Parceria do Facebook com o PayPal: Quem será o maior beneficiado?

A parceria do Facebook com o PayPal, anunciada na semana passada, permitirá aos usuários do Facebook Messenger associar a ele sua conta do PayPal e mandar e receber dinheiro sem sair do site. Contudo, além desse recurso aparentemente inócuo, há uma estratégia engenhosa de sobrevivência bem articulada por parte de ambas as empresas, diz Z. John Zhang, professor de marketing da Wharton.

Muita coisa depende do desempenho das empresas, isto é, de saberem integrar o serviço facilitando sua utilização para os usuários, diz Jennifer Golbeck, diretora do Laboratório de Inteligência Artificial e professora de estudos de informações da Universidade de Maryland. O Facebook poderá “impulsionar as pessoas na direção dessa ideia, ou seja, de que ali é um lugar perfeitamente comum para esse tipo de operação monetária”. Ambos os especialistas também veem a parceria como exemplo da “grande convergência” que vem ocorrendo no mundo digital e possível precursora de outras grandes aquisições.

Zhang e Goldbeck discorreram sobre a parceria entre o Facebook e o PayPal no programa da Knowledge@Wharton na Wharton Business Radio, canal 111 da SiriusXM.  

Seguem abaixo cinco conclusões da discussão:

Uma estratégia inteligente de sobrevivência: Zhang diz que o negócio inspira bons presságios tanto para o Facebook quanto para o PayPal. “Na atual era da Internet, é muito difícil sobreviver”, diz ele. “O fato de que o Twitter está encolhendo é uma boa lição a ser aprendida.” A base de usuários do Twitter crescerá apenas 2% este ano, em vez dos 8% previstos anteriormente pela eMarketer, empresa de serviços de pesquisa em tecnologia digital. Com o PayPal a reboque, o Facebook se torna “indispensável, e sua possibilidade de sobrevivência se estende por muito tempo”, diz Zhang. Além disso, a posição do PayPal no mercado se torna um pouco mais segura devido a esse acordo, acrescentou. “No mínimo, o Facebook não teria o incentivo de desenvolver um sistema próprio de pagamento a esta altura.”

Quem é o Grande Vencedor? Imediatamente, o PayPal, embora o Facebook possa também lucrar com a “atenção extra” que receberá graças ao acordo, diz Golbeck. A parceria é um “grande passo” para o PayPal porque “de repente, a plataforma se vê associada a um bilhão a mais de pessoas que poderá usá-la”, diz. Ela observa que a carteira digital Venmo, do PayPal, já é popular entre os millennials.

O Facebook também se beneficiará, na medida em que “manterá as pessoas mais ativas” com um novo recurso de pagamento, diz Golbeck. “Se nós dois estivermos conversando pelo Facebook Messenger, posso lhe enviar dinheiro oriundo do PayPal pelo Messenger.” Contudo, muita coisa dependerá das pessoas, isto é, de pararem de usar o aplicativo Venmo, do PayPal, e começarem a usar o Facebook para direcionar seus pagamentos, acrescentou.

O número de usuários do PayPal poderá “explodir tremendamente” ─ no caso, a plataforma teria de correr atrás de um novo contingente imenso de usuários. “O PayPal quer se tornar o canal pelo qual as pessoas enviam dinheiro, e para isso precisam de um parceiro social”, diz ela. Como o Facebook Messenger lida com mais de um bilhão de mensagens por mês, “o potencial é fantástico”, diz Zhang. “É uma questão apenas de converter as pessoas que estão no Messenger tornando-as usuárias da função oferecida pelo PayPal ─ é isso o que o PayPal precisa fazer.”

Uma “grande convergência”: “Toda empresa de Internet está se tornando um Facebook, um Google e uma Amazon”, diz Zhangh. “Elas estão se insinuando nos negócios umas das outras ─ há uma grande convergência.” A parceria com o PayPal permitirá ao Facebook “se envolver em todo tipo de negócio”, acrescentou.

“A grande convergência se dará pelo lado da empresa e do consumidor”, disse Zhang. “Do lado do consumidor, tudo será feito através do smartphone. Do lado da empresa, o desafio consistirá em aumentar a escala, alavancar a base de clientes e entrar em todo tipo de negócio.” Zhang observa que os recursos de pagamentos nas mídias sociais são comuns na China ─ o Alibaba tem o Alipay, e a Tencent também tem um recurso próprio.

Encaixe estratégico com o Facebook: para o Facebook, o acordo se encaixa bem com seu novo recurso, o Marketplace, lançado no dia 3 de outubro, onde os usuários podem vender e comprar produtos, diz Golbeck. Trata-se de um modelo popular na China, onde as transações ocorrem nas mídias sociais, acrescentou. “Uma coisa que o Facebook precisa nesse sentido é de um sistema financeiro sólido que possa lidar com todas as questões regulatórias e outras com as quais a empresa provavelmente não deseja mexer.”

Para Golbeck, “o Facebook que ser o único lugar onde você possa ir quando estiver online e ali mesmo fazer tudo o que quiser”. Ela observa que o Facebook já testou vários recursos ao longo dos últimos anos “para ver qual eles ‘cola'”. A empresa testou algumas versões diferentes do seu recurso Marketplace, algumas maneiras diferentes de comprar com o Facebook, bem como alguns recursos de pagamentos.

“A empresa não vai simplesmente introduzir o recurso todo de uma vez só. Ela vai testar pequenas partes dele e usar essa experiência para elaborar um modelo maior que reunirá todas as partes testadas”, disse Golbeck a respeito da estratégia do Facebook. Ela espera que a empresa revele em breve um novo recurso de comércio eletrônico onde será mais fácil para as empresas criar lojas e para o usuário fazer suas compras.

Prenúncio de outros grandes acordos? Poucas empresas, com exceção da Apple e do Facebook, têm apetite financeiro para grandes negócios, porém Golbeck e Zhang especulam a respeito de algumas possibilidades. Golbeck diz que ela não ficaria surpresa se o Facebook comprasse o PayPal em algum momento. “No fim das contas, é o que o Facebook quer ─ a empresa não quer que o usuário vá para outro aplicativo ou outro site para fazer seus pagamentos”, acrescentou. (O PayPal anunciou recentemente que tinha 192 milhões de usuários ativos em setembro. O Facebook diz que tem 1,7 bilhão de usuários ativos ao mês, de acordo com dados de junho).

Na China, o Alibaba está entrando no segmento bancário, diz Zhang, que é também diretor do Penn Wharton China Center. “Com base nesse tipo de comportamento, também a Amazon, peso pesado do varejo, deve estar pensando em comprar uma empresa de networking social”, diz Golbeck. A AT&T, agora ocupada com a aquisição da Time Warner, deverá também “entrar nesse jogo” disputado no espaço das mídias sociais, explica Zhang.

A Amazon poderá também comprar o Twitter e fazer dele seu parceiro social, diz Golbeck. Zhang concorda e observa que “muitos investidores devem estar pensando nesse negócio”.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Parceria do Facebook com o PayPal: Quem será o maior beneficiado?." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [02 November, 2016]. Web. [28 May, 2020] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/parceria-facebook-com-o-paypal-quem-sera-o-maior-beneficiado/>

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Parceria do Facebook com o PayPal: Quem será o maior beneficiado?. Universia Knowledge@Wharton (2016, November 02). Retrieved from http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/parceria-facebook-com-o-paypal-quem-sera-o-maior-beneficiado/

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"Parceria do Facebook com o PayPal: Quem será o maior beneficiado?" Universia Knowledge@Wharton, [November 02, 2016].
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