Por que a Anheuser-Busch InBev precisa da SABMiller para continuar a crescer

A compra pela Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, de sua rival mais próxima, a SABMiller, faz sentido porque a Anheuser-Busch precisava de uma aquisição de grande porte para dar suporte ao crescimento de suas receitas e sua expansão em mercados emergentes, disse Arash Massoudi, correspondente para assuntos de fusão e aquisição (M&A) e de finanças corporativas do Financial Times de Londres.

Massoudi discutiu o assunto durante o programa de rádio da Knowledge@Wharton antes da finalização do negócio. O programa da Knowledge@Wharton vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia (EST), na Wharton Business Radio, canal 111 da SiriusXM.

De acordo com Massoudi, houve muita especulação nos últimos 12 meses sobre a preparação em curso na Anheuser-Busch para mais uma aquisição, especialmente depois que a empresa reduziu sua dívida e cumpriu as metas previstas em seu balanço patrimonial nos últimos seis anos.

“O negócio da Anheuser-Busch InBev é cerveja, portanto se a empresa for sair em busca de possíveis alvos de compra, bem poucas despertariam seu interesse, e a maior delas é a SABMiller”, disse. “A Heineken, fabricante rival, é uma empresa familiar, enquanto a Carlsberg está metida em sérias confusões com sua exposição na Rússia e em alguns mercados emergentes. Portanto, a SABMiller seria o alvo mais viável para a Anheuser-Busch InBev.”

Pelos termos da operação, a Leuven, empresa do grupo Anheuser-Busch InBev na Bélgica, comprará a SABMiller, com sede em Londres, por cerca de US$ 106 bilhões. Num lance cujo objetivo é facilitar a aprovação do negócio pelos órgãos regulatórios, a SABMiller venderá sua participação de 59% na MillerCoors dos EUA a sua sócia em uma joint venture, Molson Coors Brewing, por US$ 12 bilhões. A Anheuser-Busch InBev informou que espera com isso economias anuais antes da incidência de impostos de US$ 1,4 bilhão por volta do quarto ano depois de concluída a fusão.

Comprar e crescer

As aquisições têm sido o principal motor de crescimento da Anheuser-Busch InBev. Em 2004, a Interbrew da Bélgica e a AmBev do Brasil se fundiram tornando-se o principal produtor de cerveja do mundo. Nos dois anos seguintes, outras compras ajudaram a Anheuser-Busch a se tornar a terceira maior fabricante de cerveja na China e a ampliar sua presença na América Latina. A InBev e a Anheuser-Busch se fundiram em 2008 num negócio de US$ 52 bilhões para criar a empresa atual.

Massoudi atribuiu esse ímpeto de crescimento a estratégias da companhia brasileira de investimentos 3G Capital, dona de uma participação na Anheuser-Busch InBev e que adquiriu anteriormente a rede de fast food Burger King e Tim Hortons. “São pessoas que sabem fazer negócios”, disse Massoudi. “Eles são incrivelmente bons na gestão de operações eficientes, mas sempre se esforçaram para mostrar crescimento nas aquisições feitas. Portanto, inevitavelmente, quando o crescimento começa a minguar, eles procuram outro alvo […] daí a necessidade de aquisições constantes.”

A aquisição da SABMiller também é importante para a Anheuser-Busch InBev num momento em que a empresa se vê diante da concorrência cada vez maior das microcervejarias de cerveja artesanal, disse Massoudi. “Eles são donos de centenas de marcas no mundo inteiro, mas não possuem algumas das microcervejarias artesanais mais descoladas e cuja popularidade vêm crescendo nos EUA, no Reino Unido e na Europa”, acrescentou. “As Bud Lights do mundo perderam o apelo que tinham junto aos consumidores, cujo paladar é cada vez mais sutil.” Os esforços da Anheuser-Busch InBev para introduzir marcas artesanais próprias, como a Bud Lime, geraram ganhos limitados.

Diante de tudo isso, “parte da ação aqui consiste em entrar mais decididamente nos mercados emergentes onde as marcas da Anheuser-Busch InBev talvez ainda tenham um toque de classe e onde poderão crescer”, disse Massoudi. “Nos mercados desenvolvidos, seu crescimento começa a minguar.”

No ano fiscal de 2014, as receitas da Anheuser-Busch InBev foram de US$ 47 bilhões, e de US$ 22 bilhões na SABMiller. Entre as principais marcas da Anheuser-Busch InBev constam a Budweiser e a Corona, ao passo que na SABMiller as marcas mais importantes são Fosters e Miller.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Por que a Anheuser-Busch InBev precisa da SABMiller para continuar a crescer." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [30 November, 2015]. Web. [25 May, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/por-que-a-anheuser-busch-inbev-precisa-da-sabmiller-para-continuar-a-crescer/>

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