O que os números significam realmente? Descobrindo os segredos dos indicadores econômicos

Há um drama econômico em ebulição à medida que você lê este artigo — um drama cujo próximo ato está prestes a ser encenado. Tudo começou na terça-feira, 6 de janeiro, quando o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos expediu seu relatório semanal sobre reclamações de seguros de desemprego requeridos pela primeira vez. Constatou-se então que 364.000 trabalhadores requereram pela primeira vez os benefícios concedidos aos desempregados na semana encerrada em 1o de janeiro — 43.000 a mais do que na semana anterior. O mercado acionário registrou uma leve alta naquele dia.

 

Os acontecimentos tomaram um rumo diferente no dia seguinte, 7 de janeiro, quando o Departamento do Trabalho emitiu seu relatório sobre criação de novos postos de trabalho em dezembro. Os dados revelavam que a economia americana havia gerado 157.000 postos de trabalho durante o último mês de 2004. Esse número, bastante expressivo, indicava que a economia continuava a crescer a um ritmo satisfatório, porém não tanto quanto os economistas esperavam. O mercado de ações teve uma leve queda naquele dia.

 

Esses dois eventos são exemplos típicos do que costuma acontecer com muita freqüência na interação complexa e contínua entre indicadores econômicos e mercados financeiros.

 

Outra reviravolta fundamental nesse drama ocorrerá em janeiro, quando o Escritório do Censo divulgará sua estimativa preliminar de vendas ao varejo no mês de dezembro.  Não há dúvida de que esse relatório será prontamente submetido à análise detalhada por investidores, gerentes de empresas e economistas. Logo após a divulgação desses números, a Knowledge@Wharton examinará suas prováveis conseqüências com a colaboração de Bernard Baumohl, autor de Os segredos dos indicadores econômicos (The Secrets of Economic Indicators), um lançamento da Wharton School Publishing.

 

Diversas agências do governo e particulares compilam e divulgam regularmente vários indicadores econômicos. Empregos, gastos e confiança do consumidor, pedidos das fábricas, estoques, vendas internas, vendas externas, inflação, índices levantados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

 

Por que alguém, com exceção de Alan Greenspan, presidente do Fed, haveria de se interessar por indicadores econômicos? “Porque são termômetros importantes. Eles aferem a situação da economia e, principalmente, indicam a direção que ela tomará no futuro”, diz Baumohl. Para o autor, os indicadores constituem um corpo de conhecimento essencial para os investidores preocupados com seus portfólios, líderes de empresa que precisam tomar decisões e justificá-las diante dos acionistas, e trabalhadores interessados em avaliar a solidez da indústria na qual trabalham.

 

Baumohl, ex-repórter de economia da revista Time, dirige atualmente o Economic Group Outlook, consultoria de Princeton que avalia tendências e riscos econômicos globais. “Para entender os números, ninguém precisa ser doutor em economia ou em estatística. Na maior parte dos casos, eles são incrivelmente intuitivos”, observa.

 

Por que então os mercados reagiram daquele modo depois da divulgação dos relatórios sobre a situação dos empregos? Que tipo de reação por parte do investidor o relatório de vendas ao varejo revelará? Quais indicadores devem ser rastreados? Baumohl falou a Knowledge@Wharton sobre esses e outros temas.

 

Relatórios sobre empregos

O contexto no qual os dois relatórios foram divulgados exerceram uma influência maior sobre os mercados do que os números propriamente ditos. Os dados referentes ao emprego vieram na esteira da divulgação, pelo Fed, das atas do Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Fed), responsável pela formulação de políticas do órgão, em reunião realizada em 14 de dezembro. Pelas atas, ficava claro que os membros do organismo estavam preocupados com uma possível disparada da inflação.

 

As atas lançaram “nuvens” sobre o mercado acionário no restante da semana, diz Baumohl. Os investidores receavam que o Fed estivesse sinalizando com uma possível aceleração de aumento nas taxas de juros, contrariamente ao que havia feito nos meses anteriores. A elevação das taxas poderia retardar as vendas e afetar os lucros das empresas. Isso é ruim para os acionistas. O mercado de títulos, por outro lado, reagiu favoravelmente, assinala Baumohl. Ele percebeu que o Fed estava disposto a monitorar mais de perto a inflação.

 

Nesse contexto, os números semanais de requisição de seguro-desemprego pareciam não assustar o mercado acionário. O número de demissões — 364.000 — era substancialmente maior do que o da semana anterior. Isso dava a impressão, diz Baumohl, de que “talvez a economia não estivesse crescendo tão rapidamente como havíamos presumido no início”, e provavelmente, portanto, o Fed não tomaria nenhuma atitude mais drástica no que diz respeito à elevação das taxas de juros. Surpreendido por dois indicadores aparentemente opostos, o mercado parecia andar de lado, registrando leve subida apenas.

 

“A regra prática de interpretação no caso de primeiras requisições (do seguro-desemprego) reza que se o número for abaixo de 350.000 é sinal de que a economia está bem e contratando. Se for maior do que 400.000, é sinal de que a economia está com problemas, provavelmente está demitindo e pode entrar em recessão”, afirma Baumohl. Os números  da semana encerrada em 1o. de janeiro emitiram um sinal incerto.

 

No dia seguinte, os investidores tiveram de lidar com outro sinal duvidoso. O relatório que apontava a criação de 157.000 empregos em dezembro chegou num momento de expectativas pouco animadoras, observa Baumohl. Mesmo assim, qualquer coisa superior a 150.000 empregos é sinal de que a economia está crescendo. O mercado parecia andar de lado novamente, embora tivesse aberto mão de alguns ganhos naquele dia entre temores persistentes de que a taxa de juros seria elevada.

 

Relatório sobre empregos

“Chegamos agora à venda ao varejo. O contexto ainda é de contratação. Isso é bom para a economia, porque quanto mais pessoas estiverem empregadas, tanto mais a renda das família aumenta. Essa renda é canalizada, muitas vezes, para o aumento do consumo. Um aspecto importante do relatório sobre empregos, e que deveria ser analisado mais detidamente, é o percentual de aumento de renda dos trabalhadores. O ganho médio por hora e por semana é discriminado no relatório.

 

“O que esses números revelavam, não apenas em relação a dezembro, mas também a vários meses, é que a renda dos trabalhadores caminhava na esteira da inflação. Isso pode levar ao fim do consumo mais adiante. As pessoas percebem que seu poder aquisitivo está se deteriorando.

 

“O relatório de vendas ao varejo é um dos 10 indicadores econômicos mais importantes. Quando se pensa em avaliar o estado de saúde da economia e para onde ela caminha nos próximos seis a 12 meses, economistas, investidores e CEOs debruçam-se sobre a perspectiva de gastos do consumidor. A razão disso é que eles correspondem a 70% de toda a atividade econômica. Se os gastos do consumidor estiverem crescendo a um ritmo satisfatório, segue-se que as receitas das empresas estão crescendo, o mercado acionário está em ascensão e a riqueza das famílias está aumentando. Se o consumidor não parece disposto a gastar, isso pode resultar em graves conseqüências para a economia. Os lucros poderão encolher, e os preços das ações cairão.

 

“O relatório de vendas ao varejo — a ser divulgado em 13 de janeiro — é dado a conhecer duas semanas depois do mês a que se refere. Essas vendas respondem por cerca de um terço de todo o gasto do consumidor […] [e leva em conta] os gastos efetuados em lojas de departamentos, concessionárias de automóveis, postos de gasolina e restaurantes, mas não computa os gastos com seguro, viagens aéreas, filmes e cortes de cabelo.”

 

Contudo, as vendas ao varejo constituem um meio de “avaliação rápido e pouco preciso” do humor do consumidor. O relatório inicial baseia-se em uma amostragem de 5.000 varejistas de todo o país, cerca de 50% dos quais responderam à pesquisa. Uma avaliação mais completa do comportamento do consumidor é divulgada depois de algumas semanas por meio do relatório de renda e gasto pessoal expedido pelo Departamento de Comércio.

 

Esse relatório é alvo de muita atenção e pode mexer com o mercado por ser o primeiro a ser divulgado. “Dados, ainda que aproximados, e a percepção de oportunidades, são tidos em alta conta pelo investidor que deseja entrar e sair rapidamente dos mercados— portanto esses dados são muito mais importantes do que qualquer outro indicador mais abrangente, porém só divulgado com alguma demora. Os investidores gostam de reagir imediatamente às notícias.”

 

Todavia, o investidor pode também demorar algum tempo para digerir esse número. O cenário de vendas ao varejo pode ficar destorcido, por exemplo, em decorrência de um aumento nos preços da gasolina. Portanto, o relatório não registra as vendas de gasolina, indicando apenas o consumo do varejo, mas sem computar a gasolina. “O preço da gasolina caiu nas últimas semanas, mas continua mais alto do que há um ano. A gasolina cara funciona como uma espécie de imposto para o consumidor. Ele o priva de dinheiro que poderia ser gasto em outras coisas”, observa Baumohl.

 

“Outra coisa que precisa ser levada em conta no momento em que o número do varejo é divulgado é que ele, não raro, é influenciado pelas compras de automóveis e de autopeças. Um quarto de todas as aquisições feitas no varejo referem-se a veículos e produtos relacionados. Portanto, muitos investidores e economistas subtraem também esse número do total de vendas ao varejo.”

 

Vendas ao varejo em época de fim de ano

Quando os números de vendas ao varejo são divulgados, os investidores já têm uma boa idéia do que significou o período de festas de novembro a dezembro, à medida que os varejistas divulgam individualmente os resultados obtidos. “Por enquanto, parece que as vendas foram boas. Por causa dos descontos, os consumidores gastaram mais; porém, em termos de dólares, o aumento verificado não será muito expressivo. O aumento no volume de vendas durante as festas talvez seja 3% maior do que no mesmo período do ano anterior, o que corresponde aproximadamente à mesma taxa de inflação.”

 

“Por causa dos descontos, as margens foram mais magras do que as lojas gostariam que fossem. Os lojistas temiam, porém, que as pessoas não gastassem muito se não fossem dados descontos. Na verdade, as vendas do período de Ação de Graças nas lojas de departamentos caíram perceptivelmente, o que deixou muito intranqüilas algumas das principais cadeias de lojas. O Wal-Mart foi um dos primeiros a perceber isso, e determinou o corte imediato dos preços em suas lojas. Outras lojas passaram a fazer o mesmo e, com isso, conseguiram atrair os consumidores novamente, o que salvou o período de festas de ser uma decepção completa.”

 

“Portanto, aguardamos agora o número de vendas ao varejo. Enquanto isso, algumas reflexões importantes pedem respostas: os consumidores estariam financeiramente preparados para continuar a gastar, e gastando de um modo que permitirá à economia crescer? Crescem as evidências de que a economia esteja, na verdade, em lenta desaceleração. Há quem espere gastos anêmicos por parte dos consumidores nos próximos três meses. A renda das famílias não acompanhou inteiramente a inflação. Durante um ano, os gastos do consumidor foram superiores à sua renda, uma situação que não pode continuar indefinidamente. Os consumidores parecem estar bastante endividados, e já começa a ser motivo de preocupação o fato de que a poupança doméstica está hoje próxima de zero; além disso, não há nenhum fundo de emergência a que recorrer para o pagamento das dívidas. Por fim, num clima de taxas de juros em elevação, o pagamento de empréstimos contraídos para a aquisição de veículos, emissões de ações e hipotecas diversas também ficarão mais caros.”

 

“Quando se avalia a influência de todos esses fatores sobre as finanças domésticas, cresce a expectativa de que os gastos do consumidor devem desacelerar nos próximos dois ou três meses, de modo que ele possa restaurar o equilíbrio do orçamento doméstico. Dezembro talvez seja realmente o último mês com bom nível de consumo durante algum tempo”, assinala Baumohl.

 

Principais indicadores

Quais seriam os indicadores mais importantes e que devem ser monitorados? Baumohl esclarece: “Se você trabalha sobretudo com ações, fique de olho nos indicadores de vendas e lucros corporativos. São esses os indicadores que afetarão os preços das ações. Dentre eles, destacam-se os números relativos ao nível de emprego, gastos pessoais e vendas ao varejo.  A venda de imóveis residenciais novos ou usados é um bom indicador do gasto do consumidor. A lógica por trás desse raciocínio é que quando alguém compra uma casa nova, compra também mobília, eletrodomésticos e carros.

 

“Os investidores devem monitorar também os indicadores econômicos internacionais. O comércio responde por 25% da economia americana. A maior parte das empresas do S&P 500 depende das vendas externas para a realização de lucros e receitas. Cerca de dois em cada dez trabalhadores nos EUA executam atividades relacionadas com o comércio internacional”, esclarece Baumohl. Entre os indicadores estrangeiros vale a pena examinar dois levantamentos sobre confiança nos negócios: o IFO Business Survey, alemão, e o Tankan Survey, japonês, bem como o levantamento da Produção Industrial da China, que avalia mês a mês as mudanças verificadas na produção industrial do país.

 

“Se você for um cidadão de mais idade preocupado com o que possa acontecer ao mercado de títulos, procure indicadores que ofereçam pistas sobre a perspectiva de inflação e taxas de juros. O relatório do nível de emprego é também uma boa referência neste caso. Quando há mais gente trabalhando, há mais gastos, a economia cresce mais rapidamente, o que pode levar a um aumento da inflação mais adiante. Isso não é nada bom para o mercado de títulos, porque quando a economia aquece demais, as taxas de juros sobem e achatam os preços das ações.”

 

“Esse seria exatamente o quadro se a economia já estivesse operando a todo vapor. Um alto índice de emprego não será motivo de preocupação para o mercado de títulos se a economia estiver saindo de uma recessão. Contudo, estamos atualmente bem no meio de um ciclo econômico, portanto um índice de emprego muito sólido pode causar algum tumulto no mercado de títulos.”

 

Outros indicadores a observar seriam os índices de preços ao produtor e ao consumidor, que medem a inflação e são calculados pelo Departamento do Trabalho, além do levantamento da atividade fabril calculado pelo Instituto de Gestão de Suprimentos com base no relatório mensal feito pelos gerentes de compras. Divulgado no primeiro dia de negócios depois do relatório mensal, “é a primeira notícia sobre a economia que se tem todo mês e a estatística mais influente divulgada pelo setor privado”.

 

Indicadores para CEOs

“Os líderes de empresas devem se preocupar com um conjunto de indicadores diferente daqueles observados pelos investidores no momento de tomar decisões”, explica Baumohl. “Eles precisam saber em que momento investir em instalações e equipamentos, quando expandir, quando levantar capital, quando contratar. Seu principal objetivo é saber como se comportará a economia no futuro. Eles querem ter certeza de que a economia continuará saudável antes de contratar mais gente.”

 

Dois dos principais indicadores para os executivos de negócios seriam o índice de casas em construção e o volume de permissões para construções futuras, ambos levantados pelo Escritório do Censo. “A lógica aqui é que se as empresas estão construindo novos imóveis residenciais, é porque acreditam que as pessoas comprarão esses imóveis e que as taxas de garantias hipotecárias serão suficientes para atender aos compradores. Inúmeras outras indústrias gravitam em torno da construção civil”, assinala Baumohl.

 

Baumohl observa que, em 2004, “parece ter havido um número recorde de vendas de casas novas e já existentes. Os preços das casas também subiram a um ritmo mais acelerado do que a taxa de inflação. No momento, tudo indica que as taxas de juros subirão um pouco em 2005, o que repercutirá também no aumento das taxas de hipotecas. Com a elevação das taxas de hipoteca e dos preços dos imóveis, a aquisição de casas em 2005 se tornará mais difícil. Se somarmos a isso um crescimento pálido no índice de emprego, o que se verá é um crescimento praticamente nulo nas vendas de casas este ano.”

 

Na quinta-feira, 13 de janeiro, dois indicadores econômicos foram anunciados: as vendas no varejo referentes ao mês de dezembro de 2004 e os pedidos de auxílio-desemprego correspondentes à semana que findou em 8 de janeiro. As vendas no varejo subiram mais que o esperado (1,2% em relação a novembro e 8,7% em um ano), mas os pedidos de auxílio-desemprego também aumentaram (para 367.000 na semana que se encerrou em 8 de janeiro). A Knowledge@Wharton perguntou a Bernard Baumohl o que esses números podem significar para os investidores.

 

Knowledge@Wharton: Os preços das ações caíram, porém os preços dos títulos subiram. O que está acontecendo?

 

Baumohl: Foi um dia difícil para o mercado acionário. Os investidores tiveram de digerir várias notícias e concluíram que o resultado foi negativo em termos de lucros futuros das empresas e de crescimento econômico. A maior preocupação foi que o preço do petróleo subiu pelo terceiro dia consecutivo e está no patamar mais alto das últimas seis semanas. Ao chegar a US$ 48 o barril no mercado de futuros em Nova York, o preço do petróleo bruto gerou medo de que a alta de outubro, de US$ 50 em média, pudesse se repetir em breve. Preocupações com a eleição no Iraque, mais sabotagens de insurgentes naquele país, a decisão da OPEP de cortar a produção e as novas previsões de um inverno rigoroso no Noroeste elevaram ao máximo os preços do petróleo. A perspectiva de aumento nos preços da energia eleva os custos das empresas, ao mesmo tempo que inibe o consumo. Se os americanos tiverem de pagar mais pela gasolina e pelo óleo de calefação, haverá menos dinheiro disponível para gastar com outros itens como roupas, cinema, restaurantes, férias e livros. Assim, além do aumento nos custos de produção, as empresas vêem suas receitas despencarem, pois os consumidores gastam uma parcela maior de seu dinheiro com energia. Essa dupla catástrofe — lucros menores e queda de consumo — pode desacelerar a atividade econômica nos próximos meses. Isso é bom para os que negociam no mercado de títulos, pois esse cenário significa que há menos inflação com que se preocupar. O mercado de títulos ganhou ainda um novo impulso com o inesperado aumento nos pedidos de seguro-desemprego. O relatório mostrou que esse número saltou para 367.000 com os 10.000 novos pedidos da semana que se encerrou em 8 de janeiro, e isso depois de um aumento de 36.000 pedidos na semana anterior (os números relativos à semana que se encerrou em 1o de janeiro são ligeiramente diferentes daqueles originalmente informados porque foram revistos). Esses números indicam que as empresas ainda estão muito receosas de contratar novos trabalhadores. Se essa tendência continuar, o consumo será ainda mais inibido. Em conseqüência, os negociantes oferecem preços mais altos pelos títulos, o que faz com que o rendimento caia.”

 

Knowledge@Wharton: Então os varejistas tiveram uma boa temporada de festas? Ou, como você sugeriu antes, o aumento nas vendas no mês de dezembro esconde pequenas margens por causa de todos estes fatores?

 

Baumohl: As vendas no varejo subiram 1,2% em dezembro, o maior aumento em três meses. Impressionante, você diria, especialmente quando se leva em conta que as vendas de novembro aumentaram apenas 0,1%. Mas as lojas realmente têm pouco a comemorar. O número das manchetes indica claramente que os compradores foram muito parcimoniosos em dezembro. Eles só abriram a carteira para as verdadeiras pechinchas. Desta vez as grandes pechinchas ocorreram no setor automobilístico. Após as fracas vendas de carros e caminhonetes no mês de novembro, as grandes montadoras fizeram promoções em dezembro para atrair compradores para os showrooms. A estratégia funcionou e desencadeou uma onda de vendas de fim de ano: as compras de carros e caminhonetes atingiram a cifra anual de 18,4 milhões, a maior em três anos! Como as vendas de veículos motorizados normalmente representam cerca de um quarto de todas as vendas no varejo, não é de surpreender que elas elevassem o total do mês em 1,2%. Contudo, se tirarmos desse total a parcela correspondente aos automóveis, o aumento das vendas no varejo cairá para 0,3%, um valor muito mais modesto. E os varejistas só conseguiram ver esta cifra porque os preços do petróleo caíram em dezembro e os motoristas gastaram 2% menos para encher o tanque de seus carros. Isso liberou mais de US$ 100 bilhões, que puderam ser usados para comprar outras coisas. Todos esses fatores reduzirão as margens de lucro, e essa é uma outra razão por que os investidores em ações estavam de péssimo humor na quinta-feira.

 

Knowledge@Wharton: Por fim, você ainda mantém sua análise anterior de que dezembro provavelmente seria o último mês de fortes vendas no varejo por um bom tempo?

 

Baumohl: Sim. O que sustenta o consumo e as vendas no varejo é, acima de tudo, a renda familiar. Para que essa renda aumente em um ritmo saudável, a economia precisa gerar mais empregos. O relatório de dezembro sobre os índices de emprego e os números de quinta-feira sobre os pedidos de seguro-desemprego não foram nada animadores. Continuo a acreditar que as famílias sofrerão cada vez mais pressão financeira no primeiro semestre de 2005. Os níveis de endividamento do consumidor são altos e as taxas de juros estão subindo. As taxas da poupança estão próximas de zero. Com isso, as vendas no varejo vão sofrer. As vendas e os cortes de preços terão de ser mais agressivos para atrair os americanos às lojas nos próximos meses.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

Close


Para uso pessoal:

Por favor, use as seguintes citações para referências de uso pessoal:

MLA

"O que os números significam realmente? Descobrindo os segredos dos indicadores econômicos." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [09 February, 2005]. Web. [21 September, 2018] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-que-os-numeros-significam-realmente-descobrindo-os-segredos-dos-indicadores-economicos/>

APA

O que os números significam realmente? Descobrindo os segredos dos indicadores econômicos. Universia Knowledge@Wharton (2005, February 09). Retrieved from http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-que-os-numeros-significam-realmente-descobrindo-os-segredos-dos-indicadores-economicos/

Chicago

"O que os números significam realmente? Descobrindo os segredos dos indicadores econômicos" Universia Knowledge@Wharton, [February 09, 2005].
Accessed [September 21, 2018]. [http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/o-que-os-numeros-significam-realmente-descobrindo-os-segredos-dos-indicadores-economicos/]


Para fins Educacionais/Empresariais, use:

Favor entrar em contato conosco para usar com novos propósitos artigos, podcasts ou vídeos através do nosso formulário de contato para licenciamento de conteúdo. .

 

Join The Discussion

No Comments So Far