“O empreendedor 10%”: dedique parte do seu tempo à sua start-up

Se alguma vez você pensou em criar uma start-up, deve ter sentido que ela requer 100% da sua atenção, o que o obrigaria a deixar seu emprego de tempo integral. Um novo livro de Patrick McGinnis, capitalista de risco e fundador da Dirigo Advisors, diz que tudo de que você precisa é de 10% do seu tempo livre para se tornar um empreendedor. Patrick esteve no programa da Knowledge@Wharton, canal 111 da Sirius XM para falar sobre o livro “O empreendedor 10%”.

Knowledge@Wharton: Como foi que você chegou aos 10%?

Patrick McGinnis: Por experiência própria. Eu era aquele sujeito que andava tateando pelo quarto escuro em busca de uma luz para minha vida. Essa experiência provocou um abalo na minha carreira; eu queria diversificação. Pensei: “Quant tempo será que devo gastar fora do meu expediente de trabalho de tal forma que esse tempo seja significativo e me permita fazer algumas coisas?” Comecei com 20%. Depois, achei que era muito — decidi reduzir para 10%. Com o tempo, constatei que o investidor anjo investe, em média, 10% do seu patrimônio em empreendimentos paralelos.

Knowledge@Wharton: Quantos empreendedores em potencial você acha que desistem receosos porque acham que estão se arriscando, porque acreditam que devem investir 100% ou nada feito?

McGinnis: Muitos. Penso na comunidade de negócios e em amigos que conheço que trabalham em escritórios de advocacia, bancos ou empresas. Quantos deles olham para o que se passa no setor de empreendedorismo e dizem: “Bem, eu gostaria muito de tentar. O filho do meu vizinho tem 24 anos, abriu uma start-up e já levantou US$5 milhões.”

Ou até mesmo algo muito menor: “Sempre quis ter um restaurante”, ou alguma coisa parecida. Eles então param e pensam: “Seria ótimo, mas eu tenho um emprego muito bom. Estou fazendo uma coisa que sempre quis fazer. Não vou trocar isso pelas incertezas do empreendedorismo.” Acho que muita gente pensa assim. Quando converso com as pessoas sobre o livro, fico surpreso ao ver quanta gente em nossa sociedade enfrenta esse dilema.

Knowledge@Wharton: A ideia seria usar esses empreendimentos de risco como rede de segurança ou reserva?

McGinnis: Bom, pode ser. É claro que vivemos em tempos voláteis. Essa ideia me veio à mente por causa da recessão de 2008 […] As coisas podem dar errado no mundo inteiro. Qualquer um pode perder o emprego. Queria que as pessoas pensassem em uma maneira de diversificar suas atividades, que não ficassem presas ao seu trabalho cotidiano. Ao mesmo tempo, vivemos em uma época em que o empreendedorismo se tornou um grande negócio, portanto se você não participar de alguma forma da nova economia, estará perdendo a oportunidade de participar de algo realmente importante.

Knowledge@Wharton: Você apresenta uma porção de ideias diferentes para segmentos da comunidade de negócios em condições de investir 10% do seu tempo no empreendedorismo. Tenho alguns amigos na indústria de cerveja artesanal que hoje se dedicam 100% a ela, mas que começaram em tempo parcial. Esse é um segmento que se adaptou a essa possibilidade dos 10%, certo?

McGinnis: Correto. É uma dessas indústrias em que as barreiras de entrada, pensando aqui no capital, são bem baixas. Você pode começar na garagem de casa com um kit de fermentação barato. A Amazon tem para vender. É realmente possível montar o negócio, garrafa por garrafa. Depois, com o tempo, você vai construindo sua marca através das redes sociais, o que também é basicamente grátis. Encontrei três empresas na pesquisa que fiz para o livro. Acabei fazendo o perfil de duas, mas essa é uma indústria que realmente deu certo. O mesmo vai acontecer em outras indústrias nas quais, por causa da tecnologia e de todas as ferramentas que temos à nossa disposição, é possível começar alguma coisa do zero.

Knowledge@Wharton: Quando você diz às pessoas que 10% é tudo de que elas precisam, quantas dizem que não parece muita coisa?

McGinnis: Existe uma mitologia e uma cultura em torno do empreendedorismo segundo as quais se você não estiver comendo miojo e morando numa caixa na beira da estrada, então é porque você não está realmente comprometido, certo? Sem dúvida essa é uma possibilidade para algumas pessoas que têm economias ou uma família para sustentá-las. Contudo, para as demais, 10% está muito bom para começar.  Pode-se chegar até 100% ou 110%, porém nessa hora é preciso se perguntar: será que tenho gosto realmente pelo empreendedorismo? É uma coisa que me agrada? Minha ideia de negócio faz sentido? Como empreendedor 10%, muitas vezes você começa investindo ou dando consultoria para o negócio de outros, e aí, talvez, começa alguma coisa em paralelo que vai crescendo. Contudo, a ideia é que se trata de um ponto de acesso, portanto, 10% é suficiente, mas pode acontecer de a pessoa gostar da atividade. O sujeito tem uma grande ideia, uma promessa, em seguida ele cresce em escala além do que tinha.

Knowledge@Wharton: Você fala no livro sobre cinco tipos diferentes de empreendedores.

McGinnis:  Sim, há cinco tipos de empreendedores, e você se encaixará em um deles, ou em mais de um, é claro. Você escolhe sua trajetória com base nos seus recursos, capital, conhecimento e nas relações que cultiva.

O anjo investidor faz parte faz parte disso. Em seguida vem o consultor, e em vez de investir capital, você investe seu tempo numa coisa arriscada. Em terceiro lugar, você será então o fundador, alguém que vai operar uma coisa que começou como atividade paralela. Em quarto lugar, surge o aficionado, alguém que tem uma paixão e quer exercitá-la. Não se trata de algo impulsionado 100% pelo lucro. Também gosto de cozinhar e quero investir em um restaurante onde possa trabalhar na cozinha. Por fim, temos  o empreendedor 110%, alguém que já é empreendedor e fez uma aposta grande: “Quero usar o empreendimento de 10% para me diversificar, porque sei que o empreendedorismo é muito arriscado e quero me dedicar paralelamente a outras coisas.”

Knowledge@Wharton: Falamos da indústria da cerveja como um segmento que se adaptou bem ao empreendedorismo de 10%. Há outros setores atualmente que pendem também para esse lado?

McGinnis: Qualquer indústria que você abrir e à qual você possa se dedicar de maneira flexível, que não precisa de um montante grande demais de capital, se encaixa no empreendedorismo de 10%. Você pode montar um site basicamente a custo zero, graças às ferramentas online. E isso em qualquer área que você esteja querendo atingir o consumidor. As pessoas fazem isso com as lojas Etsy e acabam evoluindo para a criação de uma loja própria online. Essas são as soluções do tipo mais barato, mas há também pessoas que — por exemplo, há uma história sensacional no livro sobre uma mulher que tem uma empresa chamada Masala Baby. É uma grife de roupa infantil que começou no porão da casa dela e agora está espalhada por todo o país. São centenas de lojas. Portanto, acho que tudo depende de descobrir uma indústria que possa crescer em escala de modo racional.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"“O empreendedor 10%”: dedique parte do seu tempo à sua start-up." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [22 August, 2016]. Web. [25 May, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-empreendedor-10-dedique-parte-seu-tempo-sua-start/>

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"“O empreendedor 10%”: dedique parte do seu tempo à sua start-up" Universia Knowledge@Wharton, [August 22, 2016].
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