria um modelo um pouco diferente: não só fornecer tratores, mas também o equipamento necessário caso o trator quebre, certo?

Clemmons: Saul e eu queríamos garantir aos cubanos a possibilidade de se sentirem tranquilos com sua aquisição. Por isso, estamos seguindo o que chamamos de modelo de fabricação de código aberto. Os tratores serão construídos com componentes de código aberto, de modo que os cubanos não precisem de nós para consertá-los. Todas as peças são padronizadas, portanto nosso negócio em Cuba depende de fornecermos continuamente um serviço de qualidade, e não um componente específico.

Desse modo, eles compreenderão que é preciso esforço para atingir a excelência, de modo que possamos dar a eles a qualidade mais elevada ao menor preço possível. Nossa intenção é usar esse modelo não apenas para tratores, mas, no futuro, também para o equipamento de construção.

Estamos tentando criar uma arquitetura que, ao expandirmos, tentaremos seguir: a do modelo de código aberto, para que os compradores não fiquem atrelados a um fabricante específico.

Knowledge@Wharton: Então, por exemplo, o indivíduo não teria de recorrer especificamente a John Deere quando tivesse de comprar uma peça qualquer de que tivesse necessidade. A escolha é livre. Trata-se, evidentemente, de um modelo muito diferente.

Berenthal: Isso também é autossuficiência. O modelo que estamos tentando construir em Cuba começa com a montagem de tratores, porém os componentes virão dos EUA. Na segunda fase do projeto, eles mesmos fabricarão os componentes e os montarão em Cuba, dando-lhes assim a oportunidade de serem autossuficientes na produção de tratores.

Em seguida, nós os ajudaremos num aspecto de valor agregado na fase 2 do projeto, que consiste em um trator elétrico alimentado por meio de painéis solares.

Knowledge@Wharton: No momento em que você conseguir a aprovação do governo americano, em que pé estará o processo? Já será possível construir a fábrica em Cuba?

Berenthal: Sim. É aí que entram os aspectos técnicos de obtenção da licença aprovada pelo OFAC. A regulação exige, entre outras coisas, que nós tratemos diretamente com o setor privado, e não com o governo cubano.

Para construir nossa fábrica na Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel ― esse é o nosso plano ― teremos de contar com quem constrói instalações desse tipo em Cuba, que é um setor ligado ao governo.

Knowledge@Wharton: Certo.

Berenthal: Fomos a Mariel. Conversamos com as pessoas ali e perguntamos: “E se trouxéssemos uma empresa americana para construir a fábrica em Mariel? Vocês permitiriam que trabalhássemos diretamente com essa empresa para mostrar ao pessoal lá dos EUA que estamos tentando fazer de tudo para não beneficiar uma instituição do governo?” Eles disseram: “Sim. Gostaríamos que vocês usassem os recursos locais, mas se quiserem usar uma empresa americana para construir sua fábrica, tudo bem.” Isso mostra que o governo cubano, as autoridades de Mariel, estão ajudando. Eles querem que façamos o que estamos dizendo a eles que gostaríamos de fazer.

Ana Teresa Igarza, diretora geral do Escritório de Desenvolvimento Especial da Zona de Mariel, disse várias vezes aos jornais que o projeto que estamos levando para Cuba não é apenas atraente, mas necessário. Portanto, eles estão muito interessados e nós estamos dispostos a fazê-lo. Por outro lado, estamos esperando que o lado americano nos dê a licença necessária.

Knowledge@Wharton: É muito interessante porque isso é algo que mostra, efetivamente, o desejo do povo cubano e do governo do país de mudar de fato. Existe uma ideia que, creio eu, muita gente aqui nos EUA nutriu durante os últimos 50 ou 55 anos: que Cuba não quer nossa ajuda. Cuba quer ficar totalmente separada de nós. Mas, pelo que você está dizendo, a verdade é exatamente o contrário.

Berenthal: Bem, não gosto de entrar em política, mas mesmo quando os políticos decidem conversar― Cuba e EUA ―, o que se ouve é sempre o seguinte: “Queremos ser tratados com respeito e dignidade.” Para os cubanos, é muito importante que sejam considerados iguais quando tiverem de lidar com outros países, mas, especificamente, com os EUA.

Knowledge@Wharton: O fato de vocês terem conversado diretamente com o pessoal de Mariel, que tomou a decisão, e não com o governo cubano em Havana não seria também um outro pequeno aspecto das mudanças que estão ocorrendo?

Berenthal: Bem, é um pouco mais complicado do que isso. O processo de aprovação na Zona de Mariel é o que eu chamaria de processo simplificado. Vamos a Mariel com um projeto. Apresentamos aos responsáveis o projeto, eles o avaliam para ver se atende aos requisitos previstos e se é algo que desejam. Se concluírem que o projeto está de acordo com suas diretrizes, eles o levam imediatamente ao que se chama em Cuba de Conselho dos Ministros. Esse órgão, onde estão representados todos os ministros do país, é que dará a aprovação final ao projeto.

Tudo em Cuba é feito mediante consenso. É muito importante que todos possam compreender o projeto e estejam dispostos a aderir a ele. Portanto, o que aconteceu em Mariel foi o seguinte: tão logo o projeto foi aprovado e enviado ao Conselho de Ministros, eles o avaliaram, analisaram e disseram: “Sim, queremos isto.” O projeto foi então enviado imediatamente a Mariel, que nos contratou: “Muito bem, sigam em frente.”

Knowledge@Wharton: Logo que as coisas estiverem resolvidas, quantos tratores vocês esperam produzir no período de um ano? Vocês já têm um número estimado?

Berenthal: Bem, queríamos começar com uma produção de cerca de pelo menos 150 para o mercado que acreditamos existir. Contudo, é óbvio que temos capacidade de produzir números maiores do que esse. Podemos produzir até 500, 600, 700 tratores. Não é difícil fazê-lo. Contudo, temos de mensurar qual seria o nível de absorção do produto quando começarmos a fabricá-los em Cuba.

Knowledge@Wharton: Isso, obviamente, seria importante para a economia cubana em geral.

Clemmons: O objetivo de longo prazo é exportar os tratores. Fabricá-los e exportá-los. Creio que a partir do momento em que tivermos o modelo elétrico, juntamente com a capacidade de exportação, esse trator será vendido praticamente em todos os lugares. Em outros países onde o abastecimento elétrico é deficiente, o carregador de painel solar se encarregará dessa tarefa. Além disso, com base no que podemos ver no segmento de distribuição de petróleo e sua disponibilidade, cremos que o modelo elétrico ganhará enorme importância a longo prazo.

Knowledge@Wharton: Qual teria de ser a capacidade de uma bateria para um veículo desse tipo?

Clemmons: Quando as pessoas me fazem essa pergunta, digo a elas: “Existem carros de corrida movidos a eletricidade, não é?”. Entendeu?

Knowledge@Wharton: Sim, é verdade.

Clemmons: Elon Musk tem um carro esporte elétrico. Já existe tecnologia para isso. Portanto, até mesmo um trator pode ter recarregadores solares.

Knowledge@Wharton: Na capota, por exemplo?

Clemmons: Em uma fazenda com expediente de trabalho de oito horas, ninguém usa o trator o tempo todo. Nosso objetivo é chegar a um design que permita quatro horas diárias de trabalho com carregamento noturno.

Knowledge@Wharton: De onde vem originalmente a ideia de usar painéis solares? É sua ou do Horace?

Clemmons: Bem…

Knowledge@Wharton: O Saul está apontando para você.

Clemmons: Bem, eu diria que a ideia foi minha, mas há tanta coisa sendo feita atualmente com painéis solares. É uma evolução natural. As pessoas se preocupam com a capacidade da bateria ― para mim, não é nenhum grande salto a ideia de que é possível trabalhar sem baterias.

Knowledge@Wharton: Você me mostrou há pouco a imagem de um trator…

Clemmons: Sem motorista.

Knowledge@Wharton: Certo. Mas é um tipo de trator menor do que estamos acostumados a ver aqui nos EUA. Esse é o tamanho dos tratores que vocês pretendem produzir?

Clemmons: Sim. Esse trator segue o design do Modelo G da Allis-Chamber, produzido primeiramente em 1948 e cancelado em 1955. Ele foi construído para a agricultura de pequeno porte, isto é, algo em torno de 40 a 60 acres.

Escolhemos esse modelo porque ele está consagrado e tem uma engenharia de marca por trás. Além disso, sua produção foi interrompida há muitos anos e todas as patentes expiraram. Trata-se, portanto, de um modelo que podemos copiar, o que facilita as coisas para nós. Podemos modernizá-lo com outra tecnologia mais nova. Por exemplo, para levantá-lo, usava-se um equipamento manual. Agora, o equipamento é hidráulico. É desse tipo de coisa que estou falando.

Knowledge@Wharton: É fantástico que vocês tenham conseguido bolar esse conceito. É uma mudança incrível ― mesmo para a indústria agrícola ― conseguir fazer com que a energia solar ponha seu equipamento para trabalhar. No entanto, não deixar de ser algo coerente, já que esse tipo de máquina trabalha ao ar livre diariamente e, conforme você disse, os tratores não funcionam o dia todo e nem a semana toda, embora sejam usados durante boa parte do dia. Quando não são, pode-se deixá-los carregando no sol.

Berenthal: É uma coisa que vem muito a calhar no caso de Cuba, onde a eletricidade ainda não chega à ilha toda.

Knowledge@Wharton: Certo. No futuro, porém, qual será a importância da confiança que você conquistou junto ao pessoal de Mariel e ao governo?

Berenthal: É muito fácil ganhar a confiança dos cubanos. Basta entender sua cultura. Na cultura empresarial cubana, é preciso que você apresente sempre o projeto não apenas em termos econômicos, mas também em termos dos seus benefícios sociais. Além disso, eles querem saber quais os seus benefícios culturais. No momento em que você compreende o que os motiva a fazer as coisas, e apresenta dessa forma seus projetos, eles compreendem tudo mais facilmente e confiam em você.

Knowledge@Wharton: Isso, e mais os três componentes que você acabou de mencionar, seriam os fatores mais complicados neste momento para que as empresas americanas possam se aventurar em Cuba e construir relacionamentos?

Berenthal: Correto. Se prestarmos atenção em quem vai dos EUA para Cuba e observarmos o que essas pessoas estão propondo, veremos o seguinte: “O que podemos vender para vocês? Temos frango, milho, soja.” Não. Os cubanos querem sócios que invistam em Cuba.

Investir em Cuba significa propor a eles um projeto que gere empregos, capacidade de produção, que minimize suas necessidades de importação e produza mais alimentos para o país.

Knowledge@Wharton: Você acha que isso deve acontecer de forma significativa em algum momento dos próximos anos?

Berenthal: Se criarmos as condições e a estrutura para isso, muitas empresas americanas investirão em Cuba.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"A pequena fábrica de tratores que pode ser pioneira em Cuba." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [29 October, 2015]. Web. [24 May, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/a-pequena-fabrica-de-tratores-que-pode-ser-pioneira-em-cuba/>

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"A pequena fábrica de tratores que pode ser pioneira em Cuba" Universia Knowledge@Wharton, [October 29, 2015].
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