Conforme a necessidade de cada um: a tecnologia se adapta às necessidades individuais

Embora muitos críticos digam atualmente que a Internet poderia tornar obsoletos os jornais, as revistas e a televisão, Jeff Weiner, vice-presidente sênior de pesquisa e mercado da Yahoo!, não acredita que isso seja possível.

 

Evidentemente, disse Weiner em fevereiro durante a Conferência sobre Tecnologia da Wharton, alguns bloggers — editorialistas online que colocam seu trabalho nos chamados weblogs, ou simplesmente blogs — são muito lidos hoje, tendo se tornado vozes influentes. Todavia, diversos meios de comunicação de massa, como o New York Times e a ESPN, impuseram-se como meios sólidos e populares também online. Os blogs podem criticar e complementar os meios de comunicação estabelecidos, mas não os substituirão a curto prazo.

 

A empresa de Weiner e sua rival, o Google, são excelentes guardiões da Web: eles não apenas monitoram uma boa parte do tráfego que flui pela Internet, como também, em certa medida, o controlam. Suas decisões sobre as configurações de busca e veiculação de publicidade no site determinam o que os usuários vêem quando utilizam o mecanismo de busca. Isso dá a Weiner uma posição vantajosa, que lhe permite observar a evolução da mídia. Para ele, os bloggers e seus defensores enganam-se quanto à natureza das mudanças por que passará a mídia pós-Web. O futuro, prognosticou Weiner, não pertence nem aos meios de massa nem aos meios de curta penetração, e sim aos consumidores, que, cada vez mais, adequarão as informações às suas necessidades e interesses. “No futuro, todos poderão reivindicar ‘sua mídia’ particular”, disse.

 

Exemplo disso são as páginas personalizadas que os internautas estão montando por meio de serviços como o My Yahoo! Nessas páginas, o usuário acessa seus blogs e jornais favoritos por meio de links. “O My Media permite às pessoas consumirem a mídia que desejarem”, explicou Weiner.

 

A tendência rumo a uma mídia mais pessoal não se limita unicamente à Web, disse. Seu equivalente musical é o tocador de música digital — os iPods são o exemplo mais evidente disso —, que permite ao usuário não somente fazer download de músicas, mas também mixá-las e armazená-las de diversas maneiras. No caso da televisão, temos os gravadores digitais de vídeo — TiVos — e os serviços de solicitação de vídeos via cabo. “Converse com alguém que tenha um TiVo. Ele lhe dirá que o aparelho mudou completamente sua vida”, observou Weiner. “Os usários do TiVo são apaixonados por ele.”

 

Os buscadores de Internet, por sua vez, também estão migrando para uma personalização maior, disse. Eles são cada vez mais eficientes — em geral, atendem à necessidade do usuário logo na primeira tentativa —, porque as empresas que se dedicam a esse segmento vêm aperfeiçoando cada vez mais seu software de busca; além disso, os usuários hoje são mais experientes. “Atualmente, milhões de buscas requisitadas são feitas uma única vez pelo usuário”, ressaltou Weiner. “Basta solicitá-las uma única vez.” Isto significa que os usuários já não digitam mais termos básicos confiados na sorte de encontrar o que procuram. Pelo contrário, as buscas hoje são mais complexas porque eles refinam ao máximo sua pesquisa.

 

Pesquisas difíceis de vender e indivíduos mal intencionados

Apesar do crescente desejo dos usuários pela customização da tecnologia, Weiner e outros debatedores presentes à conferência acreditam que, no caso do consumidor individual ou do cliente corporativo, a possibilidade de customização oferece alguns desafios pouco comuns em áreas como as de marketing, gestão de sistemas complexos e redução de custos.

 

A escalada das pesquisas ‘únicas’ nos mecanismos de busca, citada por Weiner, é um bom exemplo: a combinação de uma tecnologia mais aperfeiçoada e usuários mais experientes dificulta a venda de patrocínio das buscas, pelo menos das cotas maiores. Antes, uma empresa como a Yahoo!, por exemplo, vendia para um resort na Jamaica o direito de veicular um anúncio quando alguém entrasse com o termo “Jamaica”. Contudo, como a tecnologia permite ao usuário refinar sua pesquisa — digitando, por exemplo, “Jamaica”, “mountain-biking”, “resorts” e “crianças são bem-vindas” — o patrocínio desse tipo de busca, mais ampliado, torna-se menos interessante, uma vez que o usuário simplesmente o ignora.

 

Contudo, o setor de vendas comercializa com mais facilidade as buscas ampliadas do que as refinadas. “Não se pode vender uma pesquisa única”, disse Weiner. É muito mais fácil vender uma busca feita milhões de vezes do que uma única vez apenas. Para solucionar esse problema, o Yahoo! passou a oferecer, em 2000, lances online pelas buscas. “Qualquer um pode fazer um lance por uma palavra básica”, observou. “Pequenas empresas podem comprar 100 buscas. Com isso, todas as pesquisas passam a ter expressão monetária.”

 

A venda de termos de pesquisa, além de outros tipos de publicidade online, tem gerado bons retornos para a californiana Sunnyvale. Em 2004, a empresa teve receitas de 840 milhões de dólares, ou 58 cents por ação diluída, sobre um faturamento de 3,6 bilhões. Os lucros aumentaram 250% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas cresceram 120%. As ações produziram um retorno de mais de 200% em relação a um período de dois anos, encerrado em meados de março, em comparação com um retorno de 45% do Índice Total Stock Market, da Dow Jones.

 

Weiner acredita que as empresas de pesquisa online continuarão a refinar seu software, de modo que os mecanismos de busca serão capazes de ”reconhecer” os usuários, apresentando resultados ainda mais relevantes. “A busca personalizada pode ser considerada o ápice desse segmento.”

 

Hoje, por exemplo, quando alguém digita “Chicago” no Yahoo!, obtém os mesmos resultados. Ocorre que dois usuários diferentes podem ter interesses distintos. Um deles pode estar interessado em passar férias na cidade, enquanto o outro pode estar buscando informações sobre “uma banda de rock sofisticada dos anos 70”, disse Weiner. Teoricamente, um mecanismo de busca que reconhecesse um usuário saberia se ele tem interesse em viagens ou em bandas de rock do passado. Na verdade, um mecanismo de busca desse tipo funcionaria como um TiVo, ou como um filtro de spam: o usuário teria de “treiná-lo” informando-o sobre suas preferências e classificando os resultados por grau de interesse.

 

Weiner, como era de esperar, pinta uma imagem idílica da Web, mas admite que o meio, apesar dos avanços feitos, tem seus problemas. Alguns indivíduos — mal intencionados, segundo Weiner— vêm tentando desvirtuar os principais buscadores, procurando meios de enganá-los, fazendo com que incluam em suas listas sites que talvez não sejam muito populares, ou que nada tenham a ver com a busca feita pelo usuário. O Yahoo! está  testando alguns artifícios automáticos para lidar com o problema. Enquanto isso, o melhor contra-ataque consiste em “estabelecer regras válidas para todos, de modo que os interessados policiem as ações uns dos outros”, disse. “Esse é o segredo do eBay — ali há um grupo de pessoas dispostas a gastar parte do seu tempo para avaliar os vendedores.”

 

Atenção às peculiaridades das empresas

A exemplo do Yahoo! e do Google, as fabricantes de software para pequenas e médias companhias vêm se esforçando para tornar seus produtos cada vez mais personalizados, observou um grupo de debatedores que participou da conferência. Todavia, para esse grupo de empresas de software, os desafios que as aguardam são ainda maiores.

 

Afinal de contas, as buscas funcionam do mesmo jeito para todos: quem trabalha para empresas de grande porte utiliza os mecanismos de busca da mesma forma que os consumidores comuns. Já o mesmo não acontece com os softwares que rodam processos corporativos específicos, como os de contabilidade ou de gestão de relação com o cliente. Enquanto as grandes empresas podem se dar ao luxo de ter sua própria equipe de tecnologia da informação para customizar o software de acordo com seus interesses, pequenas e médias empresas, via de regra, não têm essa possibilidade. Assim, vêem-se obrigadas a recorrer a produtos já prontos, os quais, muitas vezes, atendem às suas necessidades de forma muito limitada.

 

“Precisamos nos concentrar mais nas necessidades das pequenas empresas”, disse Tim Levine, diretor de tecnologia da Earth Sun Moon Trading, varejista online de Grove City, na Pensilvânia. “Estou farto de ouvir falar em ‘soluções’. Isso é conversa fiada de empresas que querem empurrar seus produtos para as pequenas empresas.”

 

Levine quer um software que ele possa customizar de acordo com as particularidades de sua empresa. O problema é que a customização leva à complexidade, e a complexidade, como se sabe, sempre encarece os custos. “Existe um equilíbrio constante entre os produtos já prontos — que funcionam razoavelmente — e os customizados”, observou David Weiss, vice-presidente de soluções em tecnologia da informação da Intuit, fabricante de programas populares como o QuickBooks e o TurboTax. “É uma luta constante. Há os que querem produtos customizados; outros, querem apenas simplicidade.”

 

É possível que a solução do problema esteja a caminho, disse Taylor Collyer, diretor-sênior da Microsoft. Trata-se dos “serviços Web”, que oferecem às pequenas empresas acesso a softwares complexos e de alto nível online. A Internet permite que o software seja compartilhado — possivelmente com a cobrança de uma taxa aos usuários —, de modo que as pequenas empresas podem optar por programas sofisticados aos quais, de outra forma, não teriam acesso. Os “serviços Web”, acrescentou Collyer, “seriam extremamente vantajosos para os pequenos negócios. Com eles, essas empresas progrediriam de forma até aqui inédita.”

Citando a Universia Knowledge@Wharton

Close


Para uso pessoal:

Por favor, use as seguintes citações para referências de uso pessoal:

MLA

"Conforme a necessidade de cada um: a tecnologia se adapta às necessidades individuais." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [04 May, 2005]. Web. [25 February, 2020] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/conforme-a-necessidade-de-cada-um-a-tecnologia-se-adapta-as-necessidades-individuais/>

APA

Conforme a necessidade de cada um: a tecnologia se adapta às necessidades individuais. Universia Knowledge@Wharton (2005, May 04). Retrieved from http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/conforme-a-necessidade-de-cada-um-a-tecnologia-se-adapta-as-necessidades-individuais/

Chicago

"Conforme a necessidade de cada um: a tecnologia se adapta às necessidades individuais" Universia Knowledge@Wharton, [May 04, 2005].
Accessed [February 25, 2020]. [http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/conforme-a-necessidade-de-cada-um-a-tecnologia-se-adapta-as-necessidades-individuais/]


Para fins Educacionais/Empresariais, use:

Favor entrar em contato conosco para usar com novos propósitos artigos, podcasts ou vídeos através do nosso formulário de contato para licenciamento de conteúdo. .

 

Join The Discussion

No Comments So Far