Interdependência global: estariam os EUA e outros mercados lançando as sementes da próxima crise?

Apesar do crescimento renovado do PIB e de outros sinais positivos, os EUA ainda têm dificuldades a superar, observa Franklin Allen, professor de finanças da Wharton. Na verdade, o país pode estar caminhando para um voo de galinha que poderá levá-lo novamente à recessão. Isso depende de como diversos fatores evoluam nos próximos meses — ou mesmo anos — não só nos EUA, mas também no mundo todo. As taxas de juros globais, os mercados de propriedades e os déficits públicos exigirão atenção, observa Allen em recente entrevista concedida a Knowledge@Wharton.

Segue abaixo a versão editada da entrevista.

Knowledge@Wharton: Diversos especialistas parecem achar que a recessão dos EUA terminou faz alguns meses ou mesmo recentemente. O que o Sr. acha disso?

Franklin Allen: É possível que eles tenham razão. A recessão acabou. A questão é saber se a economia está passando por um voo de galinha e se vai entrar em recessão novamente.

Knowledge@Wharton: Quais são os sinais de que saímos da recessão?

Allen: O PIB está crescendo, e isso é o principal, os mercados financeiros estão em situação muito melhor. Embora não se saiba ao certo quanto do crescimento do PIB é devido ao clima de tranquilidade transmitido pelo Fed e à impressão de muito dinheiro pela instituição. Trata-se, porém, de um bom sinal. Existem vários outros fatores positivos. Os mercados de propriedade parecem estar se estabilizando e o desemprego, ao que tudo indica, não está aumentando no mesmo ritmo dos últimos meses, o que é um sinal bastante positivo.

Knowledge@Wharton: O Sr. mencionou o risco de um possível “voo de galinha”. Que fatores poderiam nos colocar novamente em dificuldade?

Allen: Vivemos num mundo de tal forma interdependente que qualquer coisa que aconteça no resto do mundo tem reflexos importantes nos EUA. Na Ásia, há boas e más notícias. A boa notícia é que os países da região parecem estar se saindo bem. A má notícia é que há bolhas na economia. Em Cingapura, por exemplo, no terceiro trimestre, os preços subiram 16%, o que é muito se considerarmos a situação da economia no mundo, além do fato de que a economia do país foi bastante afetada pela crise financeira. De acordo com analistas, é comum ver muita gente oriunda da China e da Indonésia com malas de dinheiro. Isto é sinal de parte do problema que estamos enfrentando.

Os bancos centrais perderam a noção do volume de crédito e de liquidez que vêm concedendo. Com isso, foi possível segurar a crise, conforme já havia ocorrido em 2003 e 2004. Contudo, esse comportamento está lançando as sementes de uma crise futura, o que realmente preocupa.

Knowledge@Wharton: O Fed parece estar desarticulando alguns programas que havia posto em ação — compra de títulos e coisas parecidas. Seria a hora certa para isso? O Fed estaria agindo de forma muito prematura outarde demais?

Allen: Antes de mais nada, acho que o Fed não deveria ter feito o que fez. Basicamente, é tarde demais. Contudo, as coisas vão se complicar na hora em que ele começar a desarticular os programas e, creio eu, num certo momento, elevar as taxas de juros. Isso vai mostrar a força, de fato, do sistema financeiro. Atualmente, os funcionários do Fed respaldam integralmente o sistema da forma como fizeram durante a crise, e com as taxas de juros muito baixas, a instituição concede um enorme subsídio principalmente aos bancos.

Uma das razões pelas quais os bancos estão se saindo tão bem se deve ao fato de que as taxas cobradas pelos empréstimos concedidos não baixaram tanto quanto as taxas de curto prazo. No momento em que as taxas de juros começarem a subir novamente, haverá uma mudança. Será interessante então observar a força que têm realmente os bancos.

Knowledge@Wharton: Com tanto apoio para os bancos, por que as pessoas se queixam de que é muito difícil conseguir empréstimo?

Allen: Sempre que há uma escassez de crédito, surge a questão: de qual lado do mercado brotam os problemas? Será que as pessoas não querem tomar empréstimos? Será que as instituições não querem emprestar? Em geral, os dois lados têm boa parte da culpa. No entanto, há sempre um grupo que quer realmente tomar emprestado, e é para esse grupo que os bancos não querem emprestar, porque se trata do grupo dos necessitados. É por isso que eles precisam do empréstimo, e é por isso também que ouvimos inúmeros relatos sobre gente que não consegue contratar um empréstimo. Tenho certeza de que muitas empresas querem tomar um empréstimo, mas não conseguem. Contudo, o número das que desejam investir e contratar grandes volumes de empréstimos na situação atual é algo questionável. Simplesmente não é um bom momento para a maior parte das empresas contratar empréstimos e investir.

Knowledge@Wharton: Outro efeito das taxas baixas de juros é o fato de que as taxas de hipotecas estão baixas demais. Elas se acham atualmente em níveis históricos de baixa, e têm se mantido assim há meses. O mercado de moradia é crítico para a recuperação dos EUA?

Allen: Tudo isso, volto a insistir, é parte de um esquema de bolhas. O Fed baixou tanto as taxas de juros que acabou dando uma força muito grande para esse mercado. Os preços pararam de cair e, em alguns casos, já começaram a subir. Contudo, a questão é saber se essa situação é sustentável. Quando as taxas subirem novamente, o que acontecerá? Por isso mesmo creio que a economia vai passar por um voo de galinha.

Knowledge@Wharton: Uma questão muito importante, mas que não tem sido discutida como deveria nos últimos tempos, e no entanto persiste, é a questão do déficit, que é enorme. Até que ponto é importante reduzir o déficit atual?

Allen: Costuma-se dizer que temos de fazer alguma coisa em relação ao déficit, mas não agora, talvez daqui a alguns anos. Há uma certa dose de verdade nisso, porém é algo que preocupa a médio e a longo prazo. Temos ainda problemas próprios da geração do baby boom, como despesas médicas e Seguridade Social. A situação desta última pode ser sanada com alguns poucos reparos. As despesas médicas serão um grande problema, e agora aparecem acrescidas de todas as dificuldades da recessão, arrecadação fiscal baixa e assim por diante. Temos de começar a nos preocupar com isso.

É claro que à medida que as taxas de juros forem subindo, seu custo será muito maior para o governo. Como a nossa dívida estará próxima de patamares de 100% do PIB em pouco tempo, cada percentual da taxa de juros equivale a outro percentual do PIB que teremos de pagar em forma de juros.

Knowledge@Wharton: O Sr. poderiaexplicar sucintamente por que o déficit é importante e de que maneira ele afeta nossa vida?

Allen: O déficit é importante porque as gerações futuras terão de arcar com esse fardo. Se imaginarmos que, a longo prazo, a taxa de juros real será de cerca de 2,5% — mesmo que você tome 100% do PIB, pagará apenas 2,5% em termos reais.

Seria um fardo pesado demais? Desde que você capitalize a níveis baixos, não há problema. Contudo, quando entram em ação programas de gastos e assim por diante, eles normalmente não são temporários. No momento em que você começa a gerir um déficit de 5% a 10% do PIB, ou mais, fica difícil diminuir esse percentual. Em poucos anos, esse valor estará bem acima de 100% do PIB, e aí teremos então os problemas que começamos a ver na Grécia — isto é, com 120% a 130% do PIB, a pergunta que se faz é a seguinte: as autoridades vão estabilizar esse valor e pagá-lo a longo prazo — de preferência pelo crescimento — de forma que se torne pequeno?

É uma situação arriscada. Se as pessoas acharem que você está inflando o déficit, as taxas dos títulos começarão a subir. Nesse caso, o déficit se torna um fardo porque você terá de tomar mais emprestado para pagar os juros. De repente, a coisa toda fica inadministrável e as pessoas param de emprestar. Foi o que aconteceu em muitos países ao longo da história. Nós, felizmente, ainda estamos longe disso.

A Grécia está à beira desse precipício. O Moody’s não rebaixou muito a nota do país, mas o S&P e o Fitch, sim. O Moody’s queria esperar para ver o que faria. A instituição está propondo um plano para o corte do déficit da UE , mas se as pessoas nos mercados de títulos acharem que tal proposta não merece confiança, haverá uma elevação dos spreads em relação aos títulos.

A Grécia poderá mergulhar nesse precipício nos próximos meses ou nos próximos anos. Veremos então como é doloroso o calote para um país soberano. O Reino Unido também tem problemas. Seu déficit é enorme e já elevou as taxas de juros. Resta saber se subirão mais ainda. Poderá haver uma corrida pela libra por causa disso.

Knowledge@Wharton: Dubai e a Grécia não são casos isolados. Seriam indicadores de problemas maiores à espreita?

Allen: O caso de Dubai, na verdade, foi um aviso de que instituições soberanas podem se tornar inadimplentes. Depois de Dubai, as pessoas começaram a olhar para a Grécia. Os spreads voltaram a subir chegando aos patamares onde estavam no início de 2009. Depois, caíram porque o ministro das finanças alemão disse que a Alemanha não consentiria com o default. Duvido que a Grécia seja socorrida por outros países da UE, principalmente pelos alemães. É por isso que ela voltou à ordem do dia.

Knowledge@Wharton: Será que o pior da Dubai World já passou?

Allen: Alguém disse na sala de aula — uma pessoa que, segundo me parece, é da região — que outros emirados estão tentando dar uma lição em Dubai. Creio que é isso, em grande parte, o que está ocorrendo. No entanto, enquanto o preço do petróleo continuar onde está no momento, não haverá dificuldade de longo prazo. Poderá haver alguns problemas entre Dubai e Abu Dhabi e outros emirados, mas não há nada de fundamentalmente preocupante.

Knowledge@Wharton: O reflexo do que aconteceu ali não vai repercutir pelo mundo?

Allen: Não, a menos que o preço do petróleo baixe. Se o preço baixar, sentiremos rapidamente os efeitos do que houve por lá. Contudo, já há desdobramentos na Grécia e o foco está lá agora.

Knowledge@Wharton: Voltando à situação dos EUA, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, disse há alguns dias que ao olhar em retrospectiva a crise recente, observa-se que a causa dela teve mais a ver com a existência de uma regulação frouxa que permitia padrões de subscrição e de hipotecas pouco rigorosas, além de coisas como a política insistente de taxas baixas do Fed a partir do início da década. O Sr. concorda?

Allen: Não. O Fed faz o que pode para evitar ser responsabilizado pela crise porque há muitas coisas acontecendo no Congresso que tirariam dele responsabilidades e poder, caso esse ponto de vista fosse aceito. Ele é duplamente culpado, porque estava supervisionando muitos dos bancos que fizeram a subscrição das hipotecas etc. É difícil negar isso. Para mim, o principal problema foram as baixas taxas de juros. A principal evidência disso é que não foram só os EUA que tiveram problemas semelhantes.

A Espanha tem uma regulação bancária muito boa, e não teve caso de hipotecas irresponsáveis com padrões de subscrição pouco rigorosos. Contudo, teve também problemas parecidos, ou até piores, porque a bolha era maior lá. Embora o Banco Central Europeu não tenha fixado explicitamente as taxas de juros em patamares baixos, de certa forma ele o fez. As taxas de juros ali estavam baixas demais dado o enorme boom que se verificava no país. Se olharmos para outras partes do mundo e fizermos uma retrospectiva histórica, veremos que as taxas de juros baixas são parte importante das bolhas.

Knowledge@Wharton: Observamos o ressurgimento notável do mercado acionário nos EUA e em outros países. Essa tendência persistirá?

Allen: Essa é uma das dificuldades de se ter uma política monetária frouxa. Ela tende a impulsionar o mercado acionário e criar bolhas. É o que vem acontecendo no mercado acionário atualmente. Há muito dinheiro fácil à disposição. Quando o Fed começar a restringir a oferta de dinheiro, veremos se o mercado acionário foi impulsionado por um […] fenômeno monetário. Muitos economistas negam a existência de um elo entre a política monetária e os preços dos ativos. Este, porém, será o grande debate.

Knowledge@Wharton: Alguns indicadores, porém, como os índices de preço/lucro, não estão em grande desacordo com o padrão histórico.

Allen: É verdade.Os lucros vão bem. Contudo, insisto, é preciso analisar o fenômeno monetário. O que vai acontecer à economia? Os lucros são sustentáveis? É o que vamos descobrir.

Knowledge@Wharton: Com relação à China, há várias histórias recentes dando conta de uma retomada de fôlego do país. Parece que os chineses saíram da crise mais depressa e de forma mais sadia do que muitos outros países. O Sr. concorda? Por quê?

Allen: A China tem duas grandes vantagens. Em primeiro lugar, sua situação fiscal é bastante sólida. A dívida do governo é relativamente pequena em comparação com a de outras economias grandes. Isso lhe dá condições de contrair empréstimos e gastar muito. Em segundo lugar, seu controle sobre a economia ainda é muito forte. O governo é dono de boa parte da indústria, dos bancos e muitas outras coisas.

Isto significa que os chineses podem estimular facilmente a economia. Uma das dificuldades que enfrentam, porém, são os preços das propriedades, que em Pequim e Xangai vêm subindo rapidamente. Seria o início de uma bolha? E se essa bolha explodir, seria um problema para a China? O país precisa deixar de privilegiar infraestruturas como estradas, pontes e coisas do tipo necessárias em muitas partes do país. É preciso deixar, aos poucos, de priorizar essas coisas e se preocupar mais com a construção da infraestrutura humana nas áreas da educação, saúde e coisas do gênero, que têm ficado em segundo plano em muitas regiões da China.

Knowledge@Wharton: Se boa parte da retomada de fôlego da China se deve a seu sistema centralizado, que lições o Ocidente pode aprender com a forma como os chineses reagiram à crise?

Allen: Seria bom se tivéssemos, por exemplo, bancos públicos que competissem com o setor privado. Muitos países que passam por crises frequentes possuem bancos desse tipo. Assim, quando as coisas vão mal, não há necessidade de que o banco central se comporte como banco comercial e tome decisões de crédito. Uma razão pela qual a China se saiu tão bem foi que contava com bancos de grande porte, tendo conseguido direcioná-los, o que não se pode fazer no sistema financeiro privado. Não acho que devamos imitar o sistema chinês, mas quem sabe ter algo parecido.

Knowledge@Wharton: Existe, portanto, uma espécie de sistema de segurança?

Allen: Correto.

Knowledge@Wharton: E o Japão? Não parece que a economia japonesa esteja se recuperando da mesma forma. Qual o problema ali?

Allen: O Japão tem muitos pontos fortes e fracos. A dívida do país, desde os anos 90 até os anos 2000, é enorme. Isso é ruim para o país. Se as taxas de juros subirem, a conta será muito alta. No momento, a conta é baixa porque as taxas de juros estão próximas de zero.

A razão pela qual o país vinha se saindo bem em anos recentes se deve à prosperidade dos chineses. Portanto, no momento em que a China for atingida, o Japão será gravemente afetado. Os japoneses não conseguiram sair tão bem da crise quanto os chineses.

Existe também um problema de longo prazo. Basta ver o que acontece a empresas como a Sony. Atualmente, as companhias coreanas, como a Samsung e a LG, estão se saindo melhores do que as japonesas.

Há também problemas políticos. A transferência de poder [em agosto] do Partido Liberal Democrático para o novo governo não é algo a que os japoneses estejam habituados. Isso tem causado muitas incertezas. Veremos o que acontece. Não se sabe sequer onde o poder se concentra no Japão atualmente, se está com o chefe do Partido Democrático do Japão ou com o primeiro-ministro [Yukio Hatoyama]. Todas essas incertezas tornam as coisas difíceis para a economia japonesa.

Knowledge@Wharton: Com relação ao restante da Ásia, o Sr. acha que as coisas estão melhorando ou piorando?

Allen: Há uma mistura das duas coisas. A Coreia está bem. Dentre os países que passaram pela crise, é o que está em melhor situação — especialmente porque tem um perfil de exportação semelhante ao do Japão e ao da Alemanha, não foi muito afetado. A Austrália está se saindo bem. Já elevou as taxas de juros. O país tem se beneficiado da forma como a China vem se saindo e dos grandes projetos de infraestrutura que os chineses têm empreendido. Alguns outros países têm problemas mais antigos. As Filipinas não vão bem. Contudo, de modo geral, a Ásia está bem e o que se espera é que prossiga nessa direção.

Knowledge@Wharton: Vejo que o Sr. nota sinais positivos aqui e ali, mas continua preocupado com 2010.

Allen: É verdade. Há pontos negativos nos EUA e na Europa. Na Ásia, há sinais positivos, mas há sinais negativos também. Nossa perspectiva do mundo vai mudar porque os EUA não passavam por crises há 40 anos aproximadamente. Aquele mundo se foi. Quando será a próxima crise? Daqui a cinco ou dez anos? Voltamos a um mundo em que não somos mais imunes a crises? Não creio que as pessoas tenham se dado conta disso.

Elas parecem achar que algum problema na indústria de hipotecas foi responsável pela crise. Uma coisa, porém, que devemos aprender é que as crises existem há séculos e que continuarão a existir. Só que agora elas estão de volta de uma forma que não se apresentavam há muito tempo.

Recomendo um livro de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff intitulado Desta vez é diferente: oito séculos de desvario financeiro. Os autores documentam, ao longo dos séculos, a frequência com que as crises ocorrem — não de ano em ano, mas de década em década. Desta vez, as pessoas estão pensando da seguinte maneira: “Muito bem, agora é diferente.” É daí que vem o título. Essas crises, porém, sempre voltam. Nada mudou.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Interdependência global: estariam os EUA e outros mercados lançando as sementes da próxima crise?." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [13 January, 2010]. Web. [24 November, 2020] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/interdependencia-global-estariam-os-eua-e-outros-mercados-lancando-as-sementes-da-proxima-crise/>

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Interdependência global: estariam os EUA e outros mercados lançando as sementes da próxima crise?. Universia Knowledge@Wharton (2010, January 13). Retrieved from http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/interdependencia-global-estariam-os-eua-e-outros-mercados-lancando-as-sementes-da-proxima-crise/

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"Interdependência global: estariam os EUA e outros mercados lançando as sementes da próxima crise?" Universia Knowledge@Wharton, [January 13, 2010].
Accessed [November 24, 2020]. [http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/interdependencia-global-estariam-os-eua-e-outros-mercados-lancando-as-sementes-da-proxima-crise/]


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