O que os empregadores precisam saber sobre a Geração Z

David Stillman e seu filho, Jonah Stillman, que pertence à Geração Z, escreveram um livro para ajudar a entender o gap geracional entre as pessoas mais jovens. Os dois conversaram sobre o livro que escreveram, “Geração Z em ação: como a próxima geração está transformando o local de trabalho” [Gen Z At Work: How the Next Generation Is Transforming the Workplace] durante o programa da Knowledge@Wharton transmitido pela Wharton Business Radio, canal 111 da SiriusXM.  E quem faz parte da Geração Z? Embora não haja consenso em torno da definição do que seja a Geração Z, a maior parte dos demógrafos colocam sob esse rótulo as pessoas nascidas entre 1995 e princípio de 2000. Nos EUA, os indivíduos nascidos nesse período totalizam cerca de 79 milhões de pessoas próximas de ingressar na força de trabalho ou de começar a primeira etapa de sua carreira. Contudo, os Stillmans advertem os empregadores dizendo-lhes que não devem confundir os jovens da Geração Z com os millennials, que pertencem a uma geração mais velha. Seguem abaixo três pontos fundamentais da conversa.

1. A Geração Z é ambiciosa e trabalhadora.

Comparada à geração do milênio, a Geração Z é mais competitiva e independente. Os millennials foram educados para acreditar na colaboração e na inclusão, traços positivos que eles estendem à sua ética de trabalho. Contudo, a ideia de que todos ganham se trabalharem juntos não é necessariamente uma ideia que corresponde à realidade.

“Dizem que há ganhadores e perdedores, e que se eu não der o máximo de mim, há 70 milhões de outros sujeitos da Geração Z logo atrás de mim dispostos a ficar com meu emprego”, avalia Jonah Stillman. “Somos uma geração competitiva e determinada.”

É importante que o gerente da geração millennial perceba que precisa adotar uma estratégia diferente com seus subordinados mais jovens.

“Temos hoje uma geração que será muito mais independente e bastante competitiva”, diz David Stillman. “Corremos o risco de que os millennials negligenciem essa geração e a rotule de desleal, gente que não sabe trabalhar em equipe, o que simplesmente não é verdade. É que eles veem as coisas por outra ótica. Creio que, em primeiro lugar, temos de preparar os que vão estar na linha de frente para que entendam em que a Geração Z difere dos millennials.”

2. Os filhos da Geração Z são nativos digitais.

O trabalhador da Geração Z não sabe o que é a vida sem Internet ou sem mídia social, e não tem problema algum com a mudança vertiginosa da tecnologia. Trata-se de uma característica que os Stillmans classificam como “fisital”.

Fisital é um conceito que desfaz as fronteiras entre o físico e o digital”, disse David Stillman. “Para eles, não há fronteiras. Essa geração só conhece um mundo: o dos telefones inteligentes.” Como os indivíduos da Geração Z são nativos digitais, podem servir de referência para a tecnologia tão imprescindível ao local de trabalho moderno. Eles são ágeis quando se trata de agilizar processos, e hesitam ou temem menos na hora de tentar algo novo.

“Uma observação que ouvimos reiteradas vezes durante a pesquisa para o nosso livro foi a queixa da Geração Z de que as demais gerações refletiam demais sobre as coisas e demoravam muito para agir”, disse David Stillman. “Por isso, a Geração Z quer que as outras gerações testem o que pensam, que ponham a mão na massa e quem sabe com isso ponham fim a uma porção de processos complexos e longos demais.”

“Ao mesmo tempo, precisamos tomar cuidado porque essa geração age muito rapidamente. Ninguém vai querer que ela gaste montanhas de recursos para mudar alguma coisa que não passa de moda fugaz, que assim como veio, se vai.”

3. A geração Z está em busca de alternativas.

Eventos econômicos e políticos ─ entre eles o 11 de setembro e a Grande Recessão ─ foram muito importantes para a visão de mundo da geração Z. Enquanto os millennials parecem ser movidos pela ideia de que merecem tudo, a geração Z tem uma atitude mais em harmonia com seus pais, da geração X. David Stillman faz a seguinte comparação: enquanto uma geração diz “esse emprego teve sorte de me encontrar”, a outra diz “que sorte a minha ter esse emprego”.

“Essa mudança se deveu à recessão e também aos pais, indivíduos da geração X, cujo amor intransigente pelos filhos fez com que 76% da geração Z se dissesse disposta a começar de baixo para chegar ao topo”, disse David Stillman. “Será ótimo ver isso.”

Jonah Stillman descreve os colegas como pessoas da geração que faz as coisas sem esperar pelos outros, em parte porque a Internet nos dá oportunidades inéditas de aprendizagem por conta própria. “Se quiser aprender como trocar o piso do meu banheiro, ou falar russo, basta acessar o YouTube para fazer isso ou outra coisa qualquer”, diz ele.

Sua geração está mais disposta a pensar além do caminho tradicional do primeiro emprego. Tal como Malia Obama, que optou por Harvard, mais indivíduos da geração Z estão refletindo sobre a possibilidade de um “ano sabático” entre o ensino médio e a universidade para viajar, fazer estágio, aprender uma habilidade ou simplesmente se dedicar àquilo que desejam ser na vida adulta.

A razão dessa mudança se deve, em parte, ao aumento do fardo imposto pela dívida com a universidade. Os mais jovens sabem perfeitamente da dívida que os millennials carregam, e não querem levar o mesmo fardo. Eles querem descobrir uma relação mais profunda entre uma educação cara e o que farão com ela.

“Sabemos que 75% dos indivíduos da geração Z creem que há outras maneiras de se conseguir uma boa educação sem ter de ir à escola”, disse Jonah Stillman.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"O que os empregadores precisam saber sobre a Geração Z." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [05 June, 2017]. Web. [28 June, 2017] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-que-os-empregadores-precisam-saber-sobre-geracao-z/>

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"O que os empregadores precisam saber sobre a Geração Z" Universia Knowledge@Wharton, [June 05, 2017].
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