As universidades com fins lucrativos resolverão o problema de acesso ao ensino superior no México?

Apesar de ostentar uma das 15 maiores economias do mundo e contar com acesso preferencial ao mercado americano, o México continua a enfrentar dificuldades para atender a algumas das necessidades básicas de seus cidadãos. Mas também há boas novas: embora 50% dos mexicanos continuem a padecer de algum tipo de pobreza, o abismo histórico entre ricos e pobres vem diminuindo constantemente nos últimos tempos (o coeficiente de Gini do México caiu de 51,9 para 48,1 entre 2000 e 2005), e um número cada vez maior de jovens mexicanos agora tem acesso ao ensino superior. De acordo com Rodolfo Tuirán, subsecretário de Ensino Superior do ministério da Educação, o percentual de estudantes de baixa renda que frequentam o ensino superior vem aumentando nos últimos anos. Embora em 2004 apenas cerca de 13% do total de alunos fossem de baixa renda, esse número chegou a 20% em 2008.

Na verdade, muitos desses novos alunos são "pioneiros", um termo usado por Manuel Gil Anton, sociólogo da Universidade Metropolitana Autônoma do México, para se referir aos mexicanos que são os primeiros de suas famílias — ou até mesmo das cidades pequenas de onde vêm — a pôr o pé na sala de aula de uma universidade.

O governo ainda é, de longe, o principal provedor do ensino de terceiro grau no país, sendo responsável por dois milhões de estudantes, ou 67% do número total de matriculados (cerca de três milhões de alunos). No entanto, desde o início da década de 80, o governo restringiu a criação de mais vagas em algumas carreiras tradicionais com o argumento de que o México já tinha muitos advogados, administradores e contadores. Em vez disso, criou novas escolas técnicas e universidades, algumas das quais estão hoje com 50% de sua capacidade ociosa.

Contudo, para a maior parte dos mexicanos que hoje querem fazer um curso superior — e para suas famílias e seus círculos sociais —, as carreiras tradicionais são as únicas que valem a pena seguir. Isto significa que esses possíveis alunos terão de competir com candidatos mais abonados e mais bem preparados pelas novas vagas disponíveis nas universidades públicas. Embora o dinamismo do setor público tenha se intensificado nos últimos quatro anos, a demanda é muitas vezes superior à oferta. De acordo com Anton, a maior parte dos pioneiros tem duas opções: desistir da universidade ou tentar entrar em uma universidade muito disputada. Em resposta a essa situação, instituições particulares com fins lucrativos — especificamente voltadas para os segmentos de baixa renda da população — foram abertas por todo o país preenchendo uma lacuna social deixada pelo governo com retornos financeiros expressivos.

Instituições como a Universidade ICEL, Insurgentes, Univer e Londres foram criadas por empreendedores ou professores universitários que viram aí uma oportunidade criada pelo vácuo de ofertas na área do ensino não preenchido pelo governo ou pelas universidades particulares, que se ocupam principalmente dos segmentos mais afluentes da sociedade. As novas universidades acessíveis oferecem cursos de graduação enxutos e, às vezes, mestrados a preços baixos, alguns a partir de 1.500 pesos por mês (US$ 125).

Essa oportunidade atraiu também o capital internacional do setor. O Laureate, por exemplo, patrocinado por fundos de private equity e um dos maiores provedores de ensino particular do mundo, fez do México seu maior mercado, sendo que um dos seus segmentos prioriza especialmente setores da baixa classe média.

Embora o crescimento das matrículas no sistema universitário particular, de modo geral, seja respeitável — 6,6% ao ano entre 1997 e 2009 —, há dúvidas quanto a qualidade das novas propostas educacionais. Escolas sérias como a Laureate oferecem cursos valorizados pelo mercado, mas não se pode dizer com segurança o mesmo em relação a instituições menores que surgiram aqui e ali. Somente uma pequena parte delas é devidamente reconhecida, e há quem duvide da sustentabilidade do seu modelo de negócios e da possibilidade dos seus formados conseguirem emprego no setor formal. O desafio do setor privado, portanto, consiste em oferecer um ensino que seja acessível aos estudantes e, ao mesmo tempo, valorizado pelo mercado de trabalho. As instituições capazes de dar conta das duas coisas têm muito a ganhar. No entanto, construir uma boa reputação leva tempo.

O setor privado fez suas primeira incursões pelo sistema de ensino superior do México em meados dos anos 30, época em que estava ocorrendo um intenso debate sobre o papel das universidades públicas. De acordo com Adrián Acosta Silva, professor de políticas públicas da Universidade de Guadalajara, o lendário presidente mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940) defendeu a ideia de que a educação pública deveria ser uma ferramenta que fizesse avançar os ideais socialistas da Revolução Mexicana de 1910-1917. Em meio aos debates, vários estudiosos que haviam proposto um papel mais liberal para o ensino superior — ou que simplesmente queriam mais independência — criaram as primeiras instituições particulares do país, das quais a pioneira foi a Universidade Autônoma de Guadalajara, criada em 1935. Nos 40 anos que se seguiram, foram criadas 13 universidades particulares, entre elas instituições de nível internacional como a TEC de Monterrey, e que tinham como objetivo principal impulsionar o processo de industrialização do México e apoiar a comunidade empresarial ainda incipiente. Por mais que essas escolas tenham sido benéficas para a economia mexicana, elas atendiam a menos de 100.000 estudantes no início dos anos 80.

De acordo com Imarú Arias Ramírez, diretor de novos produtos da Universidade Valle de México (UVM), as crises econômicas que varreram a América Latina nos anos 80 praticamente congelaram os gastos com educação durante muitos anos. A produção nacional cresceu de maneira expressiva em fins dos anos 80 e durante os anos 90, apesar da recessão de 1994-1995 produzida pela crise cambial mexicana (Efeito Tequila). Contudo, as universidades públicas não conseguiram atender à demanda crescente do ensino de nível superior, que preparou o caminho para a criação de inúmeras instituições particulares. Faz pouco tempo que o governo federal reforçou o investimento no ensino superior. Todavia, o gasto total no setor representa apenas 0,65% do PIB, ainda abaixo da meta de 1% estabelecida pela Lei Geral da Educação.

De acordo com estatísticas da Unesco, a cobertura total das universidades públicas e privadas combinadas alcançou modestos 28% em 2010, um número que fica minúsculo perto dos 73% da Argentina e dos 50% do Chile (a cobertura iguala o número de estudantes universitários atualmente matriculados, independentemente da faixa etária, dividido pelo número total de mexicanos em idade de frequentar a universidade, isto é, de 19 a 23 anos). Isso aponta para um potencial de crescimento enorme, caso a economia mexicana continue a crescer. De acordo com Carlos Iván Moreno, assessor do ministério da Educação, se o governo federal conseguir sustentar o crescimento do número de matrículas dos últimos dois anos letivos ao longo da década atual (cerca de 160.000 novos alunos ao ano), o número de alunos matriculados deve chegar a quase 50% até 2020. Todavia, para chegar a esse nível, o México terá de continuar a depender do setor privado para atingir, pelo menos, um terço do crescimento esperado.

A questão do reconhecimento

Como o governo depende do setor privado para proporcionar escolas de ensino superior a um segmento tão grande da população, a regulação do setor não é proibitivamente onerosa. Na verdade, o reconhecimento não é obrigatório nas instituições de ensino superior do México. Isso se deve a um direito garantido pela Constituição que permite a administração do ensino sem a interferência do governo. Consequentemente, o governo pode reconhecer as instituições de ensino superior, mas não pode obrigar tais instituições a aderir aos seus padrões. Na verdade, atualmente apenas cerca de 10% do programas acadêmicos privados têm reconhecimento do governo, conforme informação da revista Fortuna.

O ministério da Educação Pública reconhece uma instituição através do Reconocimiento de Validez Oficial de Estudos (RVOE). O RVOE é concedido a carreras (currículos) específicas, e não a instituições de modo geral. Portanto, é possível, e comum, que uma universidade ofereça uma ampla variedade de especializações, mestrados e doutorados, dos quais apenas um ou dois tenham o RVOE. Uma das exigências mais importantes consiste em ter um certo percentual de professores em tempo integral, o que representa um gasto muito elevado para universidades e empresas. Os benefícios, espaço para escritório e despesas incidentais associadas à contratação dos professores representam cerca de 70% dos salários pagos. Quando as instituições de baixo custo procuram maximizar os lucros e, ao mesmo tempo, manter preços competitivos, os professores de tempo integral são sacrificados.

Ciente dos custos que os professores de tempo integral acarretam, o governo fez uma reavaliação das exigências relativas ao número de funcionários para incentivar o investimento privado e, ao mesmo tempo, manter padrões razoáveis de ensino. Contudo, esses padrões contribuíram para que houvesse uma inclinação maior pela área de ciências sociais. As ciências naturais e outros cursos, que dependem de um volume grande de atenção individual exigem um percentual relativamente alto de professores de tempo integral (30%). As ciências sociais, por sua vez, não exigem um único professor em tempo integral, o que torna esses cursos muito mais atraentes do ponto de vista financeiro para as universidades.

Dos 21.938 RVOEs expedidos em junho de 2009, as ciências sociais e os estudos de administração representaram 59,6% do total. Os campos que requerem um maior número de professores de tempo integral para a concessão do RVOE aparecem com menor percentual: engenharia, 18,3%; educação e humanidades, 13,8%; e ciências naturais, ciências da saúde e ciências agrárias, os restantes 8,3%.

Conforme já referido anteriormente, o reconhecimento não é obrigatório, e há instituições que não têm curso algum reconhecido pelo RVOE. O maior risco para um estudante que esteja em busca de um curso sem reconhecimento consiste no fato puro e simples de que ele talvez não obtenha um titulo ou uma licença profissional, o que é imprescindível para o exercício da profissão em áreas como direito, cirurgia e engenharia. Essa situação pode também interferir com a possibilidade de o estudante buscar uma formação ainda mais elevada, como um mestrado ou doutorado.      

Há outros tipos de reconhecimento. Assim como as empresas privadas preencheram o vazio na educação publica, as escolas particulares passaram também a oferecer uma forma própria de reconhecimento. Por exemplo, a Federación de Instituciones Mexicanas Particulares de Educación Superior (FIMPES) é um órgão regulatório particular para as escolas desse segmento. Ela trabalha com padrões que são mais exigentes do que os do ministério da Educação Pública. Apenas algumas poucas universidades de baixo custo pertencem a FIMPES, que cobre somente 16% dos alunos matriculados em universidades particulares no México. Além disso, as 109 instituições da FIMPES (67 já reconhecidas e 42 em processo de reconhecimento) têm aproximadamente 400.000 alunos.

Perfis típicos das escolas

As instituições particulares que atendem à população de níveis mais baixos de renda precisam manter os custos baixos, e elas o fazem de acordo com um dos dois métodos a seguir. Em primeiro lugar, elas recorrem a uma gestão de custo fixo bastante rígida. Não costumam fazer pesquisas, o que exigiria investimentos substanciais de longo prazo sem a certeza de lucros. Além disso, não costumam oferecer programas que exijam investimentos expressivos em instalações, como medicina ou vários dos programas de engenharia. Direito, ciências sociais e psicologia são as especializações mais procuradas nessas universidades. Diferentemente de suas congêneres mais caras, as universidades de baixo custo não dão ênfase a disciplinas extracurriculares e a atividades esportivas. Suas instalações foram criadas basicamente para comportar o maior número possível de alunos.

Em segundo lugar, conforme já referido previamente, essas instituições administram com extrema cautela seu principal custo variável: os professores. Elas contam em geral, com professores de tempo parcial, pagos por hora, e evitam com isso o pagamento de benefícios elevados não relacionados ao salário e que são típicos dos contratos de emprego em tempo integral. Nesse sentido, embora os professores das escolas mais caras tenham de ter uma formação mais elevada do que o nível para o qual ensinam — por exemplo, os professores do programa da graduação devem ter, pelo menos, o mestrado — não existe esse tipo de exigência nas instituições de baixo custo, o que reduz ainda mais os custos.

Além da gestão específica de custos dessas escolas, as universidades de baixo custo também diferem das instituições de maior prestígio em suas estratégias de marketing e de práticas. Enquanto estas recorrem à marca e ao prestígio para atrair alunos, as escolas de baixo custo geralmente se esforçam para atender a um mínimo de exigências para conseguir o RVOE. Elas dependem de alunos de baixa renda — que não têm condições de frequentar uma universidade pública e não dispõem dos recursos para cursar uma universidade particular mais cara e de prestígio —, que não têm outra opção de ensino superior. Conforme observou Arias Ramirez, da UVM, "as universidades de baixo custo dependem do fato de que o segmento de renda mais baixa da população vê no curso superior a possibilidade de progredir economicamente, o que é, no fim das contas, o que eles mais querem".

Três instituições ilustram as diferentes experiências educacionais por que podem passar os estudantes e permitem entender melhor como as universidades particulares se diferenciam das demais. A primeira delas é a UVM, cujo público preferencial são os alunos das classes média e média alta. A segunda é a UNITEC (Universidad Tecnológica de México), cujo público são alunos de classe média e média baixa. A terceira é a Universidad ICEL, semelhante a UNITEC em sua proposta, mas com ênfase maior nos alunos de baixa renda.

A UVM cobra dos alunos em torno de 5.570 pesos (US$ 464) por mês. Em geral, os pais desses alunos também têm curso superior. Isto significa não só a existência de um ambiente familiar que estimula o estudo, mas também poder aquisitivo suficiente para arcar com as despesas de estudos dos filhos. Embora os alunos matriculados m escolas mais baratas trabalhem, em geral, em tempo parcial, a UVM oferece uma ampla gama de esportes e de programas culturais no campus. Para proporcionar essa "experiência universitária", a instituição precisa gastar mais com campos para as atividades esportivas, teatros etc.

Na UNITEC, as mensalidades giram em torno de 3.710 pesos (US$ 309) ao mês. O perfil do aluno típico é o do pioneiro, isto é, ele é o primeiro membro de sua família a ter acesso ao ensino superior. Portanto, talvez lhe falte um modelo familiar nessa área. Além disso, seus pais ou irmãos podem não ter condições de lhe dar respaldo econômico necessário, o que o levará a buscá-lo no círculo mais amplo de parentes. Em face das circunstâncias, esses estudantes geralmente se mostram bastante animados com a oportunidade de progredir na vida acadêmica. Eles gastam mais com mensalidade do que os estudantes de instituições mais acessíveis, mas não por causa dos campos de futebol ou dos teatros, e sim pelo prestígio da escola, com que eles esperam contar para obter melhores oportunidades de trabalho depois de se formarem. Se a ajuda financeira adequada estiver disponível para que os estudantes financiem esse tipo de educação, escolas como a UNITEC deverão crescer de forma sustentável durante muitos anos.

A mensalidade do ICEL varia de 1.432 a 1.868 pesos (US$ 119 a US$ 156). Não é raro que um aluno do ICEL venha de uma família numerosa cujos pais disponham de recursos limitados. Os estudantes aqui também são pioneiros. Seus pais talvez sejam motoristas de táxi e suas mães, babás. Eles pertencem a famílias de poucos recursos econômicos. É provável que jamais fizessem um curso superior se não houvesse opções acessíveis. De acordo com Sylvie Milverton, diretora financeira da UNITEC, os alunos oriundos de segmentos socioeconômicos mais baixos, e que são o público-alvo dessas escolas mais baratas, geralmente têm poucas expectativas de cursar o ensino superior e se mostram agradavelmente surpresos com coisas básicas como a existência de professores pontuais e salas de computadores. Na verdade, eles consideram essas salas como um bônus. Os estudantes desse segmento planejam aplicar a educação recebida em empregos em escritórios, em posições de secretariado ou de TI. O potencial desse segmento é enorme, mas os provedores sérios de ensino que têm como alvo os estudantes de baixa renda terão de continuar a se esforçar muito para proporcionar uma educação significativa, e a preços baixos, que seja valorizada pelo mercado de trabalho em geral.

O crescimento do sistema particular de ensino no México tem dado excelentes lucros a seus acionistas. Os gestores dessas universidades falam de margens EBITDA entre 25% e 50% e taxas internas de retorno de até 30%. Contudo, a educação é um bem que gera valor social. Portanto, ao avaliar esse setor, tanto os lucros privados quanto os benefícios que a educação particular de terceiro grau têm proporcionado aos segmentos de baixa renda mexicanos devem ser levados em conta. 

Do ponto de vista puramente quantitativo, o setor privado contribuiu de forma expressiva para a expansão do sistema de ensino superior. Tendo iniciado com uma base muito menor de 499.455 vagas em 1999, o investimento privado acrescentou 364.220 vagas à capacidade geral de 2,6 milhões em 2008, ante 397.737 acrescentados pelas instituições públicas no decorrer do mesmo período. A utilização pura e simples de vagas pode, porém, induzir a erro, já que essa referência não mede a qualidade da educação ministrada. Mas é importante porque os alunos que pagam mensalidades relativamente caras em universidades particulares esperam um retorno do investimento sob a forma de melhores oportunidades de trabalho e de salários mais elevados. Se a qualidade da educação é baixa, o valor do diploma obtido e das habilidades do formado no mercado também será baixa. 

Não há estatísticas sistemáticas, por enquanto, que possam analisar a questão da qualidade das instituições de preços mais acessíveis, sobretudo no que diz respeito aos níveis dos salários e às habilidades mensuráveis transferidas. O que já se sabe, porém, é que parece haver uma vinculação direta entre a qualidade percebida e o custo real do programa educacional: quanto menor a mensalidade, menos conhecimento. A balança se inclina para o outro lado em algum momento no espectro de preço das universidades particulares. Cremos que esse momento é definido pelos níveis de mensalidades de cerca de 1.240 a 1.860 pesos (US$ 103 a US$ 155).

Acima do limite de 1.860 pesos (US$ 155) estão as universidades particulares voltadas para o segmento de classe média baixa, como a UNITEC. A instituição continua no ranking nacional, um fator importante para muitos estudantes para efeito de mercado, embora nem sempre tenham todos os reconhecimentos. Eles estão convencidos, porém, de que os recrutadores conhecem a marca e valorizam mais sua experiência anterior com os formados pela universidade do que apenas o reconhecimento. Os gestores da UNITEC observaram que os salários pagos no primeiro ano de trabalho a seus formados são de cerca de 86.600 pesos (US$ 7.000) ao ano, e que os alunos costumam esperar seis meses para um emprego de período integral. Isso coloca os recém-formados na extremidade mais baixa da faixa de salários da classe média e, pode-se dizer, realiza o objetivo do aluno de melhorar seu padrão de vida. A Universidad ICEL, cuja mensalidade está no limite, apresenta salários iniciais e períodos de busca semelhantes, de acordo com um gestor.

As instituições que cobram mensalidades inferiores a 1.860 pesos (US$ 155) ao mês não aparecem, em geral, nos rankings e seu nome não goza de muito prestígio junto aos recrutadores e ao público em geral. Além disso, seu nível de reconhecimento é escasso. De acordo com Roberto Rodríguez Gomes, pesquisador da UNAM, essas instituições são descritas desdenhosamente como "patitos" (patinhos), um apelido depreciativo que faz referência aos padrões e à qualidade de ensino supostamente baixos dessas escolas. Um funcionário de uma dessas instituições disse que algumas delas costumam apelar para a formação de um número exagerado de alunos para aumentar com isso a quantidade de matrículas — isto é, os estudantes são admitidos sem um histórico acadêmico adequado e com quase nenhuma preocupação de vê-los formados.

Embora o setor de educação particular tenha criado uma alternativa às universidades públicas e proporcione uma educação de qualidade e barata para o maior número possível de pessoas, parece evidente que a educação universitária particular, por si só, não é a fórmula mágica para o aumento do número de alunos matriculados no México. Mesmo nos setores de padrões mínimos, a qualidade tem seu preço e está fora do alcance de muitos. Isso, porém, não anula o valor da contribuição dessas escolas. Todavia, elas são apenas uma das vertentes de uma estratégia de políticas públicas de múltiplas frentes na área da educação que deve contar também com outras medidas complementares:

  • A mais óbvia, mas talvez também a mais problemática dado seu histórico, consiste em o governo acelerar a expansão de programas para garantir aos estudantes de baixa renda bem preparados seu ingresso na universidade. É preciso que se enfatize de modo especial a ampliação das ofertas em carreiras procuradas pelo mercado de trabalho, evitando as ineficiências observadas nas escolas técnicas.
  • Outra estratégia seria a participação de instituições particulares de melhor qualidade nessa disputa oferecendo versões mais acessíveis e simplificadas de suas proposições de valor. Foi isso exatamente o que a TEC de Monterrey fez em 2002 com a criação da Universidad TecMilenio, que hoje conta com 33 campus em todo o México. Ao mesmo tempo, essas instituições precisam estar atentas ao valor de sua marca no momento em que passam a atuar também no mercado mais acessível.
  • O governo mexicano deveria acelerar sua política de instituições particulares. Embora suas mãos estejam atadas em alguma medida pela Constituição, ele deveria se esforçar para criar incentivos práticos e programas de transparência que expusessem as escolas de desempenho fraco e as estimulasse a melhorar sua qualidade.
  • Por fim, o setor privado deveria trabalhar com o governo no financiamento de soluções que permitam a ampliação do acesso às instituições privadas. Este último conceito ainda não é muito popular no México, uma vez que o mercado continua desconfortável com a ideia de empréstimos sem garantias contra uma renda futura. Mais isso pode estar mudando. A UNITEC convenceu um credor comercial, a FINAI, a fornecer empréstimos sem garantias para alunos da UNITEC a uma taxa de aproximadamente 1% ao mês, contanto que haja um fiador. Essa taxa será mais um elemento propulsor para que os alunos de baixa renda tenham acesso ao ensino superior.

A educação é a ferramenta de longo prazo mais eficiente para mudar a sociedade para melhor. Se os países em desenvolvimento e os emergentes quiserem um dia entrar no grupo seleto de nações ricas, a educação tem de ser sua prioridade tanto no setor público quanto particular. Do ponto de vista empresarial, a oportunidade é enorme, mas é enorme também a responsabilidade que ela traz consigo.

This article was written by Normando Bezerra, Claudia Massei, Nils Schulze-Halberg and Tyler Stypinski, members of the Lauder Class of 2012.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"As universidades com fins lucrativos resolverão o problema de acesso ao ensino superior no México?." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [05 April, 2011]. Web. [23 August, 2019] <https://www.knowledgeatwharton.com.br/article/as-universidades-com-fins-lucrativos-resolverao-o-problema-de-acesso-ao-ensino-superior-no-mexico/>

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"As universidades com fins lucrativos resolverão o problema de acesso ao ensino superior no México?" Universia Knowledge@Wharton, [April 05, 2011].
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