Eleição na França: por que a União Europeia está respirando aliviada, por enquanto

Com o centrista Emmanuel Macron e a populista de extrema direita Marine Le Pen, os dois candidatos mais votados no primeiro turno da eleição presidencial francesa de 23 de abril, o palco está pronto para o confronto decisivo no segundo turno da eleição marcado para o dia 7 de maio.

O primeiro turno deixou uma lição muito clara e surpreendente: os eleitores estão desencantados com os partidos franceses tradicionais e resolveram escolher dois candidatos de fora do sistema. Foram derrotados na disputa François Fillon, conservador de centro-direita, Jean-Luc Melenchon, radical de esquerda, contrário à austeridade econômica, e Benoit Hamon, também de extrema esquerda, entre outros.

Macron é considerado um centrista favorável ao ambiente de negócios com posições liberais e sociais. Com apenas 39 anos, jamais havia concorrido a cargo algum até um ano atrás. Marine Le Pen costuma ser descrita como uma política de extrema direita, defensora de um programa econômico nacionalista, inimiga feroz da imigração e que defende com frequência a saída França da União Europeia.

Uma vez que a maior parte das pesquisas e especialistas indicam que Macron derrotará Le Pen na disputa pela presidência ─ muitos acham que ele ganhará por uma margem de pelo menos 20% ─, os que defendem a permanência da França na UE estão respirando um pouco mais aliviados agora. Os mercados americanos e europeus reagiram positivamente na segunda-feira à medida que o temor de uma grande disrupção ia perdendo força. De acordo com várias reportagens, tanto os líderes dos partidos de centro como os socialistas endossaram Macron para presidente, uma vez que Le Pen é considerada muito desagregadora.

Na eleição de domingo, Macron conquistou 23,8% dos votos ante 21,5% dados a Le Pen já com a maior parte dos votos contabilizados. De acordo com as regras eleitorais francesas, os dois candidatos mais votados passam para o segundo e último turno da disputa. Muitos observadores achavam que Le Pen fosse angariar o maior número de votos, sobretudo na esteira do ataque terrorista a Paris no final de semana, já que ela defende a limitação rigorosa da entrada de imigrantes.

João Gomes, professor de finanças da Wharton, e Olivier Chatain, professor de estratégia e de política empresarial na Escola de Negócios HEC, de Paris, além de pesquisador sênior do Instituto Mack de Gestão da Inovação da Wharton (Mack Institute for Innovation Management), discorreram sobre as implicações da eleição francesa durante o programa da Knowledge@Wharton que foi ao ar na Wharton Business Radio, canal 111 da SiriusXM .

“Temos aqui uma situação realmente sem precedentes”, disse Chatain no programa. Da perspectiva dos EUA, “é como se houvesse tido uma eleição presidencial e não houvesse candidato democrata e nem republicano em quem votar. Trata-se, possivelmente, de um rearranjo de grande envergadura.”

Ele classificou como “relativa surpresa” o fato de que Le Pen não tenha terminado em primeiro lugar, o que explicaria o apoio maior do que o esperado que Macron vem recebendo de “centristas e de gente favorável à integração europeia”.

Gomes ressalta que “não faltarão dificuldades. Ganhar a eleição presidencial é o primeiro passo, mas o que Macron poderá fazer de fato? Ele não tem um partido que possa apoiá-lo […] É jovem, não tem muita experiência e, principalmente, tem muito pouca experiência em política externa. Várias coisas que ele quer fazer ─ flexibilização dos mercados de trabalho, redução dos códigos tributários das empresas, um ambiente mais favorável ao desenvolvimento dos negócios […] são coisas às quais os mercados já reagiram positivamente, e em que gostariam de acreditar, mas a capacidade de execução disso tudo é o xis da questão”.

No fim das contas, diz Gomes, a França tem muitas limitações que restringirão a margem de manobra de qualquer presidente, entre elas o fato de o país pertencer à União Europeia e ter dívidas relativamente vultosas aliadas a um baixo crescimento. “Boa parte do programa será ditado pela relação da França com a Alemanha e com o novo chanceler do país a ser escolhido em outubro. Portanto, não creio que a eleição mude muita coisa no futuro próximo.”

Citando a Universia Knowledge@Wharton

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"Eleição na França: por que a União Europeia está respirando aliviada, por enquanto." Universia Knowledge@Wharton. The Wharton School, University of Pennsylvania, [26 April, 2017]. Web. [18 October, 2019] <https://www.knowledgeatwharton.com.br/article/eleicao-na-franca-por-que-uniao-europeia-esta-respirando-aliviada-por-enquanto/>

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"Eleição na França: por que a União Europeia está respirando aliviada, por enquanto" Universia Knowledge@Wharton, [April 26, 2017].
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