Como a incerteza afeta o financiamento das organizações de microcrédito

O microcrédito mostrou que é uma ferramenta importante para tirar as pessoas da pobreza através de empréstimos com taxas de juros baixas para os que não têm acesso ao crédito tradicional. Muitos estudos analisaram os resultados dessa estratégia para quem contrata um empréstimo desses, porém poucos examinaram de que maneira as organizações de microcrédito conseguem o capital de que necessitam, especialmente em tempos de inquietações políticas e econômicas nos países. Em sua última pesquisa, Tyler Wry e Adam Cobb, ambos professores de administração da Wharton, juntamente com Eric Zhao, professor da Universidade de Indiana, se debruçaram sobre o financiamento para as empresas de microcrédito.

Wry e Cobb conversaram recentemente com a Knowledge@Wharton sobre seu estudo “Financiando a inclusão financeira: lógica institucional e contingência contextual de financiamento para empresas de microcrédito” e suas implicações [Funding Financial Inclusion: Institutional Logics and the Contextual Contingency of Funding for Microfinance Organizations].

Segue abaixo a versão editada da entrevista.

Knowledge@Wharton: Em sua pesquisa, vocês analisaram o financiamento das empresas de microcrédito. Quais as principais perguntas que vocês estavam tentando responder?

Tyler Wry: Já faz algum tempo que Adam e eu analisamos o microcrédito em diferentes situações, assim como o Eric. Uma coisa que surpreende um pouco nesse segmento é o fato de que o crédito está sendo oferecido aos pobres. Contudo, o dinheiro usado para financiar esses empréstimos não vem de um banco típico em que primeiro se mobilizam os depósitos para depois se conceder os empréstimos. No microcrédito, recorre-se aos financiadores upstream, sendo que as empresas de microcrédito funcionam mais como uma espécie de canal do fluxo. Ninguém analisou de fato de que maneira funciona esse tipo de financiamento. Tivemos acesso a dados excelentes através do Microfinance Information Exchange, o que nos deu a oportunidade de analisar como o financiamento upstream pode servir de instrumento de análise do impacto downstream (sua aplicação)

A literatura mostra que o microcrédito de um país funciona melhor quando se tem uma ecologia robusta de diversos tipos de credores para essa indústria. O que se quer são empresas maiores, consolidadas, de caráter mais comercial e lucrativas. Contudo, deseja-se também que haja empresas menores, menos lucrativas que não sejam ainda tão sustentáveis financeiramente porque, talvez, estejam ainda em fase de busca de clientela. É preciso que haja financiamento para todas essas empresas, de modo que se garanta um alcance sustentável, boa concorrência e, principalmente, um setor de modo geral saudável. Portanto, queríamos saber como o financiamento flui para esses diferentes tipos de empresas de microcrédito e quem são seus diferentes financiadores. Ocorre que cerca de US$ 30 bilhões ao ano que pudemos rastrear vão para o setor de microcrédito no mundo todo anualmente. Ele provém basicamente de duas fontes. Uma delas é constituída de credores comerciais, principalmente da Europa Ocidental e dos EUA, cujos objetivos são comerciais. Eles querem seu dinheiro de volta. Talvez queiram também algum retorno social sobre o investimento feito. Na verdade, porém, esse é um capital de risco, o dinheiro será emprestado, mas o credor quer retorno. Por outro lado, há bancos em desenvolvimento e agências multilaterais de ajuda. Estes estão mais interessados em financiar o desenvolvimento do setor.

Quando as coisas funcionam bem, há credores comerciais que financiam as grandes empresas comerciais de microcrédito, e há empresas públicas que financiam as menores, não sustentáveis. Ninguém tinha analisado isso. Portanto, o objetivo principal da nossa análise consistiu simplesmente em saber se era isso de fato o que acontecia na prática, porque há quem diga que não é isso o que acontece. O que constatamos foi que, na verdade, é isso mesmo. Em um estado de equilíbrio, observa-se o funcionamento dessa ecologia do jeito que ela deve funcionar. Tudo se encaixa perfeitamente. Quando, porém, analisamos a incerteza em um país ─ incerteza política, financeira, ambiente volátil, fica um pouco menos claro de que maneira as estratégias prévias de investimento vão funcionar ─ vê-se todos os financiadores recuarem para um local seguro nas grandes empresas de microcrédito. São financiadores públicos e comerciais e isso é algo que se acha associado a resultados bastante adversos nos setores de microcrédito de um país. Essa é a essência do estudo e o que de mais importante descobrimos.

Knowledge@Wharton: Você apresentou várias hipóteses sobre empresas de microcrédito e como elas são financiadas. Algumas se sustentaram, ao passo que outras foram de certa forma uma surpresa. Diga-nos quais foram as lições que vocês tiraram desse estudo.

Adam Cobb: Não ficou muito claro para mim se o estudo sairia do jeito que esperávamos. Há, de modo especial, um certo volume de trabalho constituído na maior parte de evidências testemunhais segundo as quais há forte concorrência entre esses financiadores mais públicos e os financiadores comerciais, sendo que ambos têm como alvo organizações muito grandes, sustentáveis e lucrativas. Se examinarmos agora a literatura de microcrédito, a evidência mostra que eles estão mirando o mesmo tipo de credor. Pelo menos em estado de equilíbrio, esse não parece ser o caso. Revelar isso foi uma bela descoberta. Eles fazendo de fato o que professavam fazer e, provavelmente, o que deveriam estar fazendo. Contudo, ao mesmo tempo, até coisas que estão um pouco mais distantes, ou em um nível superior, como a incerteza política ou financeira, afetam as decisões que estão sendo tomadas por esses financiadores comerciais e públicos separados por meio mundo. Na verdade, eles estão atentos a essas coisas e adotam, por causa disso, estratégias conscientes. Não é isso, exatamente, o que muita gente esperaria.

Tivemos a oportunidade de conversar com algumas dessas pessoas. Elas disseram: “Sim. É isso exatamente o que fazemos. Não faz muito sentido investir em credores menores, menos sustentáveis, se o desempenho da economia está realmente ruim e essas empresas podem acabar desaparecendo. Preenche nossa missão social.” Outra coisa surpreendente foi que eles ainda se sentem como se estivessem atrelados a essa missão social, embora estejam mudando sua estratégia de empréstimo, algo que não esperaríamos. Isso seria mais uma mudança em sua ideologia ou uma mudança de estratégia. Eles não percebem que uma mudança no comportamento de investimento está associada a uma mudança de estratégia. Para eles, ambas as coisas são compatíveis.

Knowledge@Wharton: Mas essa mudança no comportamento de investimento tem implicações para quem recebe empréstimos ou para a própria empresa? Com relação ao seu estudo, quais seriam algumas implicações práticas? Se eu tiver uma empresa de microcrédito, especialmente se for pequena ou que esteja localizada num ambiente de incertezas, o que posso fazer?

Wry: Há implicações para as empresas, e há o que podem fazer e o que deveriam fazer. Partindo do que o Adam estava dizendo, uma das coisas realmente surpreendentes da nossa descoberta é que em tais condições de incerteza, se você tiver uma pequena empresa de microcrédito, uma que seja bem administrada e dando um retorno razoável para o seu investimento, há uma boa chance de que numa situação em que as coisas se tornem incertas, você perderá esse financiamento. Isso o deixará em uma posição realmente precária.

Ao mesmo tempo, tais formas de incerteza política e econômica também são coisas que podem deixar as pessoas à beira da pobreza, ou na pobreza mesmo. Em outras palavras, à medida que isso acontece, à medida que as pessoas estão mais propensas a se desesperar e a empobrecer mais, as empresas mais visadas para atender suas necessidades são aquelas que ficarão mais rapidamente sem seus fundos. Essa é a grande questão, e não há resposta fácil para o que pode acontecer aqui.

No estudo, discorremos sobre algumas coisas diferentes. Uma delas tem a ver com o aspecto político. O governo deveria, provavelmente, tomar providências para intervir e dispor de fundos de reserva de capital de emergência, alguma coisa para restaurar o financiamento das organizações onde ele está secando devido às incertezas da situação. É dessa maneira que se garantirá o fluxo de dinheiro para as pessoas que precisam dele, além de garantir a base para um setor sadio de microcrédito no momento em que as coisas se acalmarem. Além disso, como o tamanho parece ser o grande impulsionador das decisões de investimentos em clima de incerteza, existe a especulação de que talvez empresas de microcrédito menores, ainda não sustentáveis, possam se unir. Elas poderiam trabalhar juntas, se fundir, fazer outras coisas para conseguir algumas das vantagens que têm as empresas de grande porte para concorrer a empréstimos que estão progressivamente chegando à faixa superior do mercado.

Cobb: Outra coisa que descobrimos ─ e que não enfatizamos muito no estudo ─ é que com esses credores de microcrédito, relatórios melhores e mais transparentes parecem ajudar um pouco. Isso é uma coisa de custo relativamente baixo. Além disso, indica que muita coisa tem a ver com risco, portanto qualquer coisa que os credores das empresas de microcrédito possam fazer para que a empreitada pareça menos arriscada ─ mais transparência, qualquer coisa que o governo possa fazer que garanta a concessão de empréstimos etc. ─ ajudará a garantir que a estrutura de crédito das empresas de microcrédito permaneça estável durante tempos de incertezas.

Knowledge@Wharton: No momento em que essas empresas de microcrédito de menor porte fizerem algo que as tornem mais atraentes em tempos de incertezas, é preciso que tenham também em mente de que maneira isso poderia afetar seu alcance social. Organizações de maior porte talvez estejam fazendo um trabalho social de forma diferente. À medida que as empresas crescem, a forma de administração muda. Parece-me que o seu estudo também tem algum conselho a dar para as empresas de microcrédito. Se forem pequenas, tentarão crescer para evitar os efeitos causados pela incerteza. É preciso que tenham também em mente de que maneira isso afeta o modo como elas estão alcançando as pessoas? Como isso afeta o modo pelo qual elas atraem clientes?

Wry: Sem dúvida alguma existe esse aspecto. No estudo, analisamos as implicações da transferência do dinheiro para empresas de grande porte, bem como o alcance social de empresas de microcrédito pequenas em comparação com as grandes. Sua pergunta toca realmente em uma questão maior: existe uma relação entre tentar impulsionar o crescimento de uma empresa de microcrédito a partir de algo um pouco menor, mais focado no alcance, talvez uma operação mais específica, e algo maior, mais autossustentável no plano financeiro que possa atrair capital comercial.

Quando você se desloca nesse mundo, a conclusão a que se chega se torna realmente importante. Não é apenas o tamanho, mas também seu desempenho. Uma forma de melhorar seu desempenho é sacrificar o alcance social sob alguns aspectos. Assim, é importante, especialmente se o ambiente for incerto e se você estiver dando esses passos para tentar afugentar a tempestade, que você pense nas implicações disso mais adiante. Uma coisa é entrar no mercado de capital comercial, mas se isso significa que você está se distanciando da missão social e não está ajudando de fato o setor de microcrédito como algo que trate da pobreza, há implicações maiores que merecem definitivamente sua atenção.

Cobb: Em parte, a razão pela qual esse contexto é interessante para as pessoas em nosso campo se deve ao fato de que há uma tensão entre o desempenho financeiro e o alcance social. Houve um grande esforço no sentido de tentar pôr fim a essa tensão e analisar sob quais condições as empresas são mais propensas a se confrontarem. O que acontece quando você tenta trocar essas duas coisas? É possível que haja, na mesma empresa, aqueles que estão realmente interessados no desempenho financeiro e outros realmente interessados no alcance social. De que maneira você equilibra esses interesses dentro das empresas? Essa é uma das mais belas coisas para quem estuda o contexto.

Ao mesmo tempo, não há resposta fácil. Se você estiver totalmente concentrado no alcance social, se há coisas como incerteza financeira ou política, talvez seja melhor você sair do ramo. E isso não resolve nada. No entanto, se você estiver focado demais no desempenho financeiro, então pelo menos o que o microcrédito aspira fazer é ajudar os que estão sendo deixados de fora do setor financeiro e não conseguem tomar empréstimos. Portanto, essas empresas procuram chegar a um equilíbrio. Isso não significa que não haja um jeito certo a seguir por todas. Contudo, o que se espera é que você tenha uma espécie de ecossistema de credores de microcrédito em um país que abarque o espectro. Alguns que talvez sejam um pouco mais focados no desempenho financeiro serão capazes de atingir diferentes partes da população.

Wry: Uma coisa que esperamos destacar nesse estudo é o fato de que, ao mostrar que a psicologia se dissolve à medida que a incerteza avança, esperamos que isso seja suficiente para que as pessoas do setor pensem no assunto e em suas implicações. O que podem fazer para permanecer leais não apenas à sua missão mais específica, mas também aos objetivos mais amplos de suportar o setor em sua inteireza?

Knowledge@Wharton: Que percepções equivocadas são desfeitas pela pesquisa?

Cobb: Creio que um equívoco desfeito pela pesquisa é a ideia de que os financiadores públicos e comerciais estão expulsando uns aos outros. Mais especificamente, há uma grande preocupação na literatura do microcrédito que esses financiadores públicos não precisem do mesmo tipo de taxa de retorno sobre o capital, por isso estão oferecendo empréstimos a credores realmente grandes, estáveis e de bom desempenho nesses países e que podem oferecer taxas melhores e melhores termos de crédito. Na verdade, isso não está viabilizando o crescimento da infraestrutura, do ecossistema. Portanto, há uma grande pressão no sentido de que esses financiadores públicos invistam em empresas menores e menos sustentáveis. Pelo menos nos parâmetros por nós analisados, nossos resultados não indicam que esse seja um problema muito grande conforme indicam algumas evidências testemunhais. Creio que isso é definitivamente um fator.

Wry: Acho que é isso mesmo. A descoberta sobre a qual Adam está falando causou um grande tumulto na comunidade de microcrédito devido à ideia de que os financiadores públicos não estavam sendo fiéis à sua missão. Eles têm objetivos elevados de promover o desenvolvimento no setor. Se estivessem apenas investindo nas empresas maiores e mais seguras, tentando fazer com que suas empresas parecessem estar bem, fazendo sua equipe de investimentos parecer bem, isso teria sido um grande problema. E, na verdade, foi o que se viu em alguns casos de microcrédito em diferentes países.

No entanto, creio que uma coisa valiosa em relação à nossa descoberta foi ter colocado fronteiras nisso. Em parte, o que nos levou a fazê-lo foi o acesso a dados mais completos. As descobertas que ali estavam e que mostravam esse efeito de expulsão se baseavam em uma amostra limitada de credores de uma amostra também limitada de países. Bastava apenas olhar para os países da América Latina. Agora, com esse grupo maior de dados sobre os fluxos de capitais no mundo, temos realmente uma ideia mais ampla do que se passa. Com isso, podemos ver que há contextos nos quais ocorre o desalojamento, e é preciso fazer algo para lidar com ele.

Contudo, parece haver uma ligação com a incerteza política e financeira de um país. Enquanto em estado estacionário essas empresas parecem estar agindo de modo fiel à sua missão. A questão é que sua missão muda um pouco com a incerteza. Há inúmeras boas razões racionais para se comportarem desse jeito.

Knowledge@Wharton: O que diferencia essa pesquisa de outras também sobre microcrédito?

Cobb: Boa parte das pesquisas sobre microcrédito analisa a relação entre o que pede emprestado-tomador e se o microcrédito ajuda, ou não, a tirar as pessoas da pobreza. Essa sempre foi a promessa do setor. Ainda não se analisou, de fato, a relação entre o financiador e o tomador do microcrédito. O fato é que os credores do setor não operam como bancos, por isso não mobilizam seus depósitos e dependem de outras organizações para obter o capital necessário para emprestar. É algo que, imagino, se for dito a uma pessoa que tenha apenas um conhecimento informal de microcrédito, ela talvez nem sequer saiba que é desse modo que ela tem acesso ao dinheiro. De que maneira esse dinheiro chega e os termos que têm um grande impacto sobre a outra ponta da relação de quem toma emprestado-tomador. Acho que esse foi um dos grandes apelos que me levaram a tomar parte dessa pesquisa. Realmente isso ainda não foi explorado. Acho que esse é um bom primeiro passo para se analisar a importância da relação financiador-financiado. Isso não significa que a relação tomador-credor não seja importante, mas é preciso que olhemos efetivamente para toda a cadeia de suprimentos.

Knowledge@Wharton: Qual será sua próxima pesquisa?

Wry: Estamos conversando sobre uma porção de ideias diferentes. É engraçado pensar aonde isso poderá nos levar. Estamos conversando a respeito dos efeitos que as diferentes formas de capital têm sobre o comportamento das empresas. Nessa pesquisa, analisamos como os financiadores se comportam. Nas próximas, estamos pensando em levar isso para a empresa de microcrédito e analisar de que forma a composição do capital de um país afeta o comportamento das empresas.

Voltando a uma pergunta que você fez anteriormente sobre os efeitos disso no tocante ao comportamento da empresa onde ela está, executando seu trabalho, tentando emprestar aos pobres. Estamos começando a analisar de que modo essas empresas tomam decisões de empréstimos no tocante à forma como aplicam filtragens quando estão decidindo em quais empresas investir. Que pressões sofre a empresa, tanto direta quanto indiretamente? De que maneira os diferentes bolsões de capital disponíveis no país permitem que diferentes empresas prosperem? Ou como foi que toda a ecologia implodiu, conforme a incerteza que observamos na relação de financiamento. Na medida em que isso diz respeito a questões de finanças sociais, há implicações importantes para que se compreenda de que modo afetamos os resultados positivos, não apenas através da responsabilidade social corporativa e da ação social, mas também de que modo o dinheiro entra de maneira geral nas empresas. Gostaríamos de poder fixar fronteiras quando o investimento social tiver resultados positivos ante outros negativos.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Como a incerteza afeta o financiamento das organizações de microcrédito." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [04 October, 2016]. Web. [17 June, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/como-incerteza-afeta-o-financiamento-das-organizacoes-de-microcredito/>

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Como a incerteza afeta o financiamento das organizações de microcrédito. Universia Knowledge@Wharton (2016, October 04). Retrieved from http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/como-incerteza-afeta-o-financiamento-das-organizacoes-de-microcredito/

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"Como a incerteza afeta o financiamento das organizações de microcrédito" Universia Knowledge@Wharton, [October 04, 2016].
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