O que há por trás do Prêmio Nobel de Edward C. Prescott

“Adoro criar modelos e inventar estruturas com as quais possa brincar”, diz Edward C. Prescott. “Os economistas criam o seu mundinho pessoal. É como se fôssemos pequenos deuses que se divertissem com sua economia artificial, só para ver o que acontece.”

 

No mês passado, Edward C. Prescott e Finn E. Kydland foram laureados com o Prêmio Nobel de Economia por dois ensaios importantes escritos em parceria. Graças a seus estudos, os autores fizeram avançar o campo da macroeconomia dinâmica. Conforme declaração da Academia Real de Ciências da Suécia, o trabalho de Prescott e Kydland “não apenas revolucionou a pesquisa econômica, como também influenciou profundamente a prática da política econômica em geral, e da política monetária em especial”.

 

Em outras palavras, os dois ensaios citados pela Academia Sueca acabaram por enterrar de vez a teoria macroeconômica keynesiana ao mudar a forma como os economistas encaram a formulação da política econômica e as causas dos ciclos econômicos. O primeiro dos dois ensaios selecionado pela Academia Sueca intitulado “Regras, e não discernimento: a incoerência dos planos ideais”, foi publicado em 1977 no Journal of Political Economy. O segundo ensaio, “Tempo de construir e de agregar flutuações”, apareceu em Econometrica, em 1982.

 

Prescott e Kydland são respeitados há anos pela combinação bem-sucedida de teoria e economia aplicada. O trabalho conjunto dos autores privilegia a interação entre teoria e estatística agregada da sociedade, analisando, entre outras coisas, o nível de desemprego, inflação e produtividade. Prescott, professor de economia da W. P. Carey School of Business, na Universidade Estadual do Arizona, trabalha como consultor de pesquisas no Federal Reserve Bank, de Minneapolis, há 23 anos. Kydland é professor de economia da Universidade Carnegie Mellon e da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. Ele foi aluno de Prescott na graduação em Carnegie Mellon.

 

A teoria keynesiana imperou da Grande Depressão até princípios dos anos 70. John Maynard Keynes dizia que a política monetária podia — e devia — ser usada para estabilizar as economias e manter o desemprego em patamares baixos. Havia, ao mesmo tempo, o pressuposto de que a inflação e o desemprego relacionavam-se de forma inversa; assim, à medida que um subia, o outro descia. O importante era administrar o lado da demanda na equação da oferta e da demanda. Quando a demanda era alta, cabia ao banco central adotar uma política monetária de combate ao desemprego aumentando, por exemplo, a oferta monetária ou baixando a taxa de overnight dos fundos fed (a taxa básica de juros dos EUA), de importância crucial. A adoção de uma ou de outra alternativa baratearia o empréstimo de fundos e estimularia as empresas a fazer investimentos de capital, tais como a construção de novas fábricas e o desenvolvimento de novas tecnologias, que impulsionariam o emprego.

 

Os anos 70 aplicaram um golpe mortal à teoria macroeconômica de Keynes, segundo a qual inflação e desemprego não podiam coexistir em patamares elevados. Mas era exatamente o que se passava. Os esforços para debelar a inflação foram inúteis. Isso, somado à crise do petróleo de 1973 e a subseqüente recessão mundial, puseram a nu as principais fissuras da teoria econômica keynesiana tradicional.

 

Economistas como Milton Friedman e Edmund Phelps já haviam colocado em dúvida alguns aspectos da teoria keynesiana, mas coube a Robert Lucas, professor de economia da Universidade de Chicago e ganhador do Nobel de 1995, formular a estrutura teórica que evidenciou suas principais insuficiências. Em diversos ensaios publicados nos anos 70, mas especialmente em um trabalho que ficou conhecido como “a crítica de Lucas”, o economista deixou claro que está fadada ao fracasso qualquer política monetária que não leve em conta o componente de instabilidade comum a todos os indivíduos empenhados em tomar decisões pessoais que sejam as mais acertadas possíveis. Tais decisões, ainda que de importância secundária, baseiam-se em informações sobre a economia e em expectativas em torno de decisões políticas, influenciando a ocorrência de mudanças significativas em toda a economia, disse Lucas.

 

Prescott, com formação em estatística, atribui a Lucas e Phelps seu interesse pela economia. “Eu gostava daquela linguagem de equilíbrio generalizado — que recorria a modelos e pessoas, em que se analisava o fenômeno da substituição e se estudava o comportamento dos indivíduos no meio em que viviam, em que se podia tomar emprestado e emprestar sabendo-se que sempre haveria alguém em ambas as pontas da transação ou do contrato”, diz Prescott.

 

(Em economia, o modelo de equilíbrio generalizado trabalha com todos os aspectos da economia, no qual os indivíduos, empresas e instituições, como o banco central, tomam decisões supostamente mais inteligentes e adequadas ao momento. Substituição, no caso, refere-se às decisões que as pessoas tomam como, por exemplo, gastar agora o dinheiro disponível ou economizá-lo para o futuro).

 

Prescott, que desde cedo foi influenciado por Lucas, entrou no curso de graduação da Carnegie Mellon em 1963, no mesmo ano que Lucas assumia as funções de professor assistente da instituição. Depois de quatro anos, concluído o doutorado, Prescott lecionou na Universidade da Pensilvânia. Lucas e Prescott começaram a escrever juntos e publicaram um ensaio intitulado “Investimento em clima de incerteza”, em 1971; em 1974, publicaram “Busca de equilíbrio e desemprego”.

 

Nesse ínterim, em 1971, Prescott havia retornado a Carnegie Mellon.  Nos três anos seguintes, nessa mesma universidade, “Lucas e eu lecionávamos para inúmeros alunos brilhantes da graduação”, diz Prescott. “Acho que não os intimidava tanto quanto Lucas.”

 

Um desses alunos era Kydland, de quem Prescott logo se tornaria orientador. Concluído o doutorado em 1973, Kydland, de origem norueguesa, retornou ao seu país para lecionar na Escola Norueguesa de Economia e Administração de Negócios, em Bergen. Ele conseguiu que Prescott fosse para lá como professor visitante durante o ano letivo de 1974-1975. Entre os meses de março e junho daquele ano, redigiram o ensaio sobre incoerência temporal, publicado dois anos depois. O ensaio sobre os ciclos econômicos foi escrito durante os meses de junho a setembro de 1980. Nessa época, Kydland e Prescott já haviam retornado a Carnegie Mellon.

 

O problema da incoerência ao longo do tempo

Em “Regras, e não discernimento”, de 1977, Prescott e Kydland chegaram à conclusão de que as decisões políticas das autoridades monetárias são, em geral, vítimas da incoerência ao logo do tempo. Isto significa que as mudanças efetuadas na política monetária com o objetivo de remediar um problema imediato, como o desemprego, produzirão (com o tempo) ramificações indesejadas que se oporão àquele objetivo.

 

Quando um governo anuncia uma correção para um problema de curto prazo, os indivíduos e as empresas procuram ajustar seu comportamento, de modo que toda nova decisão seja baseada nas informações divulgadas. Essas decisões alteram a paisagem econômica, reduzindo os incentivos concedidos num primeiro momento pelo governo tendo em vista a implementação de mudanças políticas. Portanto, se esse governo tem discernimento suficiente para se empenhar por uma política que deseja instituir, dada uma situação econômica específica, porém isso o impede de se manter fiel às promessas feitas, terá de enfrentar o que Prescott e Kydland chamam de problema de credibilidade. Para lidar com isso, caberia ao banco central concentrar-se em objetivos de longo prazo, interferindo pouco na economia na tentativa de estimular o emprego ou a demanda a curto prazo.

Trata-se de “um trabalho fundamental”, observa Amir Yaron, professor de finanças da Wharton. “Os autores mostraram que a política do banco central possui hoje desdobramentos que afetam o modo como as pessoas pensam que o banco central agirá e, conseqüentemente, como elas mesmas deverão agir — com reflexos sobre os acontecimentos futuros. O ensaio deixou claro que a idéia de coerência em relação às políticas adotadas a longo prazo, em contraposição àquilo que se julga ideal no presente, é extremamente importante.”

 

O estudo de Prescott e Kydland a respeito da incoerência ao longo do tempo não tinha inicialmente o propósito de demonstrar aquilo que acabou demonstrando. Os autores esperavam identificar um ponto que acomodasse a teoria do controle, representante de um enfoque mais tradicional e ativo da política monetária, e a crítica de Lucas. O que descobriram, porém, foi que as melhores políticas do modelo eram incoerentes em relação ao tempo. Por fim, entenderam que tal fato não era de fato um problema; era, antes, sua conclusão óbvia.

 

Os autores dão como exemplo no ensaio o seguro contra enchentes. Um governo, qualquer que seja, certamente não estará disposto a subsidiar seguros contra enchentes em áreas propensas a inundações, já que isso seria um incentivo para as pessoas construírem nesses lugares. Contudo, se o governo diz que não intervirá financeiramente nos casos de seguros contra enchentes, e logo em seguida socorre as vítimas de uma inundação, as pessoas contarão com esse socorro financeiro e acabarão construindo em áreas sujeitas a enchentes. A solução, portanto, consiste em proibir que se construa em locais sujeitos a inundações.

 

Richard Rogerson, professor de economia da William P. Carey School of Business, da ASU (Universidade do Estado do Arizona), explica o dilema da incoerência ao longo do tempo em termos ainda mais simples. Ele diz que os pais que ameaçam castigar os filhos reproduzem, em linhas gerais, o problema da incoerência ao longo do tempo. Um pai ou uma mãe que queira produzir um certo tipo de comportamento dirá a seu filho que não faça determinada coisa, caso contrário será castigado. “Com isso, esperam influenciar o comportamento da criança”, diz Rogerson. “A criança, porém, não crê que os pais desejam castigá-la, por isso se comporta do mesmo modo outra vez na certeza de que não será punida. Os pais, portanto, seguem uma política incoerente ao longo do tempo, por isso não conseguem o que desejam.”

 

De acordo com o argumento de Prescott e Kydland, as pessoas só têm a ganhar quando o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) expõe suas intenções com clareza, coerência e credibilidade. Se o Fed entende que é preciso mudar de curso, as conseqüências de tal atitude produzirão um bem menor, porque haverá mais incerteza em relação à inflação, salários, taxas de juros, desemprego etc. Isso poderia resultar em “distribuições aleatórias” dessas variáveis, conforme a terminologia empregada por Prescott e Kydland.

 

“Distribuições aleatórias não são um bom negócio, porque as pessoas são avessas a riscos, e isso afeta sua riqueza”, diz Prescott. “Se a incerteza em relação aos preços for muito acentuada, será impossível celebrar contratos vantajosos para ambas as partes a longo prazo.”

 

Prescott exemplifica com um acontecimento de sua própria vida. Em 1981, quando se mudou para Minneapolis, Prescott teve de vender sua casa em Pittsburgh para comprar outra em Minneapolis. Na época, porém, havia uma incerteza muito grande em relação ao nível futuro das taxas de juros. “Os mercados de hipoteca estavam praticamente fechados, por isso me vi forçado a emitir uma hipoteca para o comprador de minha casa. Um fato semelhante aconteceu aqui em Minneapolis; as pessoas de quem comprei a casa tiveram de emitir um contrato para efetuar a transação”, diz Prescott. “Poucos anos depois, já com o sistema estabilizado, consegui uma hipoteca normal. Emitir uma hipoteca é coisa muito arriscada, e eu não gosto de correr riscos.”

 

A pesquisa feita por Prescott e Kydland sobre incoerência ao longo do tempo permitiu ver com maior clareza de que modo é possível fortalecer os bancos centrais e dar-lhes maior independência, a fim de que tenham maior credibilidade em face de mudanças de curto prazo na economia. “No momento em que se compreende que a credibilidade é questão de suma importância, fica clara a necessidade de instituições que solucionem ou minimizem o problema da incoerência ao longo do tempo”, explica Rogerson.

 

Na esteira dessa pesquisa, muitos bancos centrais de todo o mundo propuseram-se a seguir uma política de inflação baixa — implícita  ou explícita — de longo prazo . Desde princípios dos anos 90, diversos países, como Nova Zelândia, Suécia e o Reino Unido, instituíram políticas de metas de inflação — as quais especificam valores a serem respeitados pelos bancos centrais. Várias das mudanças postas em prática pelo bancos centrais no mundo todo são resultado direto ou indireto do trabalho de Prescott e Kydland nessa área, observa Rogerson.

 

Realidades da teoria do lado da oferta

O segundo ensaio da dupla mencionado na premiação do Nobel intitula-se “Tempo de construir flutuações agregadas”. Esse trabalho virou de cabeça para baixo a teoria keynesiana ao constatar que os ciclos econômicos eram causados por choques do lado da oferta, e não por choques resultantes da demanda agregada da sociedade.

 

Um dos pilares da teoria keynesiana sustentava que uma economia que funcionasse a contento estaria imune aos ciclos econômicos — sem surtos de inflação alta ou de desemprego renitente. “Portanto, se há ciclos, isto significa que a economia não vai bem”, diz Rogerson. “Essa idéia prevaleceu durante anos e ficou arraigada no pensamento econômico. Na verdade, se a economia está em recessão, alguém deveria consertá-la.”

 

O ensaio de Prescott e Kydland sobre os ciclos econômicos mostrou que os choques de fato do lado da oferta — tais como os aumentos nos preços do petróleo, a devastação provocada por furacão que assola a Flórida ou a invenção de uma nova tecnologia — são responsáveis, em larga medida, pelos ciclos econômicos em uma economia de bom desempenho. “Os ciclos econômicos não são, portanto, resultado de uma economia de desempenho sofrível”, observa Rogerson. “O que se observa, na verdade, é a reação da economia aos choques impostos a ela — o que deveria levar os legisladores a pensarem os ciclos econômicos sob outro prisma.”

 

Quando os autores redigiram seu ensaio, acreditava-se que os ciclos econômicos fossem conseqüência de choques de demanda, tais como o colapso da confiança do consumidor. Isto significava, em outras palavras, que a política monetária poderia desempenhar um papel importante na atenuação do impacto dos ciclos, amortecendo os choques. “Prescott e Kydland apresentaram uma visão radicalmente diferente do mundo”, diz Yaron, da Wharton. “Se esses choques forem de oferta, não há muito o que a política monetária do Fed possa fazer para mitigá-los. Foi como se tirassem uma venda dos nossos olhos.”

 

Além de mudar o curso da pesquisa sobre os ciclos econômicos, o ensaio mencionado foi igualmente importante por introduzir uma técnica batizada de calibragem. Prescott e Kydland propuseram uma metodologia pela qual os macroeconomistas podiam avaliar os modelos de forma quantitativa. “Esse modelo teve papel de destaque na dinâmica, nos choques e nas otimizações [em que os indivíduos tomam decisões baseadas em fatores de mudança da economia para a consecução de seus objetivos] ao levarem em conta  o aspecto quantitativo”, assinala Yaron. “Antes disso, a idéia de conferir aos choques [por exemplo, o desenvolvimento de uma nova tecnologia] um papel explícito em um modelo combinando-os com a ação dos agentes na plena otimização não era algo comum na esfera da macroeconomia.”

 

“O procedimento de calibragem dos autores mostrou que era possível tomar modelos formais abstratos e empregá-los na discussão de coisas do mundo real, além de mensurar (quantificar) o que se passava com o modelo”, acrescenta Rogerson.

 

Um outro ensaio de Prescott em co-autoria com Rajnish Mehra, professor de finanças da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, gerou também uma vasta produção acadêmica. Um ensaio de 1985 intitulado “Prêmio de retorno [das ações]: um enigma”, apontava a seguinte dificuldade: no decorrer de um período de 90 anos encerrado em 1978, as ações, em termos reais, haviam pago uma média anual de seis pontos percentuais a mais do que os títulos do Tesouro. A magnitude dessa diferença, observaram os professores, não podia ser explicada pelos modelos existentes.

 

Há algumas “respostas possíveis”, mas nenhuma delas são plenamente satisfatórias ou aceitas, diz Yaron. Ele observa que “a contribuição de Prescott e Mehra consiste na ênfase dada ao motivo pelo qual o prêmio de retorno era um enigma, além de estabelecer procedimentos de avaliação indispensáveis às possíveis explicações”.

 

Prescott diz que vê a economia como uma “ciência instrumental” e acrescenta que hoje os economistas dispõem de mais ferramentas para solucionar problemas do que no passado. “Esta é uma era de ouro, e há grandes questões a tratar”, observa.  O ganhador do Nobel, porém, continua mais interessado nas grandes questões sociais.

 

“Gostaria de saber por que o desenvolvimento econômico da  América Latina é tão moroso”, observa Prescott. “Nos últimos cem anos ou mais, a média de atraso do continente foi de 75% em relação à nação mais desenvolvida. Por que a América Latina não consegue alcançar os países mais desenvolvidos?” Outra coisa difícil de entender: como pode um país ter um sistema de aposentadoria que não seja inadimplente. “Fazem-se promessas, as pessoas economizam, mas as promessas não são honradas pela sociedade”, diz Prescott. “Terminada a Segunda Guerra Mundial, eram vários os fundos de pensão na Europa em situação financeira plenamente satisfatória, e que foram pressionados a arcar com grande parte da dívida dos governos. Nessa época, uma inflação elevada corroeu o valor desses ativos. Os fundos de pensão não puderam honrar o compromisso firmado com as pessoas.”

 

Quando Prescott voltar de Estocolmo, com o Nobel nas mãos, essas indagações — e outras — certamente estarão á sua espera.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"O que há por trás do Prêmio Nobel de Edward C. Prescott." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [15 December, 2004]. Web. [16 December, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-que-ha-por-tras-do-premio-nobel-de-edward-c-prescott/>

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