Como uma empresa de e-Learning ensinou a si mesma o jogo da captação de recursos para internet

Quando Alec Hudnut e seu sócio, Tom Geniesse, decidiram começar um negócio no que viria a ser conhecido como e-Learning, “educação e treinamento online”, tinham sonhos maravilhosos e pouco capital.

 

No final de 1996, quando a internet estava dando seus primeiros passos, conta Hudnut,  os dois sócios tomaram emprestados US$500.000 da família e dos amigos  e partiram para educar o mundo por meio da WEB. O plano era atender escolas de graduação e pós-graduação em administração, assim como empresas e corporações de treinamento de negócios diretos com o consumidor (varejo).

 

No entanto, a alta nos financiamentos para internet foi seguida pela queda e, há pouco mais de um ano, o que havia sido um fluxo contínuo de capital para investimentos começou a secar. A empresa de Hudnut, chamada Quisic, viu-se frente a um dilema.

 

“O que é mais sensato: tomar mais dinheiro emprestado de pessoas que lhe pedem que você mude ou restrinja os negócios de sua empresa?”, perguntou à platéia da Série de Conferências sobre e-Commerce da Wharton, “Ou a empresa deve persistir e manter tudo, na esperança de que funcione?”.

 

Hudnut, diretor executivo da Quisic, empresa com sede em Los Angeles, optou pelo financiamento. Relutantemente, a empresa demitiu metade de seus funcionários – 225 de 450 – e decidiu concentrar seus esforços na parte mais lucrativa do negócio, o treinamento empresarial. Hudnut afirmou que foi a decisão correta, talvez a única alternativa viável, e que serve de lição para os que estiverem começando um negócio na área de alta tecnologia ou em qualquer outro setor.

 

“Ou a empresa continua captando recursos, ou morre”, disse. “Pode-se optar por um tipo de plano de negócios ou outro. As ações da empresa pode subir ou cair, mas o fundamental é seguir em frente. E quando se trata de uma empresa jovem, isso significa captar recursos”.

 

Hudnut contou que atualmente faltam apenas um ou dois anos para que a Quisic se torne uma empresa lucrativa, que não mais necessitará de capital de risco. Enquanto isso, acrescentou, durante os últimos anos, presenciou ciclos de negócios suficientes para durar toda uma vida.

 

Durante sua palestra, fez um jogo com as pessoas da platéia. Pediu-lhes que oferecessem um dólar do próprio bolso para uma empresa fictícia; em seguida, jogou cara ou coroa para ver como seria o financiamento em cada uma das três fases. Na primeira vez, cara dobraria e coroa quadruplicaria o capital. Na segunda vez, cara duplicaria novamente, mas coroa aumentaria em dez vezes o capital. Na última vez, cara faria com que perdessem 90% do ganho, ao passo que coroa reduziria o lucro pela metade.

 

“A primeira fase foi o estágio inicial do financiamento do negócio com a internet”, contou, com uma quantia significativa de capital e algumas boas idéias bem fundamentadas. Então veio a segunda fase, a verdadeira explosão da Internet, quando “não era necessário nem mesmo ter um currículo”,  disse Hudnut. “O dinheiro vinha de todas as partes – montanhas de dinheiro”. Mas a essa se seguiu a terceira fase, a morte da internet. Ninguém mais investia dinheiro em lugar algum. A Quisic conseguiu levantar algum capital, mas teve de desistir de algumas idéias.

E agora a empresa está pronta para a quarta fase.

 

“Quem não jogasse o jogo da captação de recursos morreria, como a Net”, afirmou Hudnut. “Estamos na fase quatro. O e-Training está numa fase de consolidação rápida, e nós somos os jogadores à procura de fusões e aquisições. Estamos vivos porque seguimos a natureza do financiamento”.

 

Hudnut afirmou que é fundamental compreender a questão da captação de recursos, que sofre modificações ao longo do tempo. “Sua estratégia de negócios não pode ser engendrada isoladamente. É necessário saber três coisas ao mesmo tempo. Qual é o mercado certo para o seu produto? O que seus concorrentes estão fazendo? E, o mais importante, como está a situação do financiamento no momento?”

 

“É claro que você quer criar uma empresa que agregue valor o tempo todo, tanto em termos de qualidade do produto, como também em termos do resultado final, mas é necessário ter consciência de como levantar o capital para atingir esse objetivo. E se os investidores em capital de risco estiverem financiando um pouquinho e você tiver que alterar seus planos [um pouco] por enquanto, certifique-se de que está preparado para fazê-lo”.

 

Hudnut comparou a conjuntura atual dos negócios para as empresas jovens ao joguinho de computador Pac-Man. “Existem as grandes empresas de capital aberto querendo te engolir”, disse. “Há também as empresas como a sua, que não querem ser devoradas e tentam sobreviver. Agora estamos tentando devorar as empresas menores que dispõem de produtos de qualidade e poucas dívidas, mas não têm financiamento suficiente para sobreviver sozinhas”.

 

A Quisic, que realizou treinamento empresarial via internet para 250.000 funcionários durante o último ano, conta com clientes como a United Airlines, o departamento Lexus da Toyota e a McKinsey & Co. Hudnut contou que, embora ache que a Quisic acabará voltando a realizar treinamentos acadêmicos, as sessões de treinamento empresarial proporcionam bem mais lucros no momento.

Nas empresas, paga-se US$100 a hora, disse. “No setor acadêmico, talvez o preço seja de US$5 por hora para cada estudante; portanto, é preciso ter um grande volume. Em três ou cinco anos, talvez voltemos a trabalhar com isso, mas no momento estamos onde gostaríamos de estar”.

 

Ele prevê que a educação online, em algum momento, chegará às escolas de administração mais importantes. “Dependerá de como as pessoas queiram usá-la”, afirmou. “Imagine que você possa ter todo o processo de construção dos fatos online e então voltar à classe e realizar todas as simulações, jogos e exercícios de equipe que não podem ser feitos tão facilmente ao computador. Isso pode implicar um programa de MBA de um ano de duração para algumas pessoas, ou um programa extremamente sofisticado de dois anos”.

 

Mas isso fica para o futuro. Por enquanto, Hudnut tem confiança de que, mesmo com um desaquecimento da economia, os programas de treinamento empresarial online prosperarão. “Existe o senso comum que diz que esse tipo de retração pode ser tanto bom quanto ruim para o treinamento. O aspecto ruim é que, nos tempos de crise, a primeira coisa que as empresas cortam são os treinamentos. Mas a parte boa pode ser ótima para nós, porque o treinamento online não é dispendioso: não requer viagens e pode ser feito durante o horário de almoço, de modo que as pessoas não percam tempo de trabalho. As empresas devem estar olhando para o futuro agora, como nós; isso significa que procurarão meios de treinar seus funcionários. E é claro que acreditamos que a forma que escolherão será o treinamento online”.

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Como uma empresa de e-Learning ensinou a si mesma o jogo da captação de recursos para internet." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [03 December, 2002]. Web. [20 October, 2021] <https://www.knowledgeatwharton.com.br/article/como-uma-empresa-de-e-learning-ensinou-a-si-mesma-o-jogo-da-captacao-de-recursos-para-internet/>

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Como uma empresa de e-Learning ensinou a si mesma o jogo da captação de recursos para internet. Universia Knowledge@Wharton (2002, December 03). Retrieved from https://www.knowledgeatwharton.com.br/article/como-uma-empresa-de-e-learning-ensinou-a-si-mesma-o-jogo-da-captacao-de-recursos-para-internet/

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"Como uma empresa de e-Learning ensinou a si mesma o jogo da captação de recursos para internet" Universia Knowledge@Wharton, [December 03, 2002].
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