Por que o risco de “círculo vicioso” nos bancos italianos pode sepultar a zona do euro

Oito anos depois da crise financeira mundial, a economia italiana continua frágil e os bancos do país têm uma alta taxa de empréstimos questionáveis, ou de amortização duvidosa, de cerca de 18%. A França, em comparação, tem uma taxa de 5% e o Reino Unido, de 1,5%. Uma vez que a Itália é a terceira maior economia da zona do euro, um surto de calotes ou uma corrida aos depósitos bancários poderia se espalhar rapidamente pela zona do euro, onde há vários bancos em dificuldade, em parte devido à taxa recorde de juros baixos que reduzem as margens de lucros. Além disso, as empresas da Europa dependem muito mais dos empréstimos bancários do que suas congêneres americanas, portanto se há bancos em dificuldades isso significa que até mesmo empresas bem-sucedidas estão diante de um arrocho do crédito.

Isso tem suscitado temores de que haja um “círculo vicioso”, uma vez que a possibilidade de quebra do sistema bancário italiano pode exigir que o governo intervenha para salvá-lo num momento em que o país já está extremamente endividado em cerca de 135% do PIB. Além disso, já existe uma relação financeira incestuosa entre os dois ― os bancos italianos investiram pesadamente em títulos da dívida do governo italiano. A coisa se complica ainda mais porque desde janeiro novas regras exigem que os bancos europeus recorram aos acionistas e portadores de títulos ―isto é, eles devem usar os fundos internos do banco para recapitalizar  um banco que esteja em dificuldades ― antes que ocorra qualquer espécie de socorro financiado pelo contribuinte. Contudo, na Itália, muitos detentores de títulos são, na verdade, pequenos investidores que, ludibriados, compraram títulos bancários achando que seriam tão garantidos quanto depósitos segurados, explica Franklin Allen, professor emérito da Wharton e professor de finanças do Imperial College de Londres. Se o pequeno investidor se sentir prejudicado, isso poderia levar a uma corrida aos bancos e deflagrar uma crise de grandes proporções. Na entrevista a seguir da Knowledge@Wharton, Allen analisa o quadro geral tomando por base os bancos italianos em situação de risco, avalia as chances de que surjam problemas de vulto e observa de que maneira as autoridades podem evitar uma nova crise financeira de grande porte.

Segue abaixo a versão editada da entrevista:

Knowledge@Wharton: Uma nova regra aprovada pelo Banco Central Europeu que passa a vigorar no ano que vem autoriza a recorrer aos acionistas e portadores de títulos da dívida para recapitalização antes de recorrer aos contribuintes em busca de socorro financeiro. Trata-se de uma espécie de “reestruturação interna”, diferentemente do que ocorreu depois da crise financeira quando os EUA ― e muitos países europeus ― socorreram seus bancos usando o dinheiro do contribuinte. Contudo, muitos dos portadores de títulos da dívida na Itália são pequenos investidores. Eles são parecidos com os pequenos depositantes dos EUA. Os pequenos portadores de títulos na Itália acharam que comprar títulos seria um investimento seguro. Eles talvez não soubessem da situação financeira precária em que se encontram os bancos devido aos empréstimos de amortização duvidosa em seu poder. Você concorda com essa avaliação? Quais são os riscos desses portadores de títulos de repente entrarem em pânico se souberem da situação de fragilidade dos bancos e deflagrarem uma corrida até eles para sacar seus depósitos?

Franklin Allen: Concordo inteiramente que esse é um assunto muito importante e acho que passa despercebido para muita gente alheia ao setor financeiro. Quem milita nesse segmento sabe que se trata de um possível problema existencial para a União Europeia. A razão disso é que os bancos europeus são muito grandes e se tiverem de ser socorridos pelo contribuinte, isso exigiria grandes somas de dinheiro. Contudo, o problema é que o governo italiano já está terrivelmente endividado, portanto, ocorre o que as pessoas chamam às vezes de “círculo vicioso” entre os bancos e o Estado. Esse é o quadro geral.

Você disse muito bem que sob as novas regras ― a Diretiva de Recuperação e Resolução dos Bancos da União Europeia ― os bancos devem recorrer aos acionistas e aos portadores de títulos da dívida antes de obter financiamento do Estado. Isso é complicado porque é como se os pequenos investidores tivessem adquirido um produto inadequado. Em outras palavras, é como se não tivessem lhes contado a verdade a respeito do produto que compraram. Em muitos casos, eles achavam que estavam comprando algo equivalente aos depósitos segurados. Contudo, esse tipo de dívida subordinada, e outros, não funciona assim. Existe a possibilidade de que se faça a reestruturação interna da dívida [sem recorrer ao contribuinte].

Todo o mundo está de acordo, creio eu, que é muito bom recorrer aos acionistas, mas é complicado recorrer a esses pequenos portadores de títulos. Politicamente, isso constitui um grande problema para o governo do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. Houve um caso no final do ano passado em que quatro pequenos bancos foram socorridos com reestruturação interna e o mesmo problema ocorreu aí: muitos não sabiam o que tinham.

Houve o caso trágico de um pensionista aposentado que perdeu as economias de toda a vida e, amargurado, se suicidou. O caso ganhou enorme publicidade, conforme era de esperar. Mas eu acho que você tem razão. Ainda há muita gente que não compreende o que tem. Parece que se houver reestruturação, o governo italiano recompensará os pequenos poupadores que têm esse tipo de dívida. No entanto, voltamos ao seguinte problema: será que eles podem fazê-lo? E quem, exatamente, será recompensado? Será que voltarão atrás e pagarão as pessoas nos bancos que foram afetadas pela reestruturação no ano passado? Até onde se estenderá esse processo?

Knowledge@Wharton: Se a coisa ganhar escala, se eles não forem capazes de contê-la em nível local, isso dará margem a todo tipo de coisa com que as pessoas vêm se preocupando nos últimos anos desde a última crise financeira, que é essa ideia de risco sistêmico. Isso poderia atingir outros bancos europeus que estejam passando por tempos difíceis e que teriam dificuldades de lidar com grandes desafios. Um deles em particular é o Deutsche Bank. Você poderia falar sobre o risco de contágio sistêmico e o Deutsche Bank em especial?

Allen: Na Itália, há vários bancos com problemas. O Banca Monte dei Paschi di Siena, que é o banco mais antigo do mundo (sua fundação data do século 15), foi socorrido já por duas vezes mas ainda continua na corda bamba. A primeira pergunta que se faz é a seguinte: o que acontecerá a ele? Ele é o terceiro banco da Itália, portanto é um banco de peso. O banco não é grande no sentido que são grandes os bancos mundiais. O banco que tem importância global na Itália é o UniCredit, com operações em muitas outras partes da Europa e no resto do mundo. O preço de suas ações sofreu uma queda significativa desde o início do ano. Isso quer dizer que as pessoas estão preocupadas com as questões de que vimos tratando, isto é, os empréstimos de amortização duvidosa e o modo pelo qual o governo lida com eles se incorrerem em problemas.

Creio que se houver uma crise generalizada, principalmente se ela atingir o UniCredit, os outros bancos europeus também enfrentarão problemas. Acho que o Deutsche Bank apresenta sinais de que pode ter problemas. A natureza do seu negócio é de tal ordem que as taxas de juros muito baixas e o fato de que não há muita diferença entre as taxas de longo prazo e as de curto prazo é um problema para eles por causa do seu modelo de negócio. Portanto, é possível que haja algum contágio.

Uma vez deflagrado tal contágio, é difícil parar porque não acho que as pessoas compreendam o que se passa, por isso ficarão surpresas com as novas regras de reestruturação interna. Isso, por si só, causará problemas substanciais tanto para os pequenos investidores e, possivelmente, para os investidores institucionais também.

Knowledge@Wharton: As novas regras de reestruturação interna têm boa intenção. Não queremos socorros financeiros financiados pelo contribuinte conforme tivemos da última vez. Contudo, o BCE está segurando firme a rédea numa época em que a instituição poderia ter dito, por exemplo: “Seremos o emprestador de última instância se a Itália se meter realmente em dificuldades. Na verdade, não é nosso desejo socorrer financeiramente o país. Contudo, não permitiremos que a coisa se espalhe além da fronteiras da Itália.” No entanto, são exatamente essas reestruturações [que o BCE disse que aplicará] que poderão levar à corrida aos depósitos e ao risco sistemático de ultrapassar a fronteira. Você poderia explicar por que esse desejo de aplicar com rigor essas regras ― embora sem alguma flexibilidade isso possa levar exatamente ao problema que estão tentando evitar?

Allen: Acho que é ainda mais complicado do que você acabou de expor porque a outra parte em tudo isso são as autoridades de concorrência em Bruxelas, já que um dos aspectos do fornecimento de socorro financeiro que usa recursos do governo é que tal procedimento é considerado auxílio injusto proporcionado pelo Estado a essas empresas, o que é algo fora de cogitação na UE.

Além do BCE, há vários envolvidos aqui ― os governos nacionais, a comissão e as autoridades de concorrência. Trata-se de um conjunto bastante complexo de problemas, e eu acho que muitas das partes envolvidas ainda têm aquela mentalidade de macroeconomistas, isto é, de que os problemas ocorrem quando há um grande choque macroeconômico ou algum problema macroeconômico de porte.

Vários governos estão dizendo: “Devemos nos ater às regras e não resolver esse problema.” Agora é possível que as coisas aconteçam porque não parece se tratar de um problema sistêmico. Contudo, acho que os problemas sistêmicos podem surgir de lugar nenhum ou de pequenos começos e tomarem conta da situação bem depressa. Foi o que vimos quando da crise financeira. Acho que esse problema com os bancos italianos tem esse potencial, por isso é tão preocupante e tão significativo.

Knowledge@Wharton: Esses também são problemas nos quais a economia e as finanças se cruzam com a política. Na Itália, há o Movimento Cinco Estrelas, um partido político em ascensão que defende a realização de um referendo para a permanência do país na zona do euro. Se o contribuinte tivesse de socorrer os bancos italianos, isso seria ruim para Renzi. Ao mesmo tempo, poderia significar que o Cinco Estrelas poderia se sair bem nas eleições de outono e introduzir uma resolução para que a Itália deixe a UE, o que seria algo muito sério. Não seria uma ameaça apenas para o sistema financeiro na Europa, mas pra todo o sistema da UE.

Allen: A situação política da Itália é complexa. O país fará um referendo em outubro sobre a reforma da constituição, que mudará efetivamente, e de forma drástica, o modo como seu sistema político funciona. Se aprovado, o referendo mudará esse quadro de forma significativa acabando de vez com a câmara alta [o senado]. As últimas sondagens que vi davam o Cinco Estrelas na frente. Nas eleições para os governos locais, os candidatos do Cinco Estrelas foram bem-sucedidos em Roma e Turim, além de vários outros lugares.

Não está claro de modo algum a esta altura o que acontecerá no referendo. Renzi disse que renunciará se não conseguir os resultados que deseja. Ele está tentando, de algum modo, recuar atualmente da posição tomada. Há, porém, toda uma série de eventos voláteis. Se o referendo conseguir catalisar o voto de protesto das pessoas, o que parece acontecer com frequência nesses referendos na UE, ele poderá perder e se ver obrigado a convocar eleições. Se ele não o fizer, as eleições virão e o Movimento Cinco Estrelas tem chances de se sair bem.

Embora eu não creia que eles tentem fazer o referendo com a intenção de sair da União Europeia, é possível que façam um referendo sobre a saída do país da zona do euro. Creio que, de modo geral, é bastante evidente que vários dos problemas da Itália e a falta de crescimento do país durante muitos anos é consequência da filiação do país à zona do euro. Isso é uma coisa que tem grandes ramificações no mundo todo. Esse é um motivo para se preocupar com o que se passa na Itália atualmente.

Knowledge@Wharton: O que aconteceria se a Itália saísse da zona do euro?

Allen: Grécia e Portugal são países muito pequenos, e seu PIB corresponde a uma pequena proporção do total da zona do euro, mas a Itália, obviamente, é um país grande e com uma dívida elevada. Se o país saísse da zona do euro, as consequências seriam de enorme repercussão. Trata-se de uma coisa muito mais séria do que a que aconteceu na Grécia nos últimos anos. Essa é a razão pela qual tanta gente do setor financeiro se preocupa com o que está acontecendo na Itália neste momento.

Knowledge@Wharton: Vamos retomar as possíveis soluções para o problema financeiro de que falamos. Neste momento, o BCE mantém-se firme em sua posição, e o governo italiano pede a ele que dê algum tipo de garantia e não imponha a reestruturação interna. Há um compromisso aqui? Ou se estourar alguma crise financeira existe algo que possa ser feito para contê-la rapidamente? [o Financial Times informou em 21 de julho que Mario Draghi “agora defende um socorro público para os problemáticos bancos italianos ’em circunstâncias excepcionais…'” Contudo, por enquanto, Renzi e as autoridades da UE não foram capazes de fechar um “acordo de ajuda do governo para os credores do país ― sobretudo para o Monte dei Paschi di Siena”].

Allen: Creio que o que deverá acontecer, e que está sendo discutido, é que haverá uma reestruturação interna. Esta será seguida pelos pequenos investidores e talvez os investidores institucionais sejam compensados pelas perdas por terem sido levados a adquirir um produto inadequado. Essa é a justificativa para os pequenos investidores.

Para os investidores de maior porte, creio que tal estratégia resultará em problemas porque, basicamente, eles se retirarão de muitos dos mercados de dívida subordinada e outros tipos de dívida com os bancos. E aí a tentativa de socorrê-los também será problemática. Portanto, acho que tentarão e farão algo parecido e aí veremos como as coisas se resolverão. Contudo, existe o potencial de que se torne algo grande bem depressa. Se isso acontecer, é possível que o governo italiano simplesmente ignore o que diz a UE e socorra os bancos que precisam de sua ajuda.

Knowledge@Wharton: Portanto, o governo simplesmente emitiria mais dívida durante algum tempo e usaria esse dinheiro para socorrer os bancos?

Allen: Sim, exatamente. Ou isso, ou algum tipo de imposto ou, de algum outro modo, ele levantará o dinheiro de que precisa para socorrer os bancos e garantir que não haja um evento sistêmico.

Knowledge@Wharton: Os mercados então passariam a se preocupar imediatamente com Portugal e Espanha?

Allen: Sim, mas o grande problema de fato é a Itália. O outro grande possível problema é a França, já que os ataques terroristas aumentaram a popularidade da líder partidária ultraconservadora Marine Le Pen. Se houver um ou mais ataques terroristas drásticos antes das eleições no ano que vem, a França poderá adotar uma postura favorável à saída da zona do euro acompanhada de uma Frexit [saída da França] da UE. Portanto, isso também está nas entrelinhas. Contudo, creio que os riscos são muito mais de terrorismo do que do tipo econômico, como se vê na Itália.

Knowledge@Wharton: Na sua opinião, quais as chances de que a situação na Itália possa descambar para uma crise financeira de grandes proporções?

Allen: Creio que as chances são de 15% a 20%. Ainda são poucas, porém significativas.

Knowledge@Wharton: O que mais é importante compreender sobre esse assunto?

Allen: Tocamos sucintamente esse tema, mas o fato é que a Itália tem 135% aproximadamente do PIB em dívida do governo, o que é um problema. No momento, as taxas de juros abaixaram; na verdade, estão num patamar de baixa histórica. O governo italiano tem um spread acima da taxa de juros da Alemanha, por exemplo, mas existe sempre a possibilidade de que as taxas de juros aumentem se as pessoas começarem a tirar seu dinheiro antes que haja um problema.

Essa é sempre a questão subjacente ― que as pessoas comecem uma corrida aos bancos e ao governo. Esse é o círculo vicioso, que é tão preocupante, sobretudo para a Itália, onde os bancos têm uma parte significativa da dívida do governo.

Knowledge@Wharton: O Fundo Monetário Internacional informou recentemente que, na Itália, a produtividade continua frágil, a dívida continua a subir e é muito difícil para a economia crescer quando os bancos se acham em tal dificuldade porque não estão em condições de emprestar dinheiro para as empresas. O FMI disse ainda que a economia não voltaria a seu nível pré-crise até 2025. Você poderia falar sobre isso?

Allen: Acho que a Itália tem um grande problema de crescimento. O país se acha, basicamente, no mesmo lugar onde estava 20 anos atrás. Sua taxa de crescimento é muito baixa, e não parece que deva voltar logo à situação que tinha antes da crise. Isso é muito problemático para a população italiana, mas também para o sistema político. A Itália também tem um nível elevado de desemprego entre os jovens etc., e esses problemas tendem a supurar e causar problemas de feedback que também são complicados. Acho que se tudo caminhar bem e a Itália sobreviver aos próximos anos sem algum tipo de crise financeira, o país ainda tem chances de passar por problemas de longo prazo, os quais sempre têm o potencial de trazer de volta a crise financeira da qual estamos falando.

Knowledge@Wharton: Outro círculo vicioso, me parece. Que conselho você daria a eles? Na época em que a UE estava em crise de fato vários anos atrás, comentava-se que alguns países, inclusive a Itália, pudessem sair da zona do euro durante um breve período para aproveitar os benefícios da desvalorização; depois, retornariam. Será que isso funcionaria ou será que passamos do momento de usar essa estratégia?

Allen: A dívida da Itália é muito grande: alguns trilhões de euros. A questão é que ela é grande demais para que alemães, holandeses ou outros países fortes paguem por ela. Sob vários aspectos, a situação é muito mais séria do que a que testemunhamos faz alguns anos, caso venha a se transformar em uma crise plena.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Por que o risco de “círculo vicioso” nos bancos italianos pode sepultar a zona do euro." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [09 August, 2016]. Web. [16 November, 2019] <http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/por-que-o-risco-de-circulo-vicioso-nos-bancos-italianos-pode-sepultar-zona-euro/>

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"Por que o risco de “círculo vicioso” nos bancos italianos pode sepultar a zona do euro" Universia Knowledge@Wharton, [August 09, 2016].
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