China ou Índia: qual dos dois é o melhor investimento de longo prazo para as empresas de private equity?

Índia e China são ambos países imensos que acabam de se abrir para o desenvolvimento. Trata-se de nações repletas de oportunidades e de riscos para os investidores de private equity. Como não poderia deixa de ser, a crescente opulência econômica desses países é um convite ao debate  sobre qual deles ofereceria melhores condições de investimento.

 

À primeira vista, a Índia pode não parecer uma aposta muito segura por suas estradas esburacadas, suas águas poluídas e pobreza generalizada. Contudo, de acordo com professores da Wharton e especialistas no segmento de private equity em mercados emergentes, esses sinais externos escondem a existência de fundamentos sólidos para o crescimento econômico como, por exemplo, um governo democrático, um ótimo sistema educacional, conhecimento disseminado do inglês e um grande número de expatriados com muita experiência na prática de negócios do Ocidente.

 

Uma mão-de-obra barata e investimentos diretos externos transformaram a China na usina  de produção do mundo sob a batuta de um governo que abraçou o capitalismo de estilo ocidental. A China proporcionou retornos espetaculares de private equity nos últimos anos; entretanto, ressaltam os especialistas, as fragilidades do sistema jurídico chinês e possíveis instabilidades políticas continuam a preocupar os investidores.

 

“Há, evidentemente, enormes oportunidades para o segmento de private equity em ambos os países”, avalia Jeremy Siegel, professor de Finanças da Wharton.

 

É preciso avaliar

Com relação ao ambiente mais propício aos investimentos a longo prazo, Siegel diz preferir a Índia. Para ele, atributos como um governo democrático e uma imprensa livre, que vem extirpando a corrupção, superam os investimentos mais impressionantes da China em infra-estrutura portuária, fábricas e sistemas de transporte.

 

Siegel se diz igualmente preocupado com o sistema chinês de “guanxi”, em que os negócios são realizados muito mais por meio de redes elaboradas de relacionamentos do que por mérito. A disposição dos americanos de permitir que um empresário seja bem-sucedido, independentemente de suas conexões sociais ou políticas, sempre foi a pedra de toque do sucesso econômico dos EUA, ressalta. “Quem tiver algum tipo de relação com os chineses consegue muita coisa, mas não sei se os contratos firmados por escrito terão a mesma garantia de que desfrutam na Índia.”

 

Siegel acrescenta uma observação final que pode fazer com que o investidor que pensava em investir na Índia decida-se pela China, pelo menos a curto prazo — as valorizações relativas. O Sensex 30 da Índia — versão local do Índice Industrial Dow Jones — rompeu a barreira dos 10.000 pontos em fevereiro, saltando de um patamar de 3.300 pontos em dezembro de 2002. O índice preço-lucro das ações indianas é de 21, ao passo que as ações chinesas na bolsa de valores de Hong Kong são negociadas com ganhos de 15 vezes. No segmento de private equity, as empresas investiram 3,2 bilhões na Índia em 147 transações no ano passado, ante 1,6 bilhão de dólares em 68 transações no ano anterior, de acordo com o Venture Intelligence Índia.

 

“Que a Índia oferece mais vantagens não é segredo para ninguém, porém os retornos futuros não alcançarão os ganhos estelares dos últimos três anos”, diz Siegel.

 

Vivek Paul, sócio do Texas Pacific Group e vice-presidente da Wipro, empresa indiana de tecnologia e de serviços, também se preocupa com as valorizações. Ele observa que embora os investidores chineses em private equity desfrutem hoje de uma fase de alta, já houve tempos menos favoráveis.   Os investidores indianos ainda terão de amargar reveses. “Na China, a valorização é mais realista e tem fundamentos práticos. Na Índia, os bons ventos começaram a soprar há três anos apenas.”

 

Um falso debate?

Paul acredita que a principal diferença entre Índia e China na hora de investir tem a ver com a situação do setor industrial de cada um dos países. Na China, diz ele, os negócios fluem através de múltiplas indústrias, de concessionárias a companhias de jogos para celulares e até leasing de equipamentos médicos; ao passo que na Índia, o foco é quase todo em tecnologia e serviços. A Índia vem desenvolvendo alguns serviços financeiros na área de varejo, diz Paul, mas a economia de consumo chinesa é mais avançada.

 

Sua preocupação com os mercados não está vinculada a nenhuma economia específica. Ele diz que os prêmios nos mercados emergentes estão baixos se comparados aos seus níveis históricos, criando com isso um risco sistêmico caso um colapso econômico em outra parte do mundo se torne contagioso.

 

Rahul Bhasin, sócio-gerente da Baring Private Equity Partners, diz que apesar das diferenças existentes nos dois países, ambos continuarão a se beneficiar da globalização. “Falam muito por aí em off-shoring e terceirização, mas o resumo da história é o seguinte: o mundo globalizou-se”, diz ele. “As pessoas trabalharão mais por menos em mercados como os da Índia e da China, e boa parte da produção migrará para esses países. Haverá uma migração global do consumo do mundo desenvolvido para o subdesenvolvido, e a uma velocidade como jamais se viu.”

 

Saber qual país seria melhor para investir é menos importante do que saber de que modo os pontos fortes e fracos de cada um afetarão um investimento específico, observa Stephen Sammut, senior fellow e professor de Programas Empresariais e Sistemas de Saúde da Wharton.   Sammut fez seus comentários quando moderava um debate que tinha como tema “China x Índia: os melhores investimentos de 5 anos”, durante congresso de Private Equity da Wharton.

 

“A idéia que se faz dos dois países, como se fossem adversários em uma guerra em que ambos procuram atrair um volume maior de capital de risco, ou de capitais para possíveis aquisições de controle acionário, é um modo totalmente equivocado de compreender ou situar os acontecimentos”, salientou Sammut. “Na verdade, eles representam mercados significativamente diferentes em vários níveis.”

 

Em primeiro lugar, Sammut disse que a natureza do empreendedorismo na Índia é diferente do empreendedorismo chinês, porque diversos empreendedores indianos já tiveram a oportunidade de trabalhar no exterior como expatriados em inúmeras atividades diferentes. “Isso fica evidente no tipo de negócio desenvolvido por eles, principalmente no segmento de tecnologia da informação, e também no ritmo com que essa tecnologia migra para outros países.” Sammut disse ainda que a Índia tem uma vantagem no segmento de saúde, graças aos avanços do país nas áreas de biotecnologia, farmácia e telemedicina, porém a China deve alcançar em breve os indianos.

 

A verdadeira promessa de ambos os países, acrescentou, repousa no desenvolvimento de seus mercados internos. “Ambos têm uma classe média em rápida ascensão. São centenas de milhões de pessoas que perseguirão o mesmo padrão de vida das demais populações do mundo”, disse.

 

Temporada de valorizações

Outros participantes do debate envolvidos com atividades de private equity na Índia e na China expuseram os pontos positivos e negativos dos dois mercados durante  o congresso da Wharton ao debaterem o tema: “Retornos induzidos: investimentos de valor agregado”.

 

Mukund Krishnaswami, diretor-gerente do Krilacon Group, empresa de investimentos com escritórios em Nova York e na Filadélfia, concorda com Siegel no tocante ao atual clima de investimentos na Índia. “A longo prazo, creio que Índia oferece excelentes retornos. O país cometeu muitos erros nos últimos 45 anos. Apesar disso, há muita coisa boa acontecendo, e se agora eles acertarem o passo, haverá oportunidades fabulosas daqui a 25 anos”, disse Krishnaswami. “A curto prazo, minhas expectativas são menores. Os prêmios de risco estão restritos a poucos ativos, portanto não vale a pena investir muito na Índia atualmente.”

 

Krishnaswami aconselhou os investidores a observarem o que está acontecendo na economia de modo geral, e não só o que está na moda, como tecnologia da informação e imóveis, entre outras coisas. “Investiguem aqueles segmentos resultantes do crescimento econômico e trabalhem com uma perspectiva de 12 a 25 anos. Quem fizer isso será regiamente recompensado pelo risco incorrido.”

 

Outro debatedor presente à discussão, James Hahn, CEO da Global Venture Network e sócio-gerente da China Private Equity Partners, com operações em Hong Kong, disse que um fluxo muito grande de capital poderia prejudicar os retornos dos investimentos de private equity na China, mas crê que isso só deva acontecer   depois  da Olimpíadas de 2008 ou da Exposição Mundial de Xangai, em 2010.

 

As empresas chinesas bem administradas estão crescendo a uma taxa de 30% internamente e 30% globalmente, disse Hahn. “Uma boa empresa operando em um bom mercado macro é uma excelente fórmula de sucesso.” Hahn disse que há pelo menos 3 milhões de companhias privadas na China. Desse total, sua empresa acredita que, atualmente, 300.000 poderiam listar suas ações na Nasdaq ou na NYSE. Dessas 300.000, 1%, ou 3.000 empresas — “jóias” muito bem administradas — atendem às exigências da lei Sarbanes-Oxley. É um número que tende a crescer.

 

Hahn salientou que sua empresa investe em companhias cujas administrações atendem aos requisitos do estado de direito americano e aos seus padrões contábeis. “Estamos dispostos a gastar tempo com qualquer CEO chinês que tenha dado o primeiro passo para que sua empresa possa ser auditada pelas regras americanas dos princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP). Estamos apostando nesse líder.”

 

Hahn disse também que embora os rendimentos dos melhores fundos de private equity de dez anos, de 1986 a 2003, tenham sido de 12%, e de 11,9% para os fundos de hedge, os vencimentos do setor de private equity americano tem apresentado desempenhos medíocres semelhantes aos dos mercados financeiros. Muitos investidores americanos ficam contentes quando conseguem retornos de 5%, observou. Na China, hoje, o investimento médio é de 5 milhões de dólares por uma participação de 30% em uma companhia chinesa em fase de crescimento e com rendimento bruto de 10 milhões, renda líquida de 3 milhões e valor prévio à abertura do capital de 15 milhões de dólares, ou cinco vezes sua renda líquida. Empresas americanas de capital aberto em setores de crescimento elevado como saúde, mídia e educação, são negociadas a índices de preço-lucro de 25 vezes. Comprar na baixa e vender na alta gerou um retorno mínimo de 100% ao ano para um fundo de cinco anos com 100 milhões de dólares em carteira na China, disse Hahn.

 

“Essa arbitragem pelo índice preço-lucro tem um histórico de desempenho extraordinário. Já atingimos esse nível de desempenho, e todo o mundo que conhecemos na China também”, disse. “É assim que as coisas acontecem hoje até o momento em que os mercados se tornarem mais eficientes.”

 

Xiaojun Li, diretor da IDG Venture Investment, observou que tem expectativas positivas de longo prazo em relação à China por causa de sua crescente classe média e do potencial do país para o mercado de consumo. Ele ressaltou que há mais usuários de Internet e engenheiros na China do que em qualquer outro país, e que a China tem também uma forte cultura empresarial. “É preciso ter paciência”, disse.

 

Embora alguns analistas tenham predito que a China rivalizará com a Índia no setor de serviços, acrescentou Li, ele não crê que isso possa de fato acontecer. Embora empresas japonesas terceirizem alguns serviços para a China, disse, a manufatura continuará a ser o principal setor da economia chinesa.

 

Mercados de capital em evolução

Outro debatedor presente ao encontro, Seth Freeman, um dos fundadores e CEO da EM Capital Management, expôs de que maneira sua empresa utiliza as ferramentas quantitativas para filtrar as 7.000 empresas listadas do país em busca de oportunidades. Freeman observou que, na Índia, muitas empresas listadas comportam-se como se fossem de capital privado, porque se acham sob controle rigoroso, geralmente dos fundadores.

 

“Creio que o investidor global em private equity deve se esforçar ao máximo para compreender a motivação dos gerentes fundadores”, disse Freeman. “Nossa estratégia consiste em identificar e selecionar empresas dispostas a abraçar a governança corporativa global, e outros conceitos do momento, capazes de dar mais liquidez às suas ações.”

 

Freeman disse que Cingapura está disposta a se tornar para a Índia e países vizinhos o que Hong Kong é para China. “Há outros investidores asiáticos desejosos de investir na Índia — como os japoneses, por exemplo, que se mostram cada vez mais interessados no país.”

 

Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, a Índia fez um esforço tremendo para promover uma imagem de nação amiga dos negócios e pronta para receber investimentos. Numa atitude que parecia proposital para coincidir com o fórum, o governo suspendeu as limitações para investimentos diretos externos. A mudança mais notável foi no varejo: as empresas estrangeiras de marca única — como a Nike, por exemplo —, poderão adquirir participação majoritária nas lojas indianas. O governo decidiu também suspender as barreiras que limitavam o investimento direto externo na construção de aeroportos, na mineração de diamantes e outras pedras preciosas, bem como na comercialização de energia.

 

Contudo, a Índia continua muito atrás da China no que diz respeito ao investimento direto externo, num total de 5,3 bilhões de dólares, em 2004, ante 55 bilhões investidos na China. “O investimento direto externo é lento na Índia em comparação com a China, mas os indianos estão dispostos a melhorar esse índice”, disse Siegel.

 

Parcerias locais são imprescindíveis

O direito de propriedade é uma das pedras de toque da economia indiana. Embora o ordenamento jurídico do país ofereça mais proteção aos direitos de propriedade do que a China, ele não o faz com a necessária velocidade, disse Krishnaswami. “A Índia tem leis excepcionais de proteção à propriedade”, observou, “mas não pense que pode contar com elas”. Krishnaswami disse que um caso levado ao tribunal demora de sete a dez anos para ser julgado. Um pedido de falência pode levar de três a quatro anos.

 

Em um ambiente desse tipo, disse Freeman, as parcerias são fundamentais. “Você precisa saber muito bem com quem faz negócios. Se o pessoal local não confia no sistema jurídico do país, é loucura pensar que um estrangeiro haveria de confiar”, disse. “O conhecimento do marketing local é indispensável. Se você quiser ser bem-sucedido, não pode transferir simplesmente sua experiência com o mercado de private equity dos EUA ou da Europa para esses mercados.”

 

Li disse que apesar da reputação de paraíso dos piratas da propriedade intelectual, a China hoje leva a sério essas queixas. “Minha previsão é de que, com o tempo, a proteção à propriedade intelectual melhore”, disse.

 

Tanto a China quanto a Índia assinaram recentemente o Acordo da Organização Mundial do Comércio sobre Aspectos de Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, ou TRIPS. Contudo, Sammut disse que é cedo demais para dizer se os países emergentes acatarão logo as exigências do acordo. “Ambos os países passaram por mudanças muito velozes nas diretrizes e nas leis básicas que tornaram possíveis realizar transações ao estilo ocidental. Os dois abraçaram recentemente o TRIPS, portanto a infra-estrutura jurídica terá de evoluir rapidamente. Se a experiência ocidental puder ser tomada como prólogo disso, será necessária uma década ou mais para que tal estrutura atinja sua maturidade funcional.”

 

Venkateshwaran Raja, chefe do Grupo de Oportunidades Imobiliárias do Deutsche Bank da Índia, disse que enquanto o governo manteve as regras financeiras sob rígido controle, impondo limites aos investimentos estrangeiros até princípios dos anos 90, a indústria imobiliária do país patinou.   Desde então, o crescimento econômico sustentado, a queda das taxas de juros e uma classe média cada vez maior, e empregada no setor de serviços, provocaram um boom no mercado imobiliário.

 

“Nos últimos dez anos, houve uma confluência de fatores que tornou o mercado imobiliário mais eletrizante”, disse Raja. “Em anos recentes, a remoção, pelo governo, das barreiras de acesso ao setor— aliada à entrada de vários fundos de fontes domésticas e externas —, fez com que o nível de qualidade do mercado subisse.

 

O mercado imobiliário é cíclico, enfatizou, prevendo que deverá haver uma correção, porém a Índia não é vulnerável ao tipo de colapso imobiliário ocorrido nos EUA depois da enorme ressaca que atingiu o setor da construção civil no início dos anos 80. “O crescimento do mercado imobiliário pode parecer meio confuso quando olhado do lado de fora”, disse, “mas tem havido progressos internamente”.

 

Enquanto isso, na China, membros da administração de regulamentação do setor bancário sugeriram a exclusão dos empréstimos tomados pelo mercado imobiliário das medidas de controle do governo postas em vigor no ano passado para esfriar o setor de investimentos em propriedades. Em 2005, o financiamento bancário para o setor imobiliário, que responde por cerca de 50% dos negócios de crédito dos bancos, teve uma queda de 80% em relação aos níveis de 2004. Ao mesmo tempo, os bancos estrangeiros aumentaram seu negócio de crédito imobiliário em 14,4%.

 

Os mercados bancário e de financiamento são críticos para os investidores em private equity tanto na Índia quanto na China, disseram os debatedores presentes ao congresso da Wharton. Freeman disse que vê com otimismo o futuro dos bancos na Índia, e que o setor ali deverá tomar rumo semelhante ao do México, onde um número elevado de bancos pertence a estrangeiros. “Essa situação pressiona o sistema bancário local para que tome medidas mais pró-ativas para manter os livros contábeis livres de equívocos. Com o passar do tempo, veremos um número maior de bancos chineses e indianos dispostos a atrair os bancos estrangeiros […] Isso mudará a concorrência no sistema bancário local.”

 

Hahn disse que a estrutura financeira da China sofre com a falta de capital intermediário, e as grandes empresas de Wall Street não estão interessadas em negócios pequenos no país, isto é,   que não gerem remunerações polpudas. “O tamanho ideal de um fundo estrangeiro de private equity na China, hoje, é de 200 milhões de dólares”, disse. “Fundos de hedge com carteiras multibilionárias acorrem hoje a Hong Kong para abrir escritórios, mas são incapazes de empregar seu capital de maneira eficiente.”

 

Portas de saída

Sammut enfatizou durante o congresso da Wharton a importância das portas de saída para os investimentos em private equity. Ele disse que as empresas indianas acham-se mais fortemente vinculadas às suas colegas americanas do que suas contrapartes chinesas. Prova disso é o grande número de empresas indianas com escritórios nos EUA. Quem investe nessas empresas tem uma alternativa de saída nos EUA, ou então pode recorrer a uma oferta pública inicial de ações. As companhias chinesas, disse Sammut, poderão reproduzir futuramente esse modelo.

 

Krishnaswami ressaltou que embora seja fácil investir em empresas públicas na Índia, graças a transações semelhantes a um acordo estritamente privado, a saída do investimento pode não ser tão simples. Os mercados de capital aberto da Índia, disse ele, são ilíquidos e muitas companhias indianas têm índices de negociação baixos demais por causa das poderosas corretoras locais. “É difícil sair até mesmo em empresas de capital aberto”, observou.

 

O mercado indiano mostrou objetivamente sua   capacidade de absorver saídas expressivas quando a Warburg Pincus, uma empresa internacional de private equity, vendeu no ano passado 560 milhões em participação acionária na Bharti Tele-Ventures, a maior empresa de telefonia móvel da Índia com ações em bolsa. Na transação, realizada na Bolsa de Valores de Bombaim, foi negociado o maior bloco de ações da história do mercado indiano. Foram necessários surpreendentes 28 minutos para consumar a transação, o que levou os observadores do mercado acionário indiano a detectarem uma densidade e uma maturidade inesperadas em seus mercados acionários.

 

Hahn citou vários casos de saídas bem-sucedidas feitas por empresas chinesas. A Golden Meditech, empresa de capital de risco, investiu 5 milhões de dólares na China Medical Technologies, que abriu o capital em agosto de 2005 na Nasdaq. Esses 5 milhões em investimentos valem agora 280 milhões de dólares, um retorno estimado de 70 vezes o valor inicial do investimento em 30 meses.

 

Contudo, o investimento em private equity não é diferente de outros investimentos isentos de risco. Sammut perguntou aos debatedores que eventos inesperados ou improváveis poderiam abalar os mercados da Índia e da China.

 

Li citou a saúde ou o meio ambiente como possíveis áreas problemáticas para a China. Krishnaswami mencionou também possíveis questões ligadas ao meio ambiente na Índia. “O problema na Índia não é político”, disse. “É água limpa.”

 

Hahn assinalou que o maior risco para a China seria um colapso em Wall Street decorrente de vários problemas em potencial, como uma provável bolha imobiliária nos EUA, crise na saúde, uma população em rápido processo de envelhecimento ou um declínio prolongado em inovações. “Se o mercado americano se desvalorizar, e isso afetar as valorizações no mundo todo, inclusive na China, então todos sairemos perdendo.”

 

A demografia também modelará o futuro da Índia e da China, à medida que a população de idosos for se tornando cada vez mais dominante na América do Norte, Europa e Japão, diz Siegel. A política de um filho por casal na China fará com que a população do país envelheça mais rapidamente do que a da Índia, o que deixará a China em uma situação em que muitos aposentados terão de ser sustentados por um conjunto cada vez menor de trabalhadores. Em meados do século, os grupos etários mais populosos da Índia terão entre 40 e 50 anos, enquanto na China essa população terá entre 55 e 65 anos, assinala Siegel recorrendo a dados das Nações Unidas.

 

Sammut disse que a chave para o sucesso dos investimentos em private equity em ambos os países depende menos do que acontece em Nova York, Londres ou outras capitais financeiras, e mais do que se passa em aldeias em desenvolvimento cobertas de pó da Índia e da China. “O x da questão consiste em saber com que rapidez seus mercados internos se desenvolverão.”

 

Em um mundo cada vez mais complexo, e que evolui a um ritmo cada vez mais vibrante, qualquer discrepância entre os dois países não deve durar muito. “Em certos setores, a Índia é provavelmente um local mais convidativo para os investimentos neste momento”, disse Sammut, “mas a desvantagem da China em relação à Índia, no que diz respeito aos negócios, não será mais tão significativa por muito tempo”.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"China ou Índia: qual dos dois é o melhor investimento de longo prazo para as empresas de private equity?." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [14 June, 2006]. Web. [18 November, 2017] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/china-ou-india-qual-dos-dois-e-o-melhor-investimento-de-longo-prazo-para-as-empresas-de-private-equity/>

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"China ou Índia: qual dos dois é o melhor investimento de longo prazo para as empresas de private equity?" Universia Knowledge@Wharton, [June 14, 2006].
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