Como a inteligência artificial está dinamizando as tarefas do dia a dia

Para os fãs de ficção científica, a inteligência artificial talvez lhes traga à lembrança robôs como o C-3PO, o androide dourado falastrão, porém inofensivo, de Star Wars, ou Skynet, dos filmes do Exterminador, um computador engenhoso e sensível que subjugou a humanidade. Contudo, a IA é mais do que uma máquina com inteligência de nível humano que os cientistas esperam um dia criar. Ela é um conjunto de algoritmos e de tecnologias que já está por trás de muitas tarefas da vida cotidiana.

Quando o Google Fotos reúne imagens de pessoas usando o reconhecimento facial, o aplicativo emprega as técnicas de aprendizagem profunda da IA. Os chatbots que conversam com você no Yahoo, Facebook e outros sites usam a IA. O Alibaba recorre à aprendizagem profunda para encontrar uma bolsa que corresponda à da imagem do upload que você fez no site de compras da empresa. Assistentes digitais como o Siri, Alexa, Cortana e Google Assistant usam a IA para fornecer informações ou executar tarefas.

Os avanços prosseguem. Os computadores hoje são capazes de gerar uma imagem que 40% das pessoas confundiriam com a fotografia de um rosto, observa Lukasz Kaiser, cientista pesquisador sênior do Google Brain, que falou recentemente no congresso Fronteiras da IA, no Vale do Silício. Anteriormente, os computadores só conseguiam enganar cerca de 1/10 das pessoas. “Estamos muito próximos de gerar fotos que se parecem com rostos reais.” A IA também pode fazer buscas e consultar páginas da Web para criar um artigo, por exemplo, a biografia de alguém, com base em tudo a seu respeito disponível na Internet, disse Kaiser.

Há muitas empresas aderindo ao desenvolvimento da IA. Fank Chen, sócio de importante empresa de capital de risco, a Andreessen Horowitz, disse que muitas das cerca de 1.500 start-ups que sua empresa supervisiona anualmente começaram a se dedicar à IA há dois anos. “Agora, de 60% a 70% dessas empresas que acompanhamos se autoidentificam como start-up de IA”, disse ele durante o congresso. Chen previu que a IA se tornaria tão comum entre as empresas quanto os bancos de dados devido à sua grande utilidade. Os bancos de dados são “tão úteis que acabaram sendo usados por todos os aplicativos. Com a IA acontece a mesma coisa”, acrescentou. “A IA será usada por toda parte.”

Chen acrescentou que os investidores em breve deixarão de procurar especificamente por start-ups de IA e, em vez disso, partirão do pressuposto de que todas as start-ups vão usá-la de algum modo. É a mesma trajetória seguida pela tecnologia móvel e pela computação em nuvem. Em 2009, ser nativo da nuvem era “novo e diferente”, e as start-ups também começaram a se distanciar dos desktops e a se identificar principalmente com o meio móvel. “Agora, sempre que vemos uma start-up que não é nativa da nuvem e que não é sobretudo móvel, perguntamos: Qual o seu problema?’ A IA está passando exatamente pela mesma situação”, ele disse.

Start-ups de IA

As start-ups que usam IA podem fazer de tudo, desde usar drones para entrega de remédios até ajudar advogados a se preparar para o tribunal. Chen disse que sua empresa investiu na Zipline, uma start-up de IA que usa drones para transportar sangue para lugares remotos, como o oeste de Ruanda. O serviço é essencial para lugares de difícil acesso por via terrestre. “No momento em que um caminhão chega finalmente a seu destino pode ser tarde demais”, disse. O pessoal médico de campo usa um aplicativo para pedir sangue por tipo. Meia hora depois, um drone libera a encomenda do céu. O drone tem uma autonomia de 75 quilômetros e uma precisão de 1,5 metro. Chen disse que a Zipline está fazendo até 500 entregas por dia e pretende expandir.

A Everlaw ajuda os advogados a se preparar para os julgamentos. O primeiro passo em qualquer julgamento é a coleta de provas. A start-up usa a IA para fazer coisas como ler documentos para encontrar o que seja útil para o caso do advogado e identificar aqueles que precisam ser enviados à oposição para evitar a anulação do julgamento. “Os documentos são classificados automaticamente, de modo que você não perca os que são importantes”, disse Chen.

A Naturali é uma empresa chinesa que usa a IA e o reconhecimento de voz para acelerar o acesso aos aplicativos e o seu uso. Por exemplo, para solicitar um carro do Uber, você tem de destravar o celular e clicar no aplicativo do Uber, digitar o destino desejado, escolher o tipo de serviço e encomendá-lo. “Não seria ótimo se você pudesse simplesmente dizer ao celular “Uber destino Crown Plaza São Francisco” e, em seguida, o aplicativo do Uber providenciasse o carro?”, disse Dekang Lin, um dos fundadores da Naturali e diretor de tecnologia da empresa. “Nós atualizamos o aplicativo com interface de voz […] para traduzir a voz em cliques e toques na tela.”

O plano da Voicera é tornar as reuniões mais produtivas. A empresa criou o Eva, um assistente digital pessoal para o local de trabalho. Omar Tawakol, fundador e CEO da start-up, disse que as formas mais usadas de colaboração empresarial são as mensagens instantâneas e o e-mail. Contudo, durante essas reuniões, os empregados ficam desconectados do fluxo de trabalho e podem acabar se esquecendo de fazer os follow-ups. Além disso, “a grande maioria das conversas ficam perdidas no éter”, ele disse. Eva tomará notas, processará a reunião e enviará um resumo dela aos participantes. Pode-se instruir também o aplicativo para que execute comandos de ação, por exemplo, enviar uma cópia de uma apresentação a todos os presentes à reunião.

A Shield AI é uma start-up que desenvolveu drones que voam em situações de combate ou de crise. Por exemplo, os drones podem mapear um edifício em tempo real, criar mapas em 3D e identificar as pessoas em seu interior. “Atualmente, quando estamos em território hostil, enviamos jovens com armas para dentro dos prédios”, disse Chen.

A C3 IoT ajuda as empresas a resolverem seus problemas a partir de quatro grandes tendências da tecnologia: big data, computação em nuvem, IA e aprendizagem de máquina, além da Internet das Coisas IoT, conforme a sigla em inglês. Por exemplo, ela ajudou uma companhia de serviços públicos da Itália a detectar fraudes usando medidores inteligentes. Cerca de 3% da eletricidade daquele país é roubada, disse Zico Kolter, diretor científico de dados. Algumas pessoas chegam inclusive a colocar cabos de carros em torno do relógio de luz para fraudá-lo. “Prevemos a probabilidade de fraude e de recuperação de energia”, disse. Em outro caso, a start-up monitorava poços de petróleo e gás para ver qual deles tinha maiores chances de falhar e causar danos ao meio ambiente.

O BioAge Labs é uma start-up de extensão de vida que usa a aprendizagem de máquina para ajudar a prolongar a vida das pessoas. “Eles procuram pequenas moléculas na sua corrente sanguínea para predição da mortalidade”, disse Chen, cuja empresa investe na BioAge Labs. “O que eles fizeram com a aprendizagem de máquina foi identificar […] com quais moléculas trabalhar para a descoberta de uma droga que possa ajudar a prolongar a vida.”

A Airware é uma start-up de analítica de drones que atende a setores como o de mineração. Por exemplo, os donos de minas têm de seguir várias regras de segurança e uma delas consiste em usar pedras como marcadores de estrada para guiar os veículos. A regra exige que essas pedras sejam duas vezes mais altas do que a roda mais alta do veículo. Os donos de minas enviam pessoas para medir a altura das pedras. A Airware simplifica o processo usando drones para analisar as imagens e identificar as pedras pequenas demais. Ele consegue analisar também o grau de declive de uma estrada e recomendar aos motoristas que tomem outra rota para economizar combustível.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Como a inteligência artificial está dinamizando as tarefas do dia a dia." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [05 December, 2017]. Web. [12 December, 2017] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/como-inteligencia-artificial-esta-dinamizando-tarefas-dia-dia/>

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"Como a inteligência artificial está dinamizando as tarefas do dia a dia" Universia Knowledge@Wharton, [December 05, 2017].
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