O admirável mundo novo dos fundos soberanos

Os fundos soberanos, os grandes fundos de investimentos patrocinados pelos governos, são em larga medida uma força econômica positiva capaz de dar uma injeção de ânimo nas empresas — e nos países — em que investem. São também uma força estabilizadora para o país onde o investimento se origina. Essas são algumas das principais conclusões de um novo estudo da Wharton, “O admirável mundo novo dos fundos soberanos”, realizado por alunos do MBA da instituição e patrocinado pelo Centro de Liderança da Wharton e pelo Instituto de Administração e Estudos Internacionais Joseph H. Lauder. A pesquisa mostra que não há muito com que se preocupar em relação aos fundos, isto é, não há razão para acreditar que funcionem movidos pela política, e sim pela economia. Em entrevista concedida ao Knowledge@Wharton,  Mauro F. Guillén, professor de administração da Wharton, e que ajudou a supervisionar a pesquisa, e dois candidatos ao MBA da instituição apresentam suas principais descobertas. Segue abaixo a versão editada da entrevista. O estudo pode ser baixado aqui na íntegra em versão pdf.

Knowledge@Wharton: Estão conosco hoje Mauro Guillén, professor de administração da Wharton e dois candidatos ao MBA da instituição, Gokhan Afyonoglu e Hussein Kalaoui. Eles vão conversar conosco sobre o estudo recém-publicado em que trabalharam, “O admirável mundo novo dos fundos soberanos”. Obrigado por participarem desta entrevista. Vocês poderiam explicar sucintamente o que é um fundo soberano?

Gokhan Afyonoglu: Um fundo soberano é um fundo patrocinado pelo governo de um país e financiado pelos superávits orçamentários desse país oriundos de suas exportações ou de receitas de petróleo.

Knowledge@Wharton: Os fundos são normalmente investidos no exterior ou tanto interna quanto externamente?

Afyonoglu: Depende muito do fundo. Alguns procuram investir internamente. Outros investem quase que totalmente em ativos estrangeiros.

Knowledge@Wharton: Antes da crise financeira mundial, o patrimônio dos fundos soberanos era estimado em mais de US$ 5 trilhões de ativos. Sua presença no mercado é muito forte. Que aspectos mais abrangentes seria importante compreender no que diz respeito ao seu comportamento? E quais seriam os principais equívocos que se cometem a seu respeito?

Hussein Kalaoui: Creio que um dos principais equívocos que se cometem em relação aos fundos soberanos consiste em acreditar que se trata de instituições opacas, que investem estrategicamente em ativos no mundo todo para utilizá-los como ferramentas políticas, uma vez que os fundos pertencem aos governos. Especialmente no caso de alguns fundos que analisamos, como o fundo do Chile, sobre o qual me debrucei com alguma profundidade, vi que não era esse de forma alguma seu padrão de comportamento. A maior parte dos fundos, na verdade, têm participação minoritária em grandes empresas. No caso do Chile, por exemplo, eles não compram de forma alguma ações e nem obrigações de empresas. Eles investem cem por cento em papéis governamentais e utilizam o fundo como ferramenta doméstica da microeconomia, e não como meio estratégico e político a ser aplicado no mundo todo.

Knowledge@Wharton: Não houve casos, porém, em que foi o oposto o que aconteceu?

Afyonoglu: Certamente é verdade que o tamanho dos investimentos tornou-se significativo. Todavia, existe a preocupação de espalhar esses investimentos por vários países, setores e, é claro, empresas. Uma coisa importante que se deve ter em mente em relação aos fundos soberanos é que as controvérsias se tornaram mais frequentes nos últimos anos em razão do crescimento dos fundos em países pouco transparentes […] como, por exemplo, a China ou a Rússia. E também por que modificaram um pouco sua estratégia, passando da renda fixa para ações, mas sempre com participações modestas nas empresas.

Knowledge@Wharton: Portanto, os problemas surgem no momento em que os fundos decidem tornar sua participação majoritária? Se bem lembro, faz alguns anos houve um fundo soberano, creio que chinês, que se interessou pela aquisição da petroleira Unocal, da Califórnia. Parece-me que o Congresso interveio e disse que não, que o petróleo era um recurso estratégico e que não permitiria a aquisição. Os fundos soberanos aprenderam alguma coisa com isso?

Guillén: A empresa a que você se refere é a CNOOC, estatal chinesa, que tentou comprar uma empresa americana relativamente pequena e acabou provocando um enorme tumulto. A rigor, não se trata de um fundo soberano, e sim de uma estatal e, portanto, é claro, tem o governo por trás cuja influência é inegável. No entanto, não creio que se trata de um evento que diga realmente alguma coisa de concreto sobre os fundos soberanos, conforme definidos por Gokhan no início da nossa conversa.

Knowledge@Wharton: Também é verdade que os fundos soberanos ajudaram a salvar alguns bancos americanos durante a crise financeira, e num momento bem crítico. Isso significa que esses fundos preocupam menos os críticos hoje do que há alguns anos?

Guillén: Há quem olhe com um certo ceticismo o fato de os fundos soberanos investirem em empresas ocidentais, sobretudo em companhias americanas e europeias, mas o ceticismo é maior em relação aos fundos que visitamos no Golfo Pérsico. Havia uma preocupação muito grande que entendêssemos que seu objetivo era exclusivamente econômico. Não há decisões políticas envolvidas no processo de investimento.

Sob esse ângulo, os fundos parecem estar desempenhando o papel de elemento estabilizador, principalmente na crise econômica atual. Com seus investimentos nos bancos ocidentais, eles realmente os salvaram numa hora crítica. Do ponto de vista da transparência, há problemas com alguns fundos. Os do Oriente Médio, porém, especialmente os do Golfo, são em grande parte apolíticos e preocupados com a economia. Eles tentam maximizar os benefícios para as gerações futuras e diversificar suas economias, nada mais do que isso.

Kalaoui: Se analisarmos os investimentos e o comportamento dos fundos soberanos, veremos que parecem coerentes com o que você esperaria deles se quisessem maximizar os ganhos dos acionistas. Isso mostra, mais uma vez, que essas ferramentas e métodos de investimentos econômicos servem para que os governos aloquem de maneira prudente seus recursos onde possam obter retornos mais elevados, e em nenhum outro lugar.

Knowledge@Wharton: Por que você acha que as pessoas se preocupam com os fundos soberanos? Quais seriam, na sua opinião, os principais riscos apontados pelos críticos nos métodos de investimentos dos fundos? Que posição os fundos estão assumindo e por que, de modo geral, são tão fortes?

Afyonoglu: A maior parte desses fundos soberanos é relativamente recente. É verdade que o mais antigo deles data dos anos 50 — o Kuwait Investment Office. Contudo, a maioria dos fundos soberanos dos quais as pessoas falam hoje em dia são relativamente novos. Eles não existiam há dois ou três anos. Os que existiam antes do novo século eram tão pequenos que ninguém se importava.

Portanto, o problema, ou a razão pela qual chamam tanto a atenção atualmente e são tão visíveis e, em alguns casos, polêmicos, se deve ao seu porte. Por que cresceram tanto? Porque há muitos desequilíbrios na economia mundial. Há muitos superávits, especialmente nas economias emergentes por causa das exportações e por causa também dos seus recursos naturais. Os países nessa situação não querem gastar esse dinheiro. Eles querem economizá-lo, o que é ótimo. Deveriam ser elogiados por essa decisão. Seu objetivo é conferir estabilidade às futuras gerações. Querem evitar, ao mesmo tempo, problemas de curto prazo em que se guarda uma quantia muito grande de dinheiro resultante dos ganhos com exportação, mas que pode acelerar a inflação e levar a todo tipo de desequilíbrio microeconômico cada vez mais profundo. Portanto, é uma boa ideia investir esse dinheiro fora do país. É evidente que, no caso dos EUA, isso vem a calhar, porque há bancos no país pouco capitalizados. Precisamos de que entre dinheiro no país para podermos investir. Portanto, desde que as decisões dos fundos não sejam animadas por fatores políticos, por que se queixar? Afinal de contas, é dinheiro que está entrando. Na maioria das vezes, é investimento de longo prazo em oposição aos investimentos que buscam ganhos mais imediatos. Insisto, porém, que se trata de um negócio controverso porque, obviamente, alguns países não gozam ainda de reputação muito boa. No entanto, a crítica é injusta na maior parte dos casos. Portanto, teremos de aprender a conviver com os fundos soberanos. É uma questão de tempo.

À medida que tomam decisões e continuam a cultivar um bom histórico de não interferência, os fundos soberanos ajudarão a si mesmos, porque construirão dessa forma uma boa reputação como investidores confiáveis de longo prazo.

Knowledge@Wharton: Poucas pessoas provavelmente sabem que esses fundos controlados pelos governos recebem tratamento fiscal especial quando investem nos EUA. Você poderia explicar como isso funciona e por que razão é assim? Parece-me uma vantagem muito expressiva.

Afyonoglu: Não entramos nos detalhes do tratamento fiscal recebido pelos fundos soberanos, mas é verdade que estão isentos de alguns impostos devido ao seu status jurídico.

Knowledge@Wharton: Como pertencem aos governos são tratados por meio de cláusulas especiais.

Afyonoglu: Exatamente. Discutimos um pouco esse aspecto no último capítulo da pesquisa, mas não em profundidade. Da mesma forma, porém, os fundos não podem tirar vantagem das brechas fiscais. Portanto, é uma via de mão dupla. Há muitos países — inclusive os EUA — que dão incentivos para atrair o capital estrangeiro. Esse capital vem com algumas poucas exigências: eles não querem participar da gestão da empresa, querem apenas de 1% a 3% de participação acionária.

Knowledge@Wharton: Eles costumam investir a longo prazo?

Afyonoglu: De certa forma, sim, o que é bom. Em tempos de crise, como as dos últimos dois anos, eles se mostraram dispostos a apostar esse capital necessário principalmente em empresas e bancos. Isso é uma coisa que deve contribuir para sua reputação. Eles estavam prontos a investir quando precisávamos que o fizessem.

Guillén: Alguns estudos mostram que há um esforço da parte dos fundos soberanos de colocar sua gente nos conselhos das empresas. Não há, porém, indicação de que essas pessoas se comportem movidos por razões ou motivos políticos ou ideológicos. É por isso que não creio que devamos nos preocupar mesmo que os fundos coloquem seu pessoal nos conselhos. No fundo, o que eles querem é tirar o maior benefício econômico possível dessas empresas, coisa que qualquer investidor sensato também deseja.

Knowledge@Wharton: Você poderia explicar quais os riscos, oportunidades e as implicações da chamada “corrida pela tributação menor” entre países que permitem investimentos feitos pelos fundos soberanos? Por que os EUA parecem estar perdendo?

Kalaoui: Você poderia explicar um pouco melhor o que quer dizer com “corrida pela tributação menor”?

Knowledge@Wharton: Na conclusão do estudo vocês falam sobre outras regulações e fatores que afetam o desejo do fundo soberano de entrar em um determinado país e não em outro. Portanto, se há de fato o que parece ser uma tendência nos EUA e, sobretudo, na Europa, de erguer barreiras para dificultar a realização de investimentos, sejam essas barreiras do tipo fiscal ou regulatório, os fundos soberanos acabarão procurando outros lugares para investir, privando essas áreas dos benefícios desses investimentos.

Afyonoglu: De modo geral, conforme se vê nesse setor específico de atividade — dos fundos soberanos — esse capital, é claro, fluirá para onde houver oportunidades melhores e menos obstáculos ou atritos. E isso não só no que diz respeito à sua entrada, mas também à sua saída, porque a longo prazo não significa para sempre, certo? Portanto, há perspectivas diferentes de tempo em todos esses investimentos. Eles podem durar de três a cinco anos, ou dez, 12 ou 15 anos.

Nós, principalmente aqui nos EUA, acreditamos que um sistema financeiro global bem azeitado não é bom apenas para o investidor, mas também para quem vai receber o investimento, já que isso nos permite atrair fundos para todas as nossas necessidades a taxas de juros baixas, sob melhores condições, dependendo da reação do mercado. Tirando complicações tais como riscos sistêmicos e todo tipo de outras coisas que podem criar problemas, seria bom ou ruim o fato de haver concorrência entre países para atrair investimentos de fundos soberanos ou de outros tipos de fundos? Pessoalmente, creio que é uma boa coisa que haja concorrência.

A corrida pela tributação menor, é claro, é um termo que evoca imagens negativas, como é também o caso de dumping, dumping social ou dumping ambiental. Estamos investindo num lugar que poderemos acabar poluindo? Quando se trata, porém, de investimento por parte de fundos soberanos ou de outros agentes, o que se deve levar realmente em conta é o regime de investimento. O regime de investimento cria muitos obstáculos, barreiras ou dificuldades? Ele é arriscado ou não? Há instituições de defesa do direito do investidor e assim por diante? Pessoalmente, não creio que seja ruim para o país que receberá o investimento. Creio que cabe aos países refletir sobre o que consideram conveniente em se tratando de regulação aplicável ao investimento estrangeiro ou que a ele se refira, inclusive investimentos feitos por fundos soberanos. Em seguida, os países deveriam simplesmente seguir as regras, certo? Não que todo país deva ser igualmente acessível, ou acolher bem o investimento estrangeiro. Eles precisam apenas decidir seu nível de conforto em relação aos diferentes tipos de fluxos monetários internacionais e seguir daí em diante. Volto a insistir que imagino ser do maior interesse de qualquer país, inclusive dos EUA, atrair investimentos ao menor custo possível.  

Knowledge@Wharton: Hussein, você poderia comentar algumas das principais descobertas do estudo sobre a América Latina?

Kalaoui: O fundo soberano mais importante da América Latina é, sem dúvida alguma, o Fundo de Estabilização Econômica e Social do Chile. Se fôssemos compará-lo a outros fundos do mundo, provavelmente veríamos que é mais parecido com o da Noruega, já que se trata de um mecanismo para investir os superávits das exportações dos recursos naturais. O Chile, devido aos preços elevados do cobre nos últimos anos, teve um superávit altíssimo em sua balança de pagamentos. Em vez de pegar esse dinheiro e gastá-lo em projetos de infraestrutura e coisas similares internamente, as quais a economia interna não seria capaz de absorver, decidiu investiu no exterior.

Os fundos chilenos, baseados no que pudemos constatar, são muito transparentes. Durante a pesquisa, os encarregados de sua gestão não se furtaram a conversar conosco, a dividir as informações de que dispunham sobre seus fundos permitindo que as publicássemos, explicando inclusive de que forma operavam. Foram muito francos em relação ao objetivo do fundo, que é amplamente utilizado como ferramenta de política fiscal anticíclica do governo. Basicamente, durante os tempos de prosperidade, os fundos investem seu superávit em títulos financeiros ao redor do mundo. Em tempos de retração econômica, recorrem ao fundo para reforçar os gastos internos do governo.

Portanto, trata-se de uma ferramenta a que recorrem para administrar melhor e sem atropelos os gastos no decorrer do ciclo econômico. Até o momento, já vimos os fundos atravessarem um ciclo. Já vimos passarem de uma fase próspera para a recessão atual. Será muito interessante descobrir se o fundo opera da forma como foi previsto à medida que os governos recorrem a ele em busca dos recursos de que necessitam para dar respaldo aos seus gastos.

Knowledge@Wharton: O fundo será um fator importante para que o governo possa dar conta de um possível déficit?

Kalaoui: Sim, parece que ele contribuiu de fato para que o governo pudesse arcar gastos atuais. Um componente muito importante do pacote fiscal que o governo chileno montou recentemente proveio dos fundos soberanos. Portanto, estamos vendo agora o governo sacar dos fundos um dinheiro que está sendo utilizado para estimular a economia. O mais interessante é que há várias diretrizes sobre onde investir esse dinheiro, em que tipo de título ele pode ou não pode ser investido, quanto e quando deve ser investido.

No entanto, são poucas ou inexistentes as diretrizes que especifiquem em que se deve gastar esse dinheiro no momento em que se decide recorrer ao fundo para aplicá-lo internamente. Portanto, será muito interessante ver no que esse dinheiro será gasto, observar se os fundos continuarão a crescer nos ciclos econômicos futuros e se serão aplicados da forma como têm sido aplicados.

Knowledge@Wharton: Os fundos são administrados de uma forma tal que não se mexa no principal ou eles estão gastando esse dinheiro? Ou eles o estão gastando e repondo o montante gasto posteriormente ao menos em teoria?

Kalaoui: Acho que estão mexendo no principal. Portanto, é como se fosse basicamente uma conta de poupança com juros elevados. Podemos pensar dessa forma.

Knowledge@Wharton: Gokhan, que outros detalhes você tem sobre os temas que mais chamam a atenção no Oriente Médio?

Afyonoglu: Viajei no verão passado com dois colegas para conhecer alguns dos maiores fundos de lá. Conhecemos inclusive o Kuwait Investment Authority. Fomos bem recebidos e tivemos acesso a muitas informações. Não nos reunimos apenas com os fundos. Conversamos também com representantes de bancos de investimentos, companhias de gestão de investimentos e consultores que fazem negócios com esses fundos. Descobrimos muita coisa sobre a região, sobre os fundos e como eles operam. Percebemos que eles queriam deixar claro que suas intenções eram exclusivamente econômicas, e que queriam contribuir para a estabilidade do sistema financeiro global, e não se tornar um problema. Isso também aparece em nosso estudo.

Além disso, pudemos ter uma boa visão das sociedades da região do Golfo e do papel que os fundos desempenham nas economias locais e no desenvolvimento desses países em economias de mercado plenamente desenvolvidas. Esses fundos não são importantes apenas para o sistema financeiro mundial, mas também para o crescimento dos países do Golfo e de outras regiões em desenvolvimento.

Knowledge@Wharton: Gostaria que cada um de vocês fizesse uma observação final sobre uma conclusão do estudo que considere importante. Professor Guillén, você poderia tocar rapidamente em algum assunto que não mencionamos aqui e que seria uma conclusão importante do estudo?

Afyonoglu: Creio que os fundos soberanos não ficaram menos importantes por causa da crise. Talvez sua base de ativos tenha diminuído um pouco, a exemplo do que ocorreu com a base de outros investidores. No futuro, porém, eles serão muito importantes. Os superávits não vão diminuir. Eles continuarão a ser agentes importantes do sistema financeiro global, por isso devem ser acompanhados atentamente. Será preciso criar regulações para seus investimentos. A principal conclusão, no meu entender, é que esses fundos precisam ser monitorados. Temos de dialogar com eles e procurar compreender suas necessidades. Nosso sistema deve ser projetado de tal forma que facilite seus investimentos.

Kalaoui: Achei muito interessante, no caso dos fundos chilenos, o grau de importância da política interna, os objetivos domésticos a que os fundos atendem e o esforço empreendido pelo governo para que o fundo faça uso legítimo do dinheiro do contribuinte. Para que o fundo seja bem-sucedido, e para que possa continuar a existir no futuro, os governos tiveram de convencer o Congresso e a população de modo geral de que o dinheiro estava sendo investido a seu favor. Temos a tendência de ver os fundos soberanos como uma espécie de fenômeno global, como uma coisa cujo desenvolvimento seria inevitável em virtude das forças macroeconômicas em ação no mundo todo. Contudo, é interessante olhar com outras lentes para ver o que o fundo significa para o país que investe, qual o seu impacto sobre a economia e de que forma um fundo bem gerido pode se transformar numa ferramenta importante que contribuirá de modo positivo para a estabilidade macroeconômica do país que investe a longo prazo.

Knowledge@Wharton: Professor Guillén, alguma observação final?

Guillén: Sim, acho que a pesquisa faz uma excelente primeira abordagem das razões pelas quais esses fundos se tornaram importantes — de que forma operam e as diferenças existentes entre eles — dependendo do país e do próprio fundo. Gostaria de salientar que se trata de um fenômeno que, por ser tão recente, é muito mal compreendido em diversos lugares. É importante que os gestores de políticas e as pessoas a quem cabe tomar decisões, além de gestores de fundos etc. do mundo todo leiam mais a respeito dos fundos. Em nosso estudo, há um apêndice com uma lista breve de outros estudos ou artigos para quem quiser se aprofundar na história dos fundos ou das realidades do mundo.

Por fim, gostaria de chamar a atenção para um problema que não foi mencionado: os fundos também foram afetados pela crise. Eles tiveram prejuízos financeiros, tanto é que alguns chegaram a perder até 30% do valor dos seus ativos. Todavia, vão se recuperar. Isso nos mostra, creio eu, que os fundos não são protagonistas obscuros cujo objetivo supremo seria dominar o mundo. Eles erram, assim como todo o mundo. Também têm prejuízos, mas vão se recuperar, não há dúvida disso. Contudo, na medida em que há desequilíbrios na economia global — o que leva alguns países a acumular superávits polpudos em conta corrente —, veremos que os fundos soberanos manterão o crescimento sustentado. É muito melhor que as economias emergentes possam contar com fundos soberanos e que não o gastem de forma negligente agora. São vários os motivos e os pontos de vista que consideram bem-vinda essa tendência de ter um fundo soberano, conforme se observa em vários países do mundo.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"O admirável mundo novo dos fundos soberanos." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [16 June, 2010]. Web. [21 January, 2021] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-admiravel-mundo-novo-dos-fundos-soberanos/>

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"O admirável mundo novo dos fundos soberanos" Universia Knowledge@Wharton, [June 16, 2010].
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